Após a “tsunami” de casos de Covid-19 no início deste ano no país, muitas pessoas se perguntam se existe uma “janela de imunidade” após contrair o vírus, ou seja, um período em que o paciente não é reinfectado.
Imunidade contra Covid-19 é transitória, afirma epidemiologista – Foto: Getty Images/iStockphoto/NDApesar de grande parte das pessoas criarem anticorpos, isso não vale para todos, segundo a epidemiologista e professora da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) Fabiana Schuelter Trevisol.
Ela afirma que a reinfecção é possível quando surgem novas variantes ou após alguns meses da doença, ou até mesmo da vacina. “Portanto, a imunidade é transitória e não garante proteção permanente”, reforça.
SeguirOutro fator que influencia a reinfecção é a capacidade de mutação do vírus. Isso ocorre tanto por ser um subtipo diferente, que escapa da imunidade adquirida, quanto pela queda dos níveis de anticorpos após alguns meses, explica a epidemiologista.
Por isso, “é fundamental seguir as orientações de cuidados: uso de máscaras, distanciamento físico, higienização das mãos, especialmente em períodos com muitos casos ativos, como agora. E claro, a melhor medida é a vacinação”.
O mês de janeiro terminou com 66.569 moradores de Santa Catarina sendo monitorados por suspeita ou diagnóstico positivo para a doença. É o maior registro mensal desde o início da pandemia, segundo o Necat Necat (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense), da UFSC, que acompanha o desenvolvimento da doença no Estado.
Poder da vacina
Além das mutações do vírus que ocorrem a cada nova cepa de preocupação, bem como o poder de infectividade, outro fator que influencia a reinfecção é a quantidade de anticorpos produzidos e das células de memória criadas.
O papel da vacina é estimular que o sistema imune crie anticorpos e células de memória sem precisar passar pela doença. Como explica a infectologista, a memória criada por um imunizante é mais efetiva e duradoura, “pois as vacinas são feitas com algumas partes mais estáveis do vírus, sofrendo menos influência da cepa”.
Mesmo assim, a vacina não impede a infecção, já que ela tem o objetivo de reduzir o agravamento da doença e as mortes. “Essa é a razão pela qual a variante Ômicron afetou muito mais gente do que nos outros picos, mas os óbitos e casos graves continuam bem mais baixos que em outros momentos”, diz.
Ainda de acordo com Trevisol, pacientes em UTI por Covid ou que morrem pela doença estão com esquema vacinal incompleto ou não foram vacinados, em sua maioria.
“A grande importância da vacinação é que quanto mais gente vacinada, menos pessoas o vírus irá encontrar para infectar e se replicar.”
Em relação à gravidade dos sintomas após contrair a doença por duas, ou até mesmo três vezes, a ciência ainda tenta achar respostas.
“A gravidade do caso é influenciada por características do indivíduo — idade, comorbidades, imunidade, como também do agente viral — carga viral, cepa envolvida etc”.
Quando será o próximo pico da doença?
O próximo pico da pandemia no Brasil está próximo, segundo projeções de um centro de pesquisa global ligado à Universidade de Washington, nos Estados Unidos.
Os estudos do IHME (The Institute for Health Metrics and Evaluation) apontam que o Brasil e Santa Catarina devem enfrentar uma nova onda em meados de fevereiro.
No site do instituto, o cenário da pandemia no Brasil e Santa Catarina pode ser visto até maio. Conforme a professora, também é possível que a pandemia perca força depois da próxima onda, mas “é necessária alta taxa de cobertura vacinal mundial para evitar o surgimento de novas cepas”.