A Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina) informou nesta quinta-feira (18) que, devido ao aumento do número de casos de varíola dos macacos no estado, a divulgação dos confirmados terá mudanças. A pasta irá informar apenas às terças-feiras as cidades catarinenses com casos confirmados da doença.
Casos por município agora só serão divulgados nas terças-feiras – Foto: Leo Munhoz/NDNos demais dias da semana serão divulgados apenas o total do número de casos. No boletim desta quinta, já são 44 casos confirmados de varíola dos macacos em Santa Catarina, um caso a mais que o registrado nesta quarta-feira (17).
Além dos casos confirmados, há outros 203 em investigação no Estado. Ou seja, casos que são investigados como varíola dos macacos e aguardam resultado de exames, por exemplo.
SeguirFlorianópolis segue liderando os casos confirmados em Santa Catarina, com 15 casos. De acordo com os dados da Vigilância Epidemiológica municipal, 37 outros casos estão em investigação.
Brasil é o 3° país do mundo com mais casos
Os casos de varíola dos macacos não param de subir em todo o Brasil. O país ultrapassou a Alemanha em número de casos e tornou-se o terceiro país do mundo com mais pessoas infectadas.
Os dados do Ministério da Saúde atualizados na última quarta-feira (17) mostram que já são 3.359 casos positivos. O estado com mais confirmados é São Paulo, que acumula 2.274 casos da doença.
Os dois primeiros países em número de casos são Estados Unidos, com 13.517 diagnósticos, e a Espanha, que tem 5.968 casos.
O primeiro caso no Brasil foi registrado algumas semanas após todos esses países, em 8 de junho. O surto começou no início de maio, com pacientes no Reino Unido e na Espanha.
Prevenção
De acordo com o site oficial do Ministério da Saúde, a principal forma de proteção contra a varíola dos macacos é evitar contato direto com pessoas contaminadas. A pasta reforça que a principal forma de transmissão ocorre através do contato pele/pele, pessoal, ou através do contato com objetos pessoais de um paciente que está infectado com a varíola dos macacos.
O site orienta que, ao aparecer quaisquer sinais ou sintomas como febre alta e súbita, dor de cabeça, aparecimento de gânglios (bolinhas/feridas), é preciso procurar um médico na unidade básica de saúde.
Vacinas
Sobre as vacinas, o Ministério da Saúde informa que existem atualmente duas empresas que produzem essas vacinas. Uma empresa utiliza um método de aplicação chamado escarificação e a outra por injeção intramuscular.
“Nós entendemos que o melhor método de aplicação é o intramuscular. O Ministério está em tratativas com a OPAS (Organização Panamericana de Saúde) e OMS (Organização Mundial da Saúde) para aquisição de doses para a nossa população”, diz o Ministério.
O órgão afirma que inicialmente trabalha com a tratativa de aproximadamente 50 mil doses iniciais, a depender da capacidade de produção da empresa e da capacidade de aquisição. A OPAS negocia com o fabricante para que essas vacinas estejam disponíveis o quanto antes. O Ministério, no entanto, não fala data para que a compra seja feita.
Ministério da Saúde fala em quantitativo inicial de 50 mil doses de vacinas contra varíola dos macacos, mas não há prazo à compra – Foto: Prefeitura de Chapecó/Divulgação/NDPaíses da Europa e também os Estados Unidos, porém, já estão vacinando homens que fazem sexo com homens, que concentram a maioria dos casos neste momento.
Apesar deste grupo concentrar um número grande de infectados, o médico de família e comunidade Samuel do Nascimento faz um alerta.
“Não podemos repetir, enquanto sociedade, o estigma que ocorreu no início da pandemia pelo HIV. Apesar de, neste momento, a Monkeypox (nome em inglês para varíola dos macacos) estar circulando mais entre homens que fazem sexo com homens, ela não tem restrições de sexo, gênero ou orientação sexual”, explicou.
Para o médico, achar que a doença está restrita a um grupo específico pode contribuir para negligenciar cuidados fora desta população. Ou seja, pessoas que não fazem parte deste grupo podem não acreditar que podem contrair varíola dos macacos.