Falta de equipamento para tratamento em Joinville aumenta para 93% o risco de morte por AVC

Equipamento de hemodinâmica utilizado no Hospital São José está quebrado desde março; hospital privado que oferecia o tratamento informou que também está com problemas e deve cessar atendimento

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Redação ND Joinville

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Pacientes que precisam de tratamento e a falta de um equipamento vital, que pode definir entre vida e morte de pessoas que sofreram AVC (Acidente Vascular Cerebral). Desde março, o equipamento de hemodinâmica utilizado no Hospital Municipal São José está quebrado e como alternativa, um hospital privado da cidade estava atendendo os pacientes que precisam do tratamento. No entanto, esse hospital informou ao município que também está com problemas estruturais e cessará os atendimentos.

Hospital Municipal São José está sem equipamento essencial para o tratamento de AVC – Foto: Carlos Jr./NDHospital Municipal São José está sem equipamento essencial para o tratamento de AVC – Foto: Carlos Jr./ND

Esse é o cenário em Joinville, Norte de Santa Catarina, cidade que em 2021 foi reconhecida com o Prêmio Mundial de Valor em Saúde. Além disso, o hospital, que foi pioneiro no SUS, foi certificado como centro avançado de AVC pela Organização Mundial de AVC.

No entanto, menos de um ano depois, os pacientes sequer têm acesso ao tratamento. De acordo com o município, em média, a hemodinâmica encefálica é realizada 15 vezes por mês. O equipamento possibilita uma análise dos vasos e artérias intracerebrais, incluindo canais e fluxos sanguíneos e é fundamental para reduzir as chances de morte e sequelas severas, uma vez que colabora com o diagnóstico e direciona o tratamento ideal.

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Segundo um relatório elaborado pela Associação Brasil AVC, com o recurso do equipamento indisponível, o paciente com AVC grave tem 93% de risco de morrer ou ficar severamente incapacitado. Em contrapartida, com o procedimento à disposição, 52% dos pacientes retornam para uma vida independente.

“Dados demonstram que além do imensurável benefício para o paciente, esse manejo economiza recursos de saúde, pois ao gerar uma alta taxa de sobreviventes independentes, os pacientes ficam menos tempo internados, utilizam menos reabilitação, possuem menos reinternações e voltam a trabalhar com maior frequência”, salienta o relatório.

Em nota oficial, o município afirmou que solicitou apoio junto ao Cisnordeste (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Nordeste de Santa Catarina) para a contratação rápida do serviço.

O relatório da Associação Brasil AVC é taxativo e cobra uma solução. “Do ponto de vista humanitário, essa situação é irracional e inaceitável. A falta do equipamento de hemodinâmica do HMSJ determina a morte ou incapacidade em uma significativa parcela das pessoas que sofrem uma emergência cerebrovascular”, ressalta.

Já o município, afirmou que para que os pacientes não fiquem desassistidos, solicitou suporte a um hospital da rede privada.

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