Falta de insumos para procedimentos faz cirurgias e exames serem adiados no Brasil

Em ao menos 14 unidades da federação, havia algum medicamento ou insumo básico em falta

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Redação ND Florianópolis

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O Brasil vive uma crise em desabastecimento de remédios e insumos usados em cirurgias e exames que fazem com que milhares de procedimentos sejam comprometidos.

Segundo pesquisa recente divulgada pela CNSaúde (Confederação Nacional de Saúde), das 14 unidades da federação que responderam ao questionário, havia em todas algum medicamento ou insumo básico, como soro fisiológico, em falta. As informações são do R7.

Pelo menos 14 unidades da federação identificaram algum tipo de falta de insumo – Foto: Breno Esaki /Agência SaúdePelo menos 14 unidades da federação identificaram algum tipo de falta de insumo – Foto: Breno Esaki /Agência Saúde

A pesquisa mostrou que a maioria dos estabelecimentos, principalmente hospitais, está com dificuldades de adquirir os medicamentos neostigmina (50,5%), aminofilina (41%), metronidazol bolsa (41,9%), amicacina injetável (40%), atropina (49,5%), dipirona injetável (62,9%) e outros (32,5%).

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De acordo com dados do SindHosp (Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo), de 1º a 14 de julho, 67 hospitais privados relataram falta de medicamentos e apenas 10% não enfrentavam esse déficit.

Remédios em falta

Alguns remédios mais em falta nas organizações de São Paulo são a dipirona (14,53%), antibióticos em geral (11,69%) e ocitocina (10,48%).

A falta foi atribuída à interrupção de produção do principal fabricante do princípio ativo, responsável por cerca de metade do quantitativo distribuído no país, e a situação ainda não está regularizada.

Soro fisiológico e contraste radiológico

Na lista de desabastecimento, foram apontados o soro fisiológico e o contraste radiológico. De acordo com o Segundo a CNSaúde, o insumo que mais preocupa no país é o soro, que já está em menor proporção em cerca de 87% das unidades.

Outro fator que piora a situação é o prazo de 30 dias que vendedores estipulam para entregar o insumo. Isso aumenta a lacuna entre a necessidade e o recebimento do produto.

Necessidades da diálise

No Brasil, de acordo com dados da SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia), o número de pacientes com doença renal crônica é crescente.Atualmente, mais de 140 mil pacientes fazem diálise.

O nefrologista Claudio Luders, do Hospital Sírio-Libanês, explicaque o procedimento é de alta complexidade, e o soro fisiológico é essencial em diversas etapas.

“Antes de começar a diálise, o sangue vai passar numa máquina, dentro de linhas (tubinhos), depois ele passa no filtro e retorna para o paciente. Eu preciso preencher essas linhas com algumas soluções para não ter ar lá dentro, então, ela é preenchida com soro fisiológico. Essa etapa, se for o primeiro uso do paciente, não tem como ser substituída”, esclarece.

Vale ressaltar que não apenas a diálise necessita de soro, Luders reitera que as medicações hospitalares, geralmente, são diluídas em algum soro. Sendo assim, ele é essencial.

No caso de contrastes radiológicos, segundo nota do Ministério da Saúde, os hospitais devem racionalizar o seu uso “para exames e procedimentos médicos, até que ocorra a normalização do fornecimento do produto”. Dessa maneira, devem priorizar emergências e urgências, por exemplo.

A pasta autorizou recentemente repasse de quase R$ 127 milhões para compra de medicamentos nos estados, municípios e Distrito Federal, de julho a setembro através de portaria publicada no DOU (Diário Oficial da União) na última quinta (28).

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