Mais de 41 milhões de mulheres brasileiras são impactadas pela falta de coleta de esgoto. Esse um dos dados evidenciados em recente pesquisa conduzida pelo Instituto Trata Brasil – que trabalha na reivindicação e informação do saneamento básico no país -, com o objetivo de visibilizar o impacto da falta de saneamento básico para as mulheres.
A pesquisa mostra que a desigualdade de gênero está presente em todos os estágios da vida da mulher – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/NDEm comparação com a pesquisa realizada em 2018, observa-se uma piora dos números. Antes o total de mulheres impactadas pela falta de coleta de esgoto era de 26,9 milhões, ou seja, houve um crescimento de 15,5% de brasileiras impactadas pelo problema.
Além desse dado, no mesmo período, observou-se um aumento da população feminina prejudicada pela falta de água tratada, que passou de 15,2 milhões para 15,8 milhões. Junto a isso, 24,7 milhões não recebem água tratada com regularidade (diariamente).
SeguirDe acordo com Luana Siewert Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, o motivo do aumento desses números são diversos. “Houve um crescimento da população nos últimos anos, mas o acesso ao saneamento não cresceu proporcionalmente”.
Além disso, ela afirma que o aumento da pobreza também teve grande influência, basta observar que o número de mulheres sem banheiro em casa foi de 1,6 milhão para 2,5 milhões.
Metas e realidades
O novo Marco Legal do Saneamento, sancionado em 2020 pelo presidente Jair Bolsonaro, define como meta do Governo Federal alcançar até 2033 a universalização dos serviços de saneamento básico. Desse modo, garantindo que 99% da população tenha acesso a água potável e 90% a tratamento e coleta de esgoto.
Na época, o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, afirmou por meio do site do Governo Federal, que para atingir a meta seria necessário a união da aplicação de capital privado com os investimentos do Governo, estados e municípios, que segundo o ministro chegava a R$ 7 bilhões por ano.
Para Siewert, se o objetivo for alcançar o que está definido no Marco Legal, seria prudente que cada município tivesse um plano individual de saneamento, focando na especificidade da região. Ela ainda pontua que “com a universalização dos serviços, o número de incidência de doenças ginecológicas diminuiria em 63,4%”.
Além disso, segundo informações do DATASUS – base de dados do Sistema Único de Saúde -, foram 273.224 internações causadas por doenças de veiculação hídrica nos hospitais da rede do SUS em 2019. Destas pessoas internadas, 51,6% eram mulheres e 48,4% eram homens.
Reação em cadeia
A falta de saneamento básico tem consequências em outros diversos aspectos da vida além da saúde, afetando também a educação e evolução profissional destas mulheres.
“A falta de saneamento faz com que muitas mulheres tenham que despender mais tempo em tarefas domésticas”, afirma presidente do Instituto Trata Brasil – Foto: Arquivo/Agência Brasil/NDOs dados do Instituto Trata Brasil mostram que as mulheres tem cerca de 2 bilhões de horas de trabalho e 676 milhões de horas de estudo perdidas, associadas à consequências da falta de saneamento.
“A falta de saneamento faz com que muitas mulheres tenham que despender mais tempo em tarefas domésticas, impedindo elas de trabalhar e estudar”, ressalta a presidente do Trata Brasil. A realidade comentada ela pode ser encontrada ao analise que mulheres que residem em uma moradia sem banheiro tem notas inferiores (53,1 pontos a menos) no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e tem um esforço econômico 16 vezes maior para conseguir comprar produtos de higiene pessoal.
Para Swiert, isso é uma “reação em cadeia”, visto que a população feminina com menor instrução terá maior dificuldade para se posicionar no mercado dentro da sociedade e sair da situação de falta de saneamento.