O preço da falta de sono: como uma noite mal dormida pode acelerar o envelhecimento da pele

Dermatologista explica os impactos do sono adequado na saúde cutânea e ensina práticas e recomendações para uma pele melhor

Foto de Leandra da Luz

Leandra da Luz Florianópolis

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Em um mundo agitado, onde as demandas diárias muitas vezes comprometem as horas de sono e descanso, é importante lembrar que um sono reparador não apenas revitaliza a mente e o corpo, mas também desempenha um papel crucial na manutenção da saúde da pele.

A exposição à luz azul emitida pelos dispositivos eletrônicos antes de dormir pode interferir nos padrões de sono – Foto: Freepik/NDA exposição à luz azul emitida pelos dispositivos eletrônicos antes de dormir pode interferir nos padrões de sono – Foto: Freepik/ND

Em uma entrevista com Michely Pescador, dermatologista em Florianópolis, o portal ND+ explora os impactos do sono adequado na saúde cutânea, bem como as recomendações práticas para melhorias.

Michely destaca que “quando dormimos bem, temos o equilíbrio de diversos fatores que influenciam na saúde e no funcionamento da pele, por exemplo, alguns hormônios importantes que são produzidos e liberados durante o sono”. Esses hormônios desempenham um papel vital na imunidade.

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“Para que tenhamos uma pele saudável, é fundamental termos essa barreira cutânea íntegra. Isso mantém a hidratação cutânea, evita infecções e até mesmo mantém estáveis doenças cutâneas inflamatórias”, afirma a dermatologista

Regeneração celular em ação

Durante o sono, o corpo ativa mecanismos que impulsionam a regeneração celular, momento em que acontece a diminuição da temperatura corporal, uma discreta hipotensão que chega acompanhada da diminuição de algumas substâncias, como o lactato, contribuindo para a renovação, proliferação e migração celular.

“Além disso, alguns hormônios também auxiliam nesse processo de regeneração, como é o caso do hormônio do crescimento (também conhecido como GH). É por esse processo de regeneração que, após uma boa noite de sono, quando acordamos a pele está mais viçosa, bonita e mais macia. Ou seja, o ‘sono da beleza’ realmente existe”, diz Michely Pescador.

O preço da privação de sono

A dermatologista alerta sobre os efeitos nocivos da falta de sono, destacando alterações hormonais, especialmente do cortisol, o hormônio do estresse. A diminuição da melatonina, que possui função antioxidante no corpo, é algo comum em noites mal dormidas e contribui para o aumento de radicais livres, acelerando o envelhecimento da pele.

É importante estabelecer hábitos saudáveis de sono e limitar o uso do celular antes de deitar para garantir um descanso adequado – Foto: Freepik/NDÉ importante estabelecer hábitos saudáveis de sono e limitar o uso do celular antes de deitar para garantir um descanso adequado – Foto: Freepik/ND

“Com menos melatonina e com o aumento do cortisol, ou seja, com um desequilíbrio nesses hormônios, temos mais radicais livres circulantes, gerando um dano oxidativo às células, havendo maior destruição do colágeno e da elastina. Esses colágeno e elastina são encontrados na derme, camada mais profunda da pele, e são eles os responsáveis por manter a pele firme e com elasticidade. Tudo isso [na privação do sono] favorece o envelhecimento precoce, com o surgimento de rugas, sulcos e da temida flacidez”, afirma ela.

Michely enfatiza, também, a relação entre o sono e problemas dermatológicos, incluindo acne, eczema e outras condições inflamatórias. A qualidade do sono está intrinsecamente ligada à parte imunológica da pele, influenciando diretamente sua saúde.

Como evitar as “Sleep Lines”

A dermatologista oferece dicas práticas, alertando sobre as rugas do sono e recomendando posições que minimizem o impacto na pele. Produtos específicos e procedimentos podem ser adotados para estimular o colágeno e combater a flacidez associada a essas rugas.

“Existe um termo que utilizamos para falar sobre as rugas do sono- as famosas ‘sleep lines’- que são rugas que se formam quando dormimos por muito tempo na mesma posição, pressionando a pele no travesseiro ou na cama. Isso ocorre mais quando dormimos de lado ou de bruços. Essas ruguinhas ficam mais evidentes à medida que envelhecemos e vamos perdendo colágeno e os locais que mais sofrem são a face, o pescoço e o colo”, explica Michely.

Dormir mal acarreta em um desiquilíbrio hormonal – Foto: Freepik/NDDormir mal acarreta em um desiquilíbrio hormonal – Foto: Freepik/ND

A dermatologista informa que, embora seja difícil para muitas pessoas, uma forma de evitar as “sleep lines” é evitando dormir de lado e de bruços. E ainda comenta que existem alguns produtos que podem ser utilizados na hora de dormir como alguns sutiãs e adesivos específicos que dão uma sustentação para o colo. E afirma que todos podem, ainda, realizar procedimentos que visam o estímulo de colágeno e a hidratação da pele, já que essas ruguinhas se formam também pela flacidez.

Rotina noturna e cuidados com a pele

Além do sono, Michely destaca a importância de uma rotina de skincare personalizada. Higienização adequada, hidratação e, em alguns casos, o uso de ácidos são fundamentais para manter a pele saudável. A dermatologista ressalta a troca frequente de roupa de cama como um aspecto muitas vezes negligenciado.

É muito importante manter uma rotina de skincare – Foto: Freepik/NDÉ muito importante manter uma rotina de skincare – Foto: Freepik/ND

“As fronhas, por exemplo, deveriam ser trocadas toda semana, tendo em vista que acumulam microrganismos como bactérias e ácaros. Isso pode piorar doenças de pele”, afirma.

Quando não dormimos bem acontece um aumento do cortisol e a dificuldade na drenagem de líquidos que contribuem para problemas como olheiras, bolsas sob os olhos e inchaço facial, destacando a importância de uma boa noite de descanso.