FAO afirma que mundo está longe de erradicar a fome até 2030

Segundo o órgão, até 670 milhões de pessoas devem continuar vivendo com fome no final dessa década; número é similar a 2015, ano em que as metas de erradicação foram estabelecidas

AFP Paris, França

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A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) anunciou nesta quarta-feira (6) que o objetivo de erradicar a fome, a insegurança alimentar e a desnutrição em todas suas formas até 2030 está cada vez mais distante.

Os planos da ONU no ODS-2 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável ‘Fome Zero’) parecem longe de ser atingidos e a projeção da FAO é que até 670 milhões de pessoas seguirão com fome até o final dessa década. O número é similar ao de 2015, quando a comunidade internacional estabeleceu a meta da erradicação.

FAO projeta até 670 milhões de pessoas com fome para o final dessa década – Foto: Agência Brasil/Reprodução/NDFAO projeta até 670 milhões de pessoas com fome para o final dessa década – Foto: Agência Brasil/Reprodução/ND

A organização afirmou  que já existia um “quadro sombrio” em relação à segurança alimentar global no ano passado, antes da guerra na Ucrânia.

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Em um comunicado conjunto, a FAO, o Fundo Internacional para Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a Unicef, o Programa Mundial de Alimentos (PAM) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontaram que “entre 702 e 828 milhões de pessoas sofreram com a fome em 2021”, o equivalente a 9,8% da população mundial.

Isso significa que houve 46 milhões de pessoas com fome em relação a 2020, ano em que a situação já havia piorado devido à pandemia de Covid-19.

Projeção não é boa

Além disso, a FAO projeta até 670 milhões de pessoas que continuarão com fome para o final dessa década, “um número similar ao de 2015”, quando a comunidade internacional estabeleceu a meta da erradicação.

Se não adotarem medidas drásticas, “todos nossos esforços servirão simplesmente para atrasar as grandes crises que vivemos”, lamentou o presidente da FIDA, Gilbert Houngbo, em entrevista à AFP.

As cinco organizações internacionais alertaram sobre uma “intensificação dos principais fatores de insegurança alimentar e desnutrição”, entre eles os conflitos, os extremos fenômenos climáticos e as crises econômicas.

Para as organizações, a chave é tomar medidas audaciosas para fortalecer a “resiliência” diante de crises futuras, como ocorreu com a guerra na Ucrânia e a interrupção na cadeia de fornecimento.

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