Febre do Oropouche: além do maruim, outro mosquito pode transmitir a doença

Santa Cataria confirmou três casos da febre do Oropouche em abril, no município de Botuverá, no Médio Vale do Itajaí

Foto de Aysla Pereira

Aysla Pereira Blumenau

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No dia 26 de abril, a Secretaria de Estado da Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde de Botuverá confirmaram três casos da Febre do Oropouche no município do Médio Vale do Itajaí. Além do maruim, há outro mosquito que contribui para a transmissão da doença.

Santa Cataria confirmou três casos da febre do Oropouche em abril, no município de Botuverá, no Médio Vale do ItajaíFebre do Oropouche: além do maruim, outro mosquito está envolvido na transmissão da doença – Foto: PMSJ/Reprodução/ND

Conforme o diretor da Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) de Santa Catarina, João Augusto Brancher Fuck, o mosquito culex quinquefasciatus, comum de ser encontrado em áreas urbanas, pode estar envolvido na proliferação da febre.

“São mosquitos que diferente do aedes aegypti, se reproduzem em locais com matéria orgânica, de forma que o controle vetorial é mais difícil se a gente não tem o local exato para fazer o controle desse mosquito. Então, nesse momento, a orientação para as pessoas é manter o seu quintal limpo, manter medidas de proteção individual, telas em janelas e uso de repelentes para evitar a picada dos mosquitos”, destacou.

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João ainda enfatiza as orientações para os moradores de Botuverá, para que mantenham o acompanhamento no serviço de saúde da cidade.

Santa Cataria confirmou três casos da febre do Oropouche em abril, no município de Botuverá, no Médio Vale do ItajaíSanta Cataria confirmou três casos da febre do Oropouche em abril, no município de Botuverá, no Médio Vale do Itajaí – Foto: Reprodução/Labclasspardini/ND

Levantamento vai apontar quais vetores estão envolvidos na transmissão da doença

O diretor da Dive comenta que será realizado um levantamento entomológico para identificar se há mais de um vetor que possa estar envolvido na transmissão da Febre do Oropouche em Botuverá.

A coleta desses vetores será realizada nos locais onde os casos foram identificados, a fim de entender entender melhor a dinâmica da transmissão da doença.

“Cabe destacar que tem identificados casos de Oropouche em outros estados, porque essa não é uma realidade só de Santa Catarina. A gente teve uma descentralização do diagnóstico nos laboratórios centrais de saúde pública, de forma que conseguimos monitorar a situação a partir desse ano de 2024”, explicou João.

Ainda segundo o diretor, embora a Febre do Oropouche seja uma doença antiga, com os primeiros diagnósticos a partir da década de 60, até então os casos se concentravam na região Norte do Brasil.

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    Picada de mosquito pode causar a doença - Jaqueline Fischer/Reprodução ND
    Picada de mosquito pode causar a doença - Jaqueline Fischer/Reprodução ND
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    População do Vale do Itajaí vive em meio à infestação do maruim - Jaqueline Fischer/Reprodução ND
    População do Vale do Itajaí vive em meio à infestação do maruim - Jaqueline Fischer/Reprodução ND
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    Alergia causada pelas picadas dos mosquitos - Jaqueline Fischer/Reprodução ND
    Alergia causada pelas picadas dos mosquitos - Jaqueline Fischer/Reprodução ND

Sintomas da Febre do Oropouche

De acordo com o Ministério da Saúde, a Febre do Oropouche se assemelha aos sintomas de outras doenças, como a dengue. Ambas as doenças podem apresentar sintomas semelhantes, como febre, dores no corpo e nas articulações, dor de cabeça e fadiga.

No entanto, existem diferenças específicas nos sintomas e no curso da doença, e o diagnóstico diferencial é feito com base em testes específicos para cada vírus.

Tratamento

De acordo com o Ministério da Saúde, a Febre do Oropouche é uma doença causada por um arbovírus.

Não existe tratamento específico, mas o paciente deve permanecer em repouso e ter acompanhamento médico.

Podem ser prescritos analgésicos e antitérmicos comuns para aliviar os sintomas, que são muito parecidos com os da dengue.

Transmissão da doença

A transmissão da doença não ocorre pela picada do Aedes aegypti (o da dengue) e sim de outros mosquitos, sobretudo pelo Culicoides paraensis, conhecido como maruim.

Depois de picar uma pessoa ou animal infectado, o vírus permanece no sangue do mosquito por alguns dias. Se uma pessoa saudável receber a picada no mosquito infectado, ela pode contrair o vírus.

Eles se proliferam principalmente durante períodos de calor em ambientes úmidos, como em áreas próximas a mangues, lagos, brejos e rios.

Mas não são restritos a áreas rurais, estando presente em espaços urbanos com disponibilidade de água e matéria orgânica, sobretudo próximo a hortas, jardins e árvores.

Além disso, o Culex quinquefasciatus, uma das espécies popularmente chamada de pernilongo, também pode atuar como vetor.

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