Fiocruz alerta para casos de síndromes respiratórias em crianças

Santa Catarina registrou 309 novos casos de SRAG em crianças até nove anos em pouco mais de um mês; nessa faixa etária, cerca de 10% a 15% demandam internação hospitalar

Redação ND Florianópolis

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A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) alertou, por meio do boletim semanal Infogripe, o reaparecimento de vírus respiratórios, sendo que a maior preocupação é o crescimento de casos em crianças até nove anos.

Cerca de 15% dos casos em crianças resultam em internação – Foto: Julio Cavalheiro/SecomCerca de 15% dos casos em crianças resultam em internação – Foto: Julio Cavalheiro/Secom

Assim como a Covid-19, os vírus também têm gerado quadros de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave). O alerta é para o Bocavírus e para as Parainfluenza 3 e 4, além do VSR (Vírus Sincicial Respiratório) e do Rinovírus, que já vinham sendo registrados desde o início do ano.

De acordo com o boletim da Fiocruz, com dados inseridos até a segunda-feira passada (18), os casos semanais de SRAG se estabilizaram em um patamar elevado, entre 1 mil e 1,2 mil entre crianças de até nove anos, próximos ao que se registrou no pico de julho de 2020.

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“A análise verificou que nessa faixa etária houve aumento significativo de registros de VSR, com valores semanais superiores aos observados para Sars-CoV-2 [coronavírus responsável pela covid-19]”, diz a Fiocruz.

O VSR é uma das principais causas de infecções das vias respiratórias e pulmões em recém-nascidos. Ele é responsável por 75% das bronquiolites e 40% das pneumonias em crianças até 2 anos de idade.

Nessa faixa etária, cerca de 10% a 15% dos casos demandam internação hospitalar. Em adultos cardiopatas ou com problemas crônicos no pulmão, o VSR também pode gerar quadros que necessitam mais cuidados.

A SRAG é uma complicação respiratória associada muitas vezes ao agravamento de alguma infecção viral. O paciente pode apresentar desconforto respiratório e queda no nível de saturação de oxigênio, entre outros sintomas. As notificações em 2020 e 2021 aumentaram em decorrência da disseminação da covid-19.

Nas demais faixas etárias, o patamar atual dos casos de SRAG representa os menores valores desde o início da pandemia no país.

“Entre a população adulta (20 anos de idade ou mais), observa-se um predomínio praticamente absoluto de detecção de Sars-CoV-2 entre os casos de SRAG. No que se refere à crianças e adolescentes, o predomínio de SRAG se mantém na faixa de 10 a 19 anos de idade, porém com maior presença de casos positivos para o Rinovírus”, aponta o boletim.

No ano passado, foram reportados 39,4 mil casos de SRAG. Neste ano, já são 584.176, dos quais 54,8% tiveram resultado laboratorial indicando presença de algum vírus respiratório.

Entre as ocorrências com exame positivo para infecção viral, 97,7% estão relacionados com a Covid-19, 0,4% com o vírus influenza A, 0,4% com o VSR e 0,2% com o vírus influenza B. Mas quando analisados os casos que evoluíram à óbito, 99,3% estão vinculados ao novo coronavírus.

O levantamento traz uma análise para as próximas três semanas (curto prazo) e para as próximas seis semanas (longo prazo). Das 27 capitais, dez registram sinal moderado ou forte de crescimento na tendência de longo prazo:

-Alagoas;

-Amapá;

-Ceará;

-Espírito Santo;

-Pará;

-Piauí;

-Rio Grande do Norte;

-Rio Grande do Sul;

-Roraima;

-Sergipe.

Cenário em SC

Conforme o boletim da Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), atualizado na última terça-feira (26), 53.314 casos de SRAG foram ocasionados por vírus respiratórias, por exemplo, VSR, o Rinovírus, o Adenovírus, o Adenovírus, Parainfluenza 1, o Parainfluenza 2, o Parainfluenza 3, o Coronavírus 229E, o Coronavírus OC43,o Bocavírus, o Enterovírus e o Metapneumovírus.

O número representa 83% dos casos confirmados desde o dia 3 de janeiro até o último sábado (23).

Em comparação ao boletim com dados até 18 de setembro, houve um acréscimo de 2.856 entre os casos de SRAG  causados por esses vírus respiratórios.

Conforme o boletim da Fiocruz, Santa Catarina está entre as nove unidades federativas que registraram crescimento nos casos de SRAG nas últimas seis semanas.

Além disso, entre 18 de setembro e o último sábado (23), o Estado registrou  309 novos casos de SRAG em crianças até nove anos. No mesmo período, houve aumento de 3.312 casos, ou seja, os casos entre crianças representam apenas 9,32% do total registrado em pouco mais de um mês em Santa Catarina.

Veja os casos de SRAG por faixa etária

Entre as suspeitas de SRAG, a maioria, 56,8%, apresentou algum fator de risco para agravamento ressaltando os idosos (71,0%), com doença cardiovascular crônica (47,6%), diabetes mellitus (31,3%) e obesos (20,8%).

Ainda de acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Dive/SC, Santa Catarina registrou 14.652 mortes entre os mais de 64 mil casos de SRAG.

Entre eles, 13.868 foram ocasionados pelo coronavírus, ou seja, 94,7%. Outros 754 foram classificados como SRAG não especificada (resultado negativo para influenza A – H1N1 e H3N2 – influenza B e outros vírus respiratórios), duas mortes como SRAG ocasionada pelo VSR, um por Rinovírus e 11 por outro agente etiológico. Vale ressaltar que 16 óbitos seguem em investigação.

Em contato com a reportagem do ND+, a Dive/SC afirma que os casos que estão ocorrendo por outros vírus respiratórios estão “dentro do esperado”.

Já sobre os casos em crianças, o órgão afirma que um dos principais motivos de circulação é o retorno das atividades escolares nas últimas semanas.

“Além disso, dispomos de Rede Sentinela no Estado em 7 municípios que semanalmente enviam amostras ao Lacen com a finalidade de monitorar os vírus que estão circulando”, declara a Dive/SC, em nota.

*Com informações da Agência Brasil.

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