A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) alertou, por meio do boletim semanal Infogripe, o reaparecimento de vírus respiratórios, sendo que a maior preocupação é o crescimento de casos em crianças até nove anos.
Cerca de 15% dos casos em crianças resultam em internação – Foto: Julio Cavalheiro/SecomAssim como a Covid-19, os vírus também têm gerado quadros de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave). O alerta é para o Bocavírus e para as Parainfluenza 3 e 4, além do VSR (Vírus Sincicial Respiratório) e do Rinovírus, que já vinham sendo registrados desde o início do ano.
De acordo com o boletim da Fiocruz, com dados inseridos até a segunda-feira passada (18), os casos semanais de SRAG se estabilizaram em um patamar elevado, entre 1 mil e 1,2 mil entre crianças de até nove anos, próximos ao que se registrou no pico de julho de 2020.
Seguir“A análise verificou que nessa faixa etária houve aumento significativo de registros de VSR, com valores semanais superiores aos observados para Sars-CoV-2 [coronavírus responsável pela covid-19]”, diz a Fiocruz.
O VSR é uma das principais causas de infecções das vias respiratórias e pulmões em recém-nascidos. Ele é responsável por 75% das bronquiolites e 40% das pneumonias em crianças até 2 anos de idade.
Nessa faixa etária, cerca de 10% a 15% dos casos demandam internação hospitalar. Em adultos cardiopatas ou com problemas crônicos no pulmão, o VSR também pode gerar quadros que necessitam mais cuidados.
A SRAG é uma complicação respiratória associada muitas vezes ao agravamento de alguma infecção viral. O paciente pode apresentar desconforto respiratório e queda no nível de saturação de oxigênio, entre outros sintomas. As notificações em 2020 e 2021 aumentaram em decorrência da disseminação da covid-19.
Nas demais faixas etárias, o patamar atual dos casos de SRAG representa os menores valores desde o início da pandemia no país.
“Entre a população adulta (20 anos de idade ou mais), observa-se um predomínio praticamente absoluto de detecção de Sars-CoV-2 entre os casos de SRAG. No que se refere à crianças e adolescentes, o predomínio de SRAG se mantém na faixa de 10 a 19 anos de idade, porém com maior presença de casos positivos para o Rinovírus”, aponta o boletim.
No ano passado, foram reportados 39,4 mil casos de SRAG. Neste ano, já são 584.176, dos quais 54,8% tiveram resultado laboratorial indicando presença de algum vírus respiratório.
Entre as ocorrências com exame positivo para infecção viral, 97,7% estão relacionados com a Covid-19, 0,4% com o vírus influenza A, 0,4% com o VSR e 0,2% com o vírus influenza B. Mas quando analisados os casos que evoluíram à óbito, 99,3% estão vinculados ao novo coronavírus.
O levantamento traz uma análise para as próximas três semanas (curto prazo) e para as próximas seis semanas (longo prazo). Das 27 capitais, dez registram sinal moderado ou forte de crescimento na tendência de longo prazo:
-Alagoas;
-Amapá;
-Ceará;
-Espírito Santo;
-Pará;
-Piauí;
-Rio Grande do Norte;
-Rio Grande do Sul;
-Roraima;
-Sergipe.
Cenário em SC
Conforme o boletim da Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), atualizado na última terça-feira (26), 53.314 casos de SRAG foram ocasionados por vírus respiratórias, por exemplo, VSR, o Rinovírus, o Adenovírus, o Adenovírus, Parainfluenza 1, o Parainfluenza 2, o Parainfluenza 3, o Coronavírus 229E, o Coronavírus OC43,o Bocavírus, o Enterovírus e o Metapneumovírus.
O número representa 83% dos casos confirmados desde o dia 3 de janeiro até o último sábado (23).
Em comparação ao boletim com dados até 18 de setembro, houve um acréscimo de 2.856 entre os casos de SRAG causados por esses vírus respiratórios.
Conforme o boletim da Fiocruz, Santa Catarina está entre as nove unidades federativas que registraram crescimento nos casos de SRAG nas últimas seis semanas.
Além disso, entre 18 de setembro e o último sábado (23), o Estado registrou 309 novos casos de SRAG em crianças até nove anos. No mesmo período, houve aumento de 3.312 casos, ou seja, os casos entre crianças representam apenas 9,32% do total registrado em pouco mais de um mês em Santa Catarina.
Veja os casos de SRAG por faixa etária
Entre as suspeitas de SRAG, a maioria, 56,8%, apresentou algum fator de risco para agravamento ressaltando os idosos (71,0%), com doença cardiovascular crônica (47,6%), diabetes mellitus (31,3%) e obesos (20,8%).
Ainda de acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Dive/SC, Santa Catarina registrou 14.652 mortes entre os mais de 64 mil casos de SRAG.
Entre eles, 13.868 foram ocasionados pelo coronavírus, ou seja, 94,7%. Outros 754 foram classificados como SRAG não especificada (resultado negativo para influenza A – H1N1 e H3N2 – influenza B e outros vírus respiratórios), duas mortes como SRAG ocasionada pelo VSR, um por Rinovírus e 11 por outro agente etiológico. Vale ressaltar que 16 óbitos seguem em investigação.
Em contato com a reportagem do ND+, a Dive/SC afirma que os casos que estão ocorrendo por outros vírus respiratórios estão “dentro do esperado”.
Já sobre os casos em crianças, o órgão afirma que um dos principais motivos de circulação é o retorno das atividades escolares nas últimas semanas.
“Além disso, dispomos de Rede Sentinela no Estado em 7 municípios que semanalmente enviam amostras ao Lacen com a finalidade de monitorar os vírus que estão circulando”, declara a Dive/SC, em nota.
*Com informações da Agência Brasil.