O prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, destacou na última quinta-feira (8), uma melhoria nos índices relacionados à Covid-19 em Santa Catarina, mas alertou que os cuidados contra a doença devem permanecer. Um estudo, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) reforça as evidências quanto a eficácia dos diferentes tipos de máscaras utilizados pela população mundial no combate da transmissão do novo coronavírus.
“Lutamos há praticamente um ano e quatro meses para combater a pandemia e agora estamos vencendo essa guerra. Mas precisamos de um esforço nesta reta final, que todos continuem tomando os cuidados necessários, usando máscara, álcool gel, mantendo o distanciamento social. Ainda é alta a circulação do vírus, portanto, devemos ficar alertas e manter a prevenção”, destacou Loureiro.
Médicos também reforçam para a importância da imunização no combate ao vírus – Foto: Freepik/Reprodução/NDAnálises feitas pela Fiocruz com os itens de proteção usados por pessoas infectadas identificaram a presença do patógeno apenas na parte interna da máscara, sugerindo bloqueio da transmissão.
Seguir“Analisamos máscaras usadas pelos pacientes por duas a três horas, nas condições da vida real. Em todos os casos, a camada externa foi negativa para o Sars-CoV-2, indicando bloqueio da passagem do vírus”, enfatiza o doutorando do Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e primeiro autor do artigo, Vinicius Mello.
O resultado foi verificado tanto nas máscaras cirúrgicas como nos modelos de pano com duas ou três camadas. Considerando a importância do compartilhamento rápido de informações para o enfrentamento da pandemia, os achados foram publicados na plataforma de Pré-Print Medrxiv.
Desde o último ano, as máscaras de pano vêm sendo recomendadas para a população em geral pelas autoridades sanitárias como forma de proteção contra a Covid-19. Recentemente, alguns países europeus modificaram suas orientações e passaram a indicar ou exigir o uso de máscaras cirúrgicas ou do modelo PFF2.
Para os autores da pesquisa, a análise de máscaras usadas na ‘vida real’ complementa os dados obtidos com testes em laboratório e os estudos epidemiológicos previamente realizados, sustentando a relevância dos diferentes tipos de máscaras.
“Esse resultado reforça a importância do uso da máscara. Seja cirúrgica ou de pano, ela vai contribuir para impedir que uma pessoa infectada contamine outras pessoas ou o ambiente”, salientam a chefe do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do IOC e uma das coordenadoras da pesquisa, Elba Lemos.
Os testes
Ao todo, a pesquisa analisou 45 máscaras, usadas por 28 pacientes com infecção confirmada pelo coronavírus. Entre as análises, 30 máscaras eram compostas de tecido, com duas ou três camadas, e 15 eram cirúrgicas.
Os pesquisadores recortaram fragmentos próximos do nariz e da boca, assim como das laterais da máscara, separando a camada interna e externa, que posteriormente foram mergulhados em uma solução processada para a detecção do vírus, de forma semelhante ao procedimento de diagnóstico da Covid-19.
A carga viral encontrada foi comparada ainda com a detectada em amostras da nasofaringe dos pacientes, obtidas com a introdução de um cotonete especial no nariz, chamado de swab.
Os testes apontaram a presença do vírus apenas na camada interna das máscaras, com carga viral reduzida em relação à identificada na nasofaringe. Segundo os cientistas, essa redução era um resultado esperado, uma vez que o swab recolhe a amostra no fundo do nariz, enquanto as máscaras acumulam as partículas virais eliminadas pelo paciente, que sofrem degradação natural após serem depositadas no tecido quando expiradas.
“Diversos dados indicam que a presença de múltiplas camadas na máscara é um fator importante para a proteção, assim como a porosidade do tecido, que não pode ser excessiva”, pontua a analista da Central Analítica Covid-19 do IOC e uma das autoras do estudo, Andreza Salvio.
“Além disso, é fundamental perceber que a máscara é só uma entre diversas medidas que devem ser adotadas para conter a disseminação da Covid-19, ao lado, por exemplo, do distanciamento social e da vacinação”, acrescenta a doutora em Biologia Parasitária pelo IOC.