O passaporte da vacinação já é uma realidade em diversos municípios brasileiros, inclusive em cidades de Santa Catarina. Mas há quem pense que o documento só é eficaz para entrada em eventos, comércios e lugares fechados.
O novo boletim do Observatório da Covid-19 da FioCruz, divulgado nessa sexta-feira (29), alerta sobre a importância da comprovação da imunização de trabalhadores e empregados em ambientes de trabalho.
Fiocruz destaca importância do passaporte da vacinação em ambientes de trabalho – Foto: Carlos Jr/NDO documento destaca que empregadores e trabalhadores avancem de forma conjunta em campanhas, estimulando e induzindo a adoção do passaporte de vacinas nos diversos ambientes de trabalho.
Seguir“É preciso destacar os benefícios de proteção coletiva não só para os trabalhadores, mas para suas famílias, crianças, colegas de trabalho e a comunidade”, acrescenta o texto.
“É especialmente importante que se complete o esquema vacinal com duas doses ou dose única, dependendo do imunizante, incluindo a dose de reforço quando houver indicação, para que possamos alcançar um patamar de maior segurança, com pelo menos 80% da população protegida”, afirmam os cientistas.
Conforme o boletim, é justificável a restrição da circulação de pessoas não vacinadas nos espaços de trabalho, assim como escolas, companhias de transporte, estabelecimentos culturais e comerciais.
A Fiocruz argumenta que, considerando experiências internacionais, a vacinação em massa deve ser associada à implementação do passaporte vacinal e medidas como o uso de máscaras em locais fechados e abertos com aglomeração, distanciamento físico e higiene constante das mãos.
“Não podemos deixar de assinalar que cabe a empregadores, gestores de escolas, empresas de transporte e estabelecimentos culturais e comerciais, cuidados no sentido de garantir as melhores condições ambientais desses espaços, com adequações para a instalação de filtros e melhor circulação do ar”, afirmam.
O boletim alerta que o relaxamento das medidas de distanciamento físico tem aumentado a concentração de pessoas em ambientes fechados e preveem que essa circulação deva crescer ainda mais nos meses de novembro e dezembro, com as festas de fim de ano.
Orientação para empresas e trabalhadores
O Boletim do Observatório da Covid-19 da Fiocruz reafirma que as instituições e empresas devem contribuir para a promoção de ambientes que promovam a confiança nas vacinas e a responsabilidade coletiva.
O texto sugere que empresas invistam em campanhas e estratégias de incentivo à vacinação entre seus funcionários, esclarecendo as dúvidas e divulgando informações de confiança.
Entre as estratégias possíveis está um plano de comunicação, com o compartilhamento de mensagens curtas e diretas, por meio de pôsteres em locais específicos, e-mails e outros canais de grande difusão.
“É importante sempre enfatizar os benefícios de proteger a si mesmo, suas famílias, crianças, colegas de trabalho e a comunidade. Os conteúdos devem abordar a importância da vacinação contra a Covid-19, bem como os locais e os meios de acesso para se obter a vacina”, enfatiza o texto.
“É fundamental ainda incentivar a vacinação junto a todos os trabalhadores, independentemente de sua condição de contrato oferecendo alternativas para facilitar sua ida aos postos de vacinação”, continua.
“Atenção especial deve ser dada às gestantes, que precisam ser mais protegidas de quaisquer exposições ao vírus e ser orientadas a completar seu esquema vacinal”, acrescenta o Observatório.
Setores com mais morte
O documento afirma que embora qualquer pessoa esteja potencialmente exposta ao contágio por doenças infecciosas, cerca de 20% dos trabalhadores brasileiros têm ocupações que os expõem a um maior risco de doenças como a Covid-19.
De acordo com um relatório da Lagom Insights, que utilizou dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), os 15 setores que mais registraram desligamento por morte em 2019 e 2020 foram:
- Transporte rodoviário de carga;
- Condomínios prediais;
- Comércio varejista e mercadorias em geral;
- Construção de edifícios;
- Limpeza em prédios e em edifícios;
- Atividades de atendimento hospitalar;
- Administração pública em geral;
- Restaurantes e similares;
- Atividade de vigilância e segurança privada;
- Transporte rodoviário coletivo de passageiros;
- Criação de bovinos para corte;
- Fabricação de açúcar em bruto;
- Comércio varejista de combustíveis para veículos automotores;
- Atividades de associação de defesa de direitos sociais;
- Lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares.
“Ao estimular e facilitar a vacinação de seus trabalhadores, as instituições e empresas (pequenas, médias e grandes) assumem a responsabilidade social de promover o retorno mais seguro às suas atividades presenciais”, ressalta o boletim.
*Com informações da Agência Brasil.