Nos últimos anos as internações hospitalares de crianças e adolescentes para tratamento de doenças mentais aumentaram consideravelmente. Só entre 2009 e 2018 o crescimento foi de 29% sendo, em todo país, mais de 18 mil casos na faixa etária dos 10 aos 19 anos.
Na Capital, o Hospital Infantil Joana de Gusmão foi autorizado em 2012 a construir uma ala psiquiátrica, mas até o momento o espaço não entrou em funcionamento – Foto: Daniel Queiroz/Arquivo/NDEm Santa Catarina no mesmo ano foram 285 internações. Num momento de crise, quando a pessoa pode colocar sua vida em risco ou a de outras pessoas, a internação psiquiátrica é o tratamento mais recomendado.
A psiquiatra infantil Deisy Mendes Porto explicou que “o tratamento especializado num espaço que seja especializado para criança e adolescente que vai acolher essa família, não só a criança. É extremamente importante para esse atendimento na área de psiquiatria e psicologia”.
O tratamento da saúde mental envolve uma equipe multidisciplinar e para isso precisa de um espaço adequado, ainda mais quando se trata de crianças e adolescentes. Espaço este que hoje só existe em Joinville onde o Hospital Infantil Doutor Jeser Amarante Faria disponibiliza 14 leitos.
Na Capital, o Hospital Infantil Joana de Gusmão foi autorizado em 2012 a construir uma ala psiquiátrica, mas até o momento o espaço não entrou em funcionamento. O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) chegou a entrar com uma ação cobrando providências.
Segundo o promotor de Justiça, Sandro Ricardo Souza, há “uma ação civil pública ajuizada em 2018, ela foi julgada já no início de 2019. O MP já ajuizou uma ação de execução dessa sentença e desde então a gente vem acompanhando a movimentação da Secretaria de Saúde tocante a implementação desses leitos psiquiátricos no Hospital Infantil”. Quem trabalha com crianças e adolescentes espera ansioso pela abertura do espaço, pois a demanda por internação é cada dia maior. Atualmente, são cerca de 20 pacientes na fila de espera.
“Ter um tratamento adequado, prevenir o risco de uma morte muito precoce, prevenir o agravamento e também a cronificação de uma esquizofrenia, de transtornos mais graves. Anorexia também às vezes são casos que precisam de uma internação hospitalar. Então, a gente salva uma vida e muda todo o desfecho se esse tratamento é instituído logo e adequadamente”, explicou a conselheira tutelar, Daiane Correa.
Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado informou que o Hospital Infantil Joana de Gusmão está atendendo os pacientes no ambulatório psiquiátrico, assim como os casos de emergência que chegam na unidade. Atualmente, há uma média diária de oito pacientes infanto-juvenis psiquiátricos internados na unidade. E ressaltou que o processo para reforma da ala de internação está na última fase antes de ser publicado o edital de licitação da obra.
“O prazo era 2020, segundo a determinação judicial, porém a pandemia atrasou um pouco esse processo. Mas já tem licitação em andamento e acredita-se que em breve esses leitos estejam implementados”, disse o promotor.
O IPQ reformou uma ala que estava desativada para abrigar dez leitos para adolescentes – Foto: Divulgação/NDOs leitos do Hospital Infantil seriam para atender pacientes com até 15 anos. Depois dessa idade, há uma outra lacuna a ser preenchida: leitos para pacientes até 19 anos. Situação que deve mudar no início do próximo ano. O IPQ (Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina) reformou uma ala que estava desativada para abrigar dez leitos para adolescentes.
O diretor do instituto, Henrique Marques Fogaça, explicou que está “na fase de finalização do fluxo de atendimento, como esses adolescentes vão chegar até aqui da sua cidade de origem. A gente tá organizando também a implementação da equipe de recursos humanos, dos vários tipos de profissionais envolvidos. A gente tá organizando essa contratação junto a Secretaria de Estado da Saúde e também trabalhando em parceria com o Hospital Infantil Joana de Gusmão, que vai dividir um pouco desse trabalho conosco no sentido de faixa etária”.
Além dos dormitórios para meninos e meninas, há enfermaria, salas para atividades coletivas, consultórios e uma área de convivência.
“Quando esse adolescente precisa de uma internação hospitalar, habitualmente a gente tá vendo doenças do tipo esquizofrenia, transtorno de humor, transtorno bipolar e depressão grave. Alguns transtornos de conduta também, que são problemas de comportamento que geram bastante dificuldade no convívio interpessoal tanto em casa quanto na escola, na vizinhança”, afirmou Fogaça.
Para atender os adolescentes, a unidade está em fase de contratação dos profissionais que irão formar a equipe multidisciplinar de atendimento. Inaugurada em 1941, a antiga Colônia Sant’ana, hoje IPQ, é uma das unidades hospitalares mais antigas do estado e referência em psiquiatria. Pela instituição já passaram mais de 80 mil pacientes hospitalizados.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.