Florianópolis prevê data para volta à normalidade após Covid-19; confira

Secretário municipal de Saúde, Carlos Alberto Justo da Silva, avalia situação da pandemia na Capital e vê quadro que ainda "inspira cuidados"

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Ian Sell Florianópolis

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“Animador, porém, ainda inspira cuidados”. Assim definiu o secretário municipal de Saúde de Florianópolis, Carlos Alberto Justo da Silva, sobre o momento da pandemia na Capital. O município vem avançando na vacinação contra a Covid-19 e, até esta sexta-feira (2), estava vacinando adultos acima de 44 anos.

Situação em Florianópolis ainda inspira cuidados, segundo secretário de Saúde – Foto: Leo Munhoz/NDSituação em Florianópolis ainda inspira cuidados, segundo secretário de Saúde – Foto: Leo Munhoz/ND

Segundo a última atualização do vacinômetro, às 12h desta sexta, 75.287 pessoas já haviam recebido as duas doses do imunizante. O número representa 14,80% da população total da cidade e 17,62% da cobertura da população acima de 18 anos.

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“A situação é animadora quanto a velocidade da vacinação, mas ainda é necessário cuidado. Nós continuamos com o RT [taxa de contágio] acima de um [o que significa que uma pessoa com a Covid-19 passa para mais de uma pessoa, em média]. Quando tivermos em torno de 0,6 ou 0,8 aí sim poderemos ter um pouco mais de tranquilidade. O número de pessoas ativamente com a doença também chama atenção”, avalia o secretário.

Carlos Alberto Justo da Silva, secretário de Saúde de Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/NDCarlos Alberto Justo da Silva, secretário de Saúde de Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/ND

“Em compensação, temos a diminuição da taxa de ocupação de leitos de UTI (Unidade de terapia intensiva) na Grande Florianópolis que hoje é de 76,39%, além do avanço da vacinação que vem em um ritmo muito bom”, completa.

O secretário ainda chama atenção para a manutenção dos cuidados sanitários até que pelo menos 75% da população esteja totalmente imunizada, para que a vida volte, relativamente, ao “normal”.

A previsão do governo de Santa Catarina é que toda a população adulta receba ao menos uma dose da vacina até o fim de agosto.

Com isso, até o fim de novembro, todos receberiam a segunda dose, quando necessário.

Na visão do secretário, em dezembro, a tendência é que haja redução de casos e a volta, aos poucos, da normalidade no cotidiano das pessoas.

“É importante ressaltar que o objetivo é vacinar ao menos 75% de cada faixa etária. Não adianta ir abaixando a idade de quem pode receber o imunizante e dar uma ‘falsa sensação’ de que o ritmo está acelerado se a taxa de cobertura não for grande. A população precisa ir se vacinar como vem acontecendo aqui [Florianópolis]”, alerta.

Cobertura vacinal por faixa etária em Florianópolis mostra a situação nos diferentes grupos prioritários e faixas etárias  – Foto: Reprodução/VacinômetroCobertura vacinal por faixa etária em Florianópolis mostra a situação nos diferentes grupos prioritários e faixas etárias  – Foto: Reprodução/Vacinômetro

Além disso, ele lembra que são necessários 28 dias após a aplicação da segunda dose para que a pessoa esteja completamente imunizada.

Segunda dose

Questionado se a prefeitura deve diminuir a faixa etária apta para receber o imunizante nos próximos dias, o médico adiantou que a cidade deve realizar a vacinação da segunda dose para pessoas que foram imunizadas com a Astrazeneca.

Com isso, a porcentagem de pessoas totalmente imunizadas crescerá exponencialmente. “Hoje começa o prazo dos três meses das primeiras doses aplicadas [Astrazeneca]”, explica.

“Amanhã estarão chegando mais vacinas, talvez até amanhã podemos, conforme for a busca, já diminuir a faixa etária. Hoje [sexta-feira], até meio-dia, tínhamos vacinados mais de 4 mil pessoas. Temos uma capacidade de fazer cerca de 10 mil vacinas por dia”, afirma o médico.

Segundo mais recente boletim divulgado pela Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), 68.011 pessoas que tomaram a primeira dose da vacina contra a Covid-19 não retornaram, no tempo adequado, para tomar a segunda dose no Estado.

De acordo com o secretário, Florianópolis vem sendo exemplo no quesito, com o sistema de saúde fazendo busca ativa por pessoas que não tomaram a segunda dose no período correto.

“Só não compareceram dentro do prazo 0,05% dos casos. Anteriormente havia 4% e fomos atrás. Entendemos que esses não encontrados eram pessoas de outras cidades, mas estamos investigando esses cadastros”, afirma.

Vacinação de adolescentes

Outro fato apontado pelo secretário como possível solução é, assim como em outros países, após a vacinação de adultos, iniciar a vacinação de crianças e adolescentes. O que, segundo ele, deve contribuir para atingir a marca dos 75% total da população.

“Deve iniciar imunizando de 16 a 18, crianças e adolescentes com comorbidades. Já tem vacina na Europa e nos Estados Unidos que estão sendo estudadas e tem mostrado bom desempenho. Pode ser até que haja antecipação desses jovens com comorbidades”, adianta o gestor.

Número “mágico” para imunidade de rebanho

Especialistas indicam que o chamado “número mágico” é a imunização de ao menos 70% da população com as duas doses da vacina contra a Covid-19.

Até esta sexta-feira (2), a primeira dose da vacina já havia sido aplicada em 2.663.820 pessoas no Estado ou 36,73% da população. E 837.131 tomaram as duas, o que equivale a 11,54% do Estado.

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