Entre 28 e 30 de novembro, Florianópolis sediará uma ação que oferece gratuitamente a reconstrução de aréola para mulheres que fizeram o procedimento de mastectomia contra câncer de mama. O procedimento é a tatuagem realista realizada pelo tatuador carioca Yurgan Barret.
O projeto, que se chama Y Rosa, existe desde 2017 em várias capitais do Brasil. O objetivo é devolver a autoestima e a confiança para mulheres que passaram pela cirurgia.
Tatuagem realista faz a reconstrução de parte da mama – Foto: Projeto Y Rosa/Divulgação/ND“No início, pensávamos que nós ajudávamos elas. Mas é o contrário: a cada mulher e família que atendemos no Y Rosa, aprendemos muito e recebemos muito amor!”, conta o tatuador.
SeguirA iniciativa também busca lembrar a importância do diagnóstico precoce e já foi premiada pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Na edição de 2022, o projeto acontece em parceria com o laboratório farmacêutico Exeltis.
“O trabalho feito por Yurgan é muito bonito porque às vezes a reconstrução da mama não fica boa. Então podemos trazer essa arte, fazer a simetria dela, ter sua aréola na mesma coloração e tamanho da outra mama”, pontuou Ricardo Bruno, Diretor Médico da Exeltis Brasil.
Em Florianópolis, as reconstruções vão ocorrer no Soul’s Beauty localizado na Tv. Harmonia, 1771, no Centro da Cidade. As inscrições podem ser feitas pelo site ou Instagram @yurgantattoo
Sobre a reconstrução mamária
O procedimento é indicado para todos os casos. A cirurgia pode ser imediata, quando iniciada no mesmo momento da mastectomia, ou tardia, realizada a qualquer tempo após o tratamento da doença.
“Obviamente, naquelas pacientes com o câncer em estado avançado, e naquelas com alguma doença que impeça um ato cirúrgico mais demorado, prioriza-se o tratamento da doença propriamente dito, ou seja a mastectomia”, explica Pedro Lapa, cirurgião plástico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
O tratamento, segundo o médico, é considerado multidisciplinar e envolve profissionais de várias áreas para ajudar a devolver a autoestima das pacientes.
“A própria doença em si com o seu espectro de possível ameaça à vida e os possíveis sofrimentos físicos já é terrível. A realidade palpável de tudo isso gera um grande desequilíbrio emocional, depressão, angústia, e até separação de casais”, conta o médico.
Leis garantem o procedimento
O Brasil tem quatro leis que tratam da reconstrução mamária. Uma delas, a Lei 9.797/99 garante às mulheres que sofrerem mutilação total ou parcial de mama decorrente de tratamento de câncer, o direito à cirurgia plástica reconstrutiva no SUS.
Já a Lei 10.223/01 garante o pagamento de cirurgia plástica reparadora pelos planos privados de saúde. A Lei 12.802/13, por sua vez, determina que, quando existirem condições técnicas, a reconstrução será efetuada no mesmo tempo cirúrgico da retirada da mama.
A Lei 13.770/18, por fim, explicita que os procedimentos para obter a simetria das mamas e para a reconstrução do complexo aréolo-mamilar integram a cirurgia plástica reconstrutiva.
“Os meios aos quais as pacientes podem recorrer seria através das ouvidorias dos hospitais públicos e dos planos de assistência de saúde. Como último recurso, o Ministério Público poderá ser acionado”, complementa o médico.