Florianópolis tem a maior taxa de morte por câncer de colo de útero da região Sul, segundo dados da Vigilância Epidemiológica da cidade. De acordo com um estudo da pasta publicado no último dia 24, nos últimos 5 anos, o câncer de colo de útero ocupa o 5º lugar em mortalidade por câncer entre as mulheres, com 7,5 óbitos para cada 100 mil mulheres em 2023.
Florianópolis tem a maior taxa de mortalidade por câncer de colo de útero da região Sul – Foto: Reprodução/CDC/NDSegundo a pasta, a infecção pelo vírus HPV ( papilomavírus humano) é a principal causa do câncer de colo do útero. E o órgão faz o alerta: a maioria das pessoas entra em contato com esse vírus em algum momento da vida.
Só para se ter uma ideia, existem mais de 100 tipos de HPV, dos quais pelo menos 14 são cancerígenos (também conhecidos como tipos de alto risco).
SeguirA Vigilância Epidemiológica explica ainda que o HPV-16 é responsável por metade dos casos de câncer de colo de útero, enquanto o HPV-18 é responsável por 10% dos casos.
A vacina contra o HPV ajudou a reduzir as taxas de novos casos, e, associada ao uso de preservativos e exames continuam sendo uma boa forma de prevenção combinada contra a doença, por exemplo.
Dados da doença
Somente em 2023, foram realizados 16.901 exames para detectar câncer de colo de útero em Florianópolis. A faixa etária mais frequente nos exames foi dos 30 aos 39 anos, seguida pelas mulheres dos 40 aos 49 anos.
As mulheres acima de 70 anos procuram menos por esse exame, pois já estão fora da faixa etária recomendada para o rastreamento. No total, 31 mulheres em Florianópolis foram diagnosticadas com câncer de colo de útero até o momento.
Região Sul
O relatório anual de 2022 do INCA (Instituto Nacional de Câncer) mostra que Santa Catarina é também o Estado da região sul com mais casos. Ao todo foram 880 diagnósticos no ano passado contra 790 no Paraná e 620 no Rio Grande do Sul.
Vacinação
Em 2006, o FDA (Food and Drug Administration) aprovou a primeira vacina do HPV (Gardasil – produzida pelo laboratório Merck). Ela protege contra 4 cepas (HPV – 6, -11,-16 e -18).
Em 2014, o FDA aprovou uma vacina contra 9 cepas (HPV 6,11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58) e neste mesmo ano, o Ministério da Saúde incluiu a vacina tetravalente no SUS (Sistema Único de Saúde).
A vacina, que antes era recomendada somente dos 9 anos até os 14 anos, a partir de agosto de 2023, passou a ser ampliada de 9 a 45 anos para vítimas de violência sexual e para pessoas com condições clínicas especiais (PVHIV [pessoas vivendo com HIV], transplantes de órgãos sólidos ou de medula óssea, pacientes oncológicos e para pessoas imunossuprimidas.
O esquema vacinal para pessoas de 9 a 14 anos é dividido em duas doses, com intervalo de 6 meses.
Vacina contra HPV foi ampliada em 2023 – Foto: Reprodução/CDC/NDJá para pessoas de 9 a 45 anos, vítimas de violência sexual, PVHIV, transplantados, pacientes oncológicos e imunossuprimidos é dividido em 3 doses.
A meta de cobertura vacinal das duas doses é de 80% para todo o país. Em Santa Catarina, a cobertura vacinal para meninas foi de 91,27% na primeira dose e 71,38% na segunda.
Enquanto nos meninos, a cobertura foi de 75,56% na primeira dose e 53,54% na segunda.6Quando observamos os dados de cobertura vacinal de Florianópolis, podemos ver que ainda estamos muito longe da meta nacional, é preciso reforçar a importância desta vacina para a população alvo.
Fatores de risco para câncer de colo de útero
Segundo a pasta, os fatores de risco são divididos em comportamentais e infecciosos. Dentre os fatores comportamentais estão: atividade sexual com múltiplos parceiros, início da vida sexual, relação sexual sem proteção, tabagismo, más condições de higiene, ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) e uso prolongado de anticoncepcionais por via oral.
Já para os agentes infecciosos, a infecção pelo vírus HPV é o principal fator de risco para desenvolvimento do câncer uterino.
Outra informação relevante do estudo é que a idade do início da vida sexual aumenta o risco do desenvolvimento do câncer. Sendo antes dos 18 anos, o risco duas vezes maior do que se a primeira relação sexual for feita com mais de 21 anos.
O número de parceiros também contribui, o risco dobra caso o número de parceiros seja dois ou mais.
Múltiplas gestações (mais de 4 partos vaginais) também é um fator de risco para infecção por HPV e/ou câncer.
Além disso, o tabagismo também é considerado um fator de risco, pois possui mais de 300 substâncias cancerígenas que destroem o DNA das células do colo do útero, podendo contribuir para a progressão do câncer, dobrando o risco da ocorrência quando comparado com os não fumantes.
Infecções sexualmente transmissíveis estão associadas com risco aumentado de infecção por HPV e indivíduos co-infectados com vírus HIV podem não conseguir controlar a infecção por HPV.