Florianópolis tem remédios de HIV entregues de graça na porta de casa

O delivery funciona de maneira sigilosa e recebe pedidos por WhatsApp

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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Florianópolis é a primeira cidade do Brasil a oferecer serviço de entrega de medicamentos de HIV pelo correio. A iniciativa leva os medicamentos até a porta de pessoas vivendo com HIV de maneira sigilosa e podem ser pedidos por WhatsApp.

Medicamento será entregue gratuitamente na casa de pessoas vivendo com HIV – Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil/NDMedicamento será entregue gratuitamente na casa de pessoas vivendo com HIV – Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil/ND

De acordo com a Secretaria de Saúde do Município, além da entrega em casa é possível escolher o endereço que a pessoa deseja receber o medicamento.

A GAPA (Grupo de Apoio à Prevenção da Aids) explicou ao ND+ que a iniciativa é importante, pois “muitas pessoas têm dificuldade de ir até os pontos de entrega”. Entre os motivos estão a vergonha, estigma e preconceito trazidos com a doença.

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Relato de um paciente

Marcelo Pacheco, que utiliza o medicamento e também faz parte da ONG RNP+/SC, explicou que está muito contente com a implantação. Segundo ele, a iniciativa é fruto de uma experiência no começo da pandemia.

Ele se refere ao período onde, com a suspensão do transporte público, ONGS e profissionais de saúde, articularam entregas nas casas de pessoas vivendo com HIV. A operação, segundo ele, durou cerca de um ano e meio.

Como solicitar

Para solicitar a entrega de medicamentos é preciso enviar mensagem para o WhatsApp (48) 99177- 2969. A partir disso a pessoa será orientada como proceder por um formulário sigiloso. Até mesmo um código de rastreamento da entrega é oferecido.

O serviço é somente para moradores de Florianópolis que vivem com HIV e desejam receber os seus medicamentos pelo correio.

Mensagens automáticas

Um dos médicos participantes das iniciativas no Município, o médico de família Ronaldo Zonta, explica que além da entrega Florianópolis lançou um serviço de envio de mensagens automáticas para os pacientes.

“As mensagens são enviadas a partir do cálculo de quantos comprimidos a pessoa ainda tem para o seu tratamento. Elas são enviadas para evitar que a pessoa interrompa o seu tratamento. As mensagens começam a ser enviadas 30 dias antes”, explica.

As mensagens são enviadas apenas para pessoas que aceitaram receber esse tipo de serviço durante o atendimento de tratamento contra a doença.

Mensagens serão enviadas para impedir que pacientes esqueçam do tratamento – Foto: Pixabay/Divulgação/NDMensagens serão enviadas para impedir que pacientes esqueçam do tratamento – Foto: Pixabay/Divulgação/ND

A iniciativa de entrega gratuita dos remédios é da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis, em parceria com o Projeto A Hora é Agora, da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP)/Fiocruz e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos da América (CDC), com recursos do Plano de Emergência do Presidente dos EUA para Alívio da Aids (PEPFAR) – https://www.ahoraeagora.org/ . O apoio também é feito pelas ONGS GAPA, Acontece Arte e Política LGBTI+.

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