Focos e casos de dengue disparam em Florianópolis; 98% contaminaram-se na própria cidade

No boletim divulgado em 18 de julho, Capital chegou a 5.028 focos do mosquito da dengue, crescimento de 287% em seis meses

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Uma semana tem 10.080 minutos e a Prefeitura de Florianópolis está pedindo apenas dez minutos da atenção de sua população para que a cidade possa reduzir os focos do mosquito Aedes aegypti e controlar os casos de dengue.

Para a bióloga Priscilla Tamioso, fator humano é um dos mais importantes para controlar a infestação de dengue – Foto: Divulgação/PMF/NDPara a bióloga Priscilla Tamioso, fator humano é um dos mais importantes para controlar a infestação de dengue – Foto: Divulgação/PMF/ND

O mais recente boletim, do dia 18 último, aponta que a Capital acumula 5.028 focos e 4.268 casos. Duas pessoas morreram neste ano e mais de 100 precisaram de internação.

Desde abril, pela primeira vez em sua história, o município está em situação de emergência em saúde pública e epidemia de dengue. Em seis meses, a quantidade de focos subiu 287%.

Do total de casos registrados, 98% são autóctones, isto é, a contaminação ocorreu na cidade. Apenas 2% vindo de fora, o que faz os agentes de saúde concluírem que o problema está aqui.

Além disso, a cada cinco criadouros, quatro estão em ambiente doméstico. Ou seja, todo morador de Florianópolis é responsável por adotar cuidados a fim de conter a proliferação dos focos.

Segundo a bióloga e coordenadora do Programa de Controle do Aedes aegypti de Florianópolis, Priscilla Regina Tamioso, o fator humano é um dos mais importantes no controle. “Se existem depósitos com acúmulo de água, existe a proliferação do mosquito”, afirma.

Toda semana, agentes da prefeitura realizam mutirões e ações nos bairros para orientar a população. Ainda assim, desde 2015 o município é considerado infestado pelo mosquito da dengue.

“Há sete anos, quando fazíamos as visitas domiciliares, identificávamos mosquito num ou outro criadouro no imóvel. Hoje, identificamos imóveis com seis criadouros. Então, a população realmente tem papel fundamental nesse controle”, destaca a bióloga.

O clima também favorece a alta de focos. Conforme Priscilla, períodos prolongados de calor e temperaturas mais elevadas, além dos períodos de chuva intercalados facilitam a eclosão dos ovos do mosquito. “Eles são colocados em ambientes secos, não diretamente na água, mas quando entram em contato com a água, eclodem”, explica ela.

Trabalho de formiguinha, de casa em casa

A Prefeitura de Florianópolis, por meio do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) e da Diretoria de Vigilância em Saúde, além dos boletins semanais com os dados, considera que um dos trabalhos mais importantes é a visita dos agentes de endemia, casa a casa, bairro a bairro.

“É bem importante que a população receba esse profissional, que orienta e identifica possíveis focos. É sempre um funcionário identificado. Divulgamos, nas redes oficiais da prefeitura, os contatos do CCZ para confirmar a ida do funcionário em caso de dúvida do morador”, ressalta Priscilla.

Outra ferramenta, implementada na semana passada, é um veículo de som que está fazendo publicidade sonora para divulgar dados e orientações de prevenção e controle da dengue.

O veículo está circulando pelos bairros, sobretudo onde a prefeitura vem fazendo mutirões. Recentemente, o trabalho foi encerrado no Monte Cristo. Agora, as equipes estão visitando o Centro.

Além dos mutirões, a prefeitura investiga denúncias. Hoje, por exemplo, a equipe estará nos bairros do Norte. Outro trabalho é monitorar pontos estratégicos, ou seja, locais com grande vulnerabilidade, a exemplo de borracharias, ferros-velhos e recicladoras. Revisitar imóveis com focos reincidentes de Aedes aegypti é mais uma ação contínua.

De casa em casa, agentes da prefeitura inspecionam possíveis focos do mosquito transmissor da dengue – Foto: Divulgação/PMF/NDDe casa em casa, agentes da prefeitura inspecionam possíveis focos do mosquito transmissor da dengue – Foto: Divulgação/PMF/ND

A prefeitura também tem equipes que fazem os chamados bloqueios de transmissão. “Recebemos os casos confirmados de dengue, zika ou chikungunya e trabalhamos num raio de 50 metros, a partir dos endereços fornecidos pelos pacientes para tentarmos identificar a proliferação do Aedes aegypti na área do paciente infectado”, explica Priscilla.

O CCZ também monitora armadilhas espalhadas em diferentes regiões. Além disso, estações disseminadoras de larvicida estão instaladas e em pleno funcionamento.

“Precisamos reforçar com a população que é importante a nossa dedicação contra o mosquito. Temos uma campanha em que pedimos apenas dez minutos da população na semana para eliminação de depósitos inservíveis, ou adequação de depósitos que acumulam água, por meio de vedação, tratamento ou uso de telas e mosquiteiras”, apela Priscilla Tamioso.

“O mosquito não escolhe quem vai picar, então, todos precisamos nos responsabilizar e só vamos fazer o controle efetivo quando todos forem protagonistas nos cuidados”, enfatiza.

Casos

  • 21 de fevereiro: 14
  • 28 de março: 131
  • 25 de abril: 660
  • 30 de maio: 2.598
  • 27 junho: 4.076
  • 18 julho: 4.268

Focos

  • 21 de fevereiro: 1.299
  • 28 de março: 2.573
  • 25 de abril: 3.890
  • 30 de maio: 4.548
  • 27 de junho: 4.842
  • 18 de julho: 5.028

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