FOTOS: Quatro anos depois, SC volta a registrar mortes por dengue e gera alerta para gestores

Este ano já foram registradas seis mortes por dengue em Santa Catarina, sendo cinco em Joinville e uma em Camboriú. Há quatro anos não havia registro de morte pela doença no Estado

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O crescente número de casos de dengue em Santa Catarina foi discutido pela Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa na manhã desta terça-feira (14) em audiência pública. O objetivo foi encaminhar questões para o enfrentamento dos casos de dengue na região norte de Santa Catarina e na Grande Florianópolis.

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    Reunião sobre dengue na Alesc - Solon Soares/Divulgação/ND
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    Deputado Vicente Caropreso em reunião sobre dengue na Alesc - Solon Soares/Divulgação/ND
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    Eduardo Macário em reunião sobre dengue na Alesc - Solon Soares/Divulgação/ND
    Eduardo Macário em reunião sobre dengue na Alesc - Solon Soares/Divulgação/ND
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    Jailson Lima em reunião sobre dengue na Alesc - Solon Soares/Divulgação/ND
    Jailson Lima em reunião sobre dengue na Alesc - Solon Soares/Divulgação/ND

Foram convidados representantes do governo do Estado, da área da saúde e da vigilância epidemiológica e secretários municipais de Saúde.

O Estado registra um recorde histórico de casos de dengue. Até o início de novembro, foram 18.948 casos confirmados da doença. No ano passado foram 11.376 casos confirmados.

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Este ano já foram registradas seis mortes por dengue em Santa Catarina, sendo cinco em Joinville e uma em Camboriú. Há quatro anos não havia registro de morte pela doença no Estado. Os últimos registros foram nos municípios de Chapecó (1) e Pinhalzinho (1), localizados na região Oeste, em 2016.

Conforme o deputado Vicente Caropreso (PSDB), que presidiu a reunião, o poder público acabou afrouxando as medidas de combate devido à pandemia de Covid e isso teria agravado a situação em relação aos surtos de dengue.

“Temos que discutir agora para que não sejamos surpreendidos nos próximos meses. Uma audiência não acaba com os problemas, mas precisamos discutir e levantar ideias. O verão é um período crítico em relação ao aumento de focos. Estamos cumprindo com o papel do parlamento em alertar e chamar atenção.” Vicente Caropreso, deputado estadual

O superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Eduardo Marques Macário, confirmou que a pandemia prejudicou o enfrentamento de outras doenças. “Até há pouco tempo tivemos poucos casos e hoje estamos com um cenário agravado. Os agentes de endemias locais acabaram diminuindo a carga de trabalho em função da pandemia”.

Mais informações

  • O diretor de vigilância epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde, João Augusto Fuck, apresentou a situação epidemiológica de todas as regiões e informou que 118 municípios teriam infestação, com destaque para a região Oeste, onde a doença estaria presente há mais tempo.
  • O presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) e secretário de Saúde de Tubarão, Daisson José Trevisol, usou a palavra para colocar a entidade à disposição do Estado e dos municípios no enfrentamento da dengue.
  • Coordenador institucional da Fecam, Rodrigo Fachini apresentou experiências exitosas no combate à dengue em Joinville, tomadas em anos anteriores, porém ressaltou o recente agravamento da situação com a incidência de cinco óbitos somente em 2021. “É um combate que precisa estar alinhado entre o poder público e a sociedade.”
  • O consultor de saúde da Fecam, Jailson Lima, disse que a audiência foi proposta devido à negligência do Estado no combate à dengue. “É preciso tomar uma melhor postura no combate. Faltam ações efetivas em parceria com os municípios. Será necessária uma postura contundente”.
  • Para o secretário de Saúde de Joinville, Jean Rodrigues da Silva, trata-se de um combate conjunto entre governo e sociedade. Relatou que em 2021 já teriam sido eliminados 10 mil focos. Também destacou parcerias com cidades do país que tiveram êxito no combate e citou Niterói (RJ) e Campo Grande (MS). “Fomos em busca de novas tecnologias, mas precisamos de mais parcerias com o estado e a União. Os mutirões vão continuar durante os próximos dias e meses para conter o avanço da curva de contágio.”
  • O secretário de Saúde de Chapecó, Luiz Carlos Balzan, elencou várias ações tomadas no município e destacou a criação da sala de situação e os mutirões para a coleta de lixo e entulhos. “Também reduzimos os focos em pneus com a implantação de Ecopontos e realizamos um trabalho de conscientização para cuidados com vasos colocados em cemitérios”.
  • A diretora de vigilância da Secretaria de Saúde de Blumenau, Jeckeline Maria Sartor, informou que no município atuam 75 agentes de endemias e que haveria mais de 2 mil focos. Ela disse que a aquisição de produtos químicos proporcionou consideráveis resultados. Segundo a dirigente, a retirada de pneus também seria uma ação constante e que os maiores problemas estariam nas residências, apesar das campanhas publicitárias de conscientização. Jeckeline criticou ainda a rotatividade expressiva dos agentes endêmicos que acabam abandonando a função devido aos baixos salários.
  • O secretário de Saúde de Florianópolis, Carlos Alberto Justo da Silva, alertou para o aumento anual vertiginoso do número de casos de dengue no país, agravado pelas condições climáticas favoráveis devido ao aumento das temperaturas. Informou que em Florianópolis há mais de 6 mil focos e um dos agravantes seria as casas de veraneio que ficam abandonadas durante o período de frio. “Novas parcerias e novas tecnologias de combate são fundamentais. Precisamos definir novas estratégias”.
  • A audiência pública ainda teve a participação da secretária de Saúde de Balneário Camboriú, Leila Crocomo, que elencou ações desenvolvidas naquele município.

Com reportagem de Vandro Welter, da Agência AL