Revolta e apelo por justiça. Este foi o tom do protesto pela morte de James Antônio Fucks, de apenas seis anos, no início da tarde deste domingo (18), em São Francisco do Sul, Norte do Estado.
Dezenas de moradores e familiares foram para frente do Hospital e Maternidade Municipal Nossa Senhora da Graça, onde o menino morreu, pedir por justiça.
A família acusa a instituição de negligência, uma vez que a criança foi levada por quatro dias seguidos ao hospital até que, na última vez, na tarde de sexta-feira (16), não resistiu e morreu.
James sofreu um acidente na escola: Ele estava com três amiguinhos em uma quadra de futebol correndo e bateu o peito em uma trave de futebol. Na queda, bateu a cabeça no chão. Foi para casa. Depois disso, começou a reclamar de dor no peito.
A família, então, procurou o pronto-socorro do hospital. Foram quatro vezes, quatro dias seguidos. O pai, inclusive, teria pedido para fazer uma ultrassom no menino, mas o médico teria dito que nada poderia fazer naquele momento e teria receitado ibuprofeno.
Por meio de nota, o hospital disse lamentar a morte da criança e ressaltou que o caso será investigado.
“A cadeia de eventos que levou a esse lamentável desfecho será acompanhada e analisada até que se tenha pleno conhecimento de todos os fatos”, disse a nota. A prefeitura de São Francisco do Sul também se manifestou e afirmou que está prestando atendimento à família e apurando o caso.
Revolta e pedido de Justiça
“Não fizeram nenhum exame no hospital. Quatro vezes e não fizeram nada”, desabafa vó materna Ivanilda Palhano, presente no protesto.
Chorando, ela repetia: “Isso não pode acontecer. Quero justiça pelo meu neto. Justiça.”
“Ele era muito querido, um anjo, todos gostavam dele, na escola, na família, todos. Ele foi embora. Não acredito. Quero justiça!”
Simone Paiva, tia do menino, também estava inconformada pelo que aconteceu. “Foi com o meu sobrinho, mas poderia ter sido com qualquer família. Queremos justiça.”
A moradora de São Francisco do Sul, Helciane Rocha, fez questão de ir para frente do hospital protestar pela morte da criança.
O objetivo é pedir justiça, uma explicação das autoridades do que aconteceu com James. Cada vez que a gente precisa do hospital em São Francisco é isso. A família veio quatro vezes e mandaram para casa. É impossível uma criança vir para o hospital após bater a cabeça, o médico ver que a criança não está bem e mandar embora”, revolta-se Helciane.
“Uma mãe perdendo um filho, nós todas perdemos um pouco. Nos colocamos no
lugar da mãe de James.”
Helciane criticou o Hospital e Maternidade Municipal Nossa Senhora da Graça e disse que não é a primeira vez que há falhas no atendimento.
Ela contou que há duas semanas precisou do pronto-socorro, pois seu filho estava com febre. Foi orientada a aguardar até 10h30, pois não tinha pediatra na unidade. Quando chegou o horário, ela foi até a recepcionista, que lhe disse para procurar a unidade do Sandra Regina. Não resolveu e teve de procurar uma clínica particular. “E quem não consegue pagar?” questiona.
James foi velado na tarde de sábado (17) na Capela Municipal do Acaraí e sepultado neste domingo (18) no cemitério do mesmo bairro sob forte comoção.
Sob efeito de medicamentos, os pais não compareceram no protesto.
CONFIRA AS FOTOS DO PROTESTO:
*Com imagens e informações de Dani Lando, da NDTV Record Joinville.