Funcionários denunciam surto de Covid-19 e testagem inapropriada em UPA de Florianópolis

Denúncia foi encaminhada ao Coren (Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina) e prefeitura da Capital nega

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Yasmin Mior Florianópolis

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Funcionários da UPA Sul de Florianópolis, localizada no bairro Rio Tavares, denunciaram surto de Covid-19 entre os trabalhadores. Além disso, afirmam que a unidade está testando casos de coronavírus no mesmo ambiente em que os profissionais manuseiam medicamentos para pacientes sem síndromes respiratórias.

UPA do Rio Tavares, em Florianópolis, com filas de espera para atendimento – Foto: Leo Munhoz/NDUPA do Rio Tavares, em Florianópolis, com filas de espera para atendimento – Foto: Leo Munhoz/ND

Os funcionários fizeram uma denúncia formal ao Coren (Conselho Regional de Enfermagem de Santa Catarina), que confirmou o recebimento, mas destacou que a responsabilidade é da Vigilância Sanitária de Florianópolis. A prefeitura, por sua vez, que não há problema na Unidade.

Desfalques e filas

A reportagem do ND+ conversou com uma funcionária da UPA, que pediu para não ser identificada. Ela relatou 11 profissionais testaram positivo para a Covid-19 e precisaram ser afastados. Ainda há outros dois que estão com sintomas mas continuam trabalhando, sem testagem até o fechamento da reportagem.

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Os desfalques e a alta procura após o aumento de casos de síndromes respiratórias em Florianópolis levam a uma demora de até 7 horas para atendimento na unidade, como mostrou a reportagem do ND+ nesta quarta-feira (5).

Espera na UPA Sul faz com que pacientes deitem no gramado enquanto esperam por atendimento – Foto: Leo Munhoz/NDEspera na UPA Sul faz com que pacientes deitem no gramado enquanto esperam por atendimento – Foto: Leo Munhoz/ND

Testagem de Covid-19 em local inapropriado

A denúncia detalha que a unidade não possui espaço adequado para a testagem PCR de pacientes com sintomas de Covid-19. O local é “separado” do restante da sala por um biombo, que não isola todo o espaço. É neste mesmo local que é realizada a preparação de medicamentos para outros pacientes e trânsito de macas de pessoas levadas pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

Segundo a funcionária ouvida pelo ND+, a determinação para realizar os testes na sala veio da coordenação da unidade de saúde. Ela conta que os coordenadores informaram que a insatisfação foi repassada, mas prefeitura e SES (Secretaria de Estado da Saúde) orientaram a manter o protocolo.

A reportagem entrou em contato com a coordenação da UPA, mas o responsável informou que apenas a prefeitura poderia repassar informações.

Por meio da assessoria, a Vigilância Sanitária de Florianópolis disse que “os medicamentos que precisam de diluição, como os administrados nas UPAs, são sempre pela prática clínica adequada, higienizados antes do preparo com álcool 70%. Assim sendo, o risco quanto à contaminação da medicação diluída no ambiente é praticamente inexistente”.

A SES, por sua vez, negou que orientou a coordenação da UPA a manter a testagem no local. Em nota, a Pasta informou que a equipe médica da UPA está mantida, mesmo com os desfalques. Foi apenas em alguns plantões, de acordo com o órgão, que houve prejuízos na equipe de enfermagem. “Estamos recompondo com uma nova chamada de RH e acionamento de sobreaviso quando necessário”, finalizou.

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