Gabi Brandt é questionada se está com HIV por estar ‘muito magra’ e rebate seguidor

Infectologista considera "preconceituoso" associar HIV à magreza e alerta para testagens frequentes para um diagnóstico e tratamento adequado

Kassia Salles Itajaí

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A influenciadora digital Gabi Brandt rebateu um seguidor que questionou se ela estava com HIV, por “estar muito magra”. Pelo Instagram, ela abriu uma “caixinha de perguntas” para responder aos seguidores, mas se deparou com uma mensagem “preconceituosa”, como avalia o infectologista Martoni Moura e Silva, ouvido pelo ND+.

Gabi Brandt rebateu seguidor que questionou se ela estava com HIV – Foto: Reprodução/InternetGabi Brandt rebateu seguidor que questionou se ela estava com HIV – Foto: Reprodução/Internet

Brandt contou na rede social que enfrentou diversas mudanças no corpo após dar à luz a dois filhos, a separação com Saulo Poncio, e que perdeu peso após começar a trabalhar com internet, mas garante que come bem e que está com a saúde em dia.

“Já tive 67 kg e hoje eu tenho 50 kg. Emagreci 17 kg desde que comecei a trabalhar com internet. Não tenho nenhum tipo de doença, minha saúde está ótima. Como de tudo e me alimento muito bem”, afirmou.

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Gabi respondeu a pergunta na rede social – Foto: Reprodução/InternetGabi respondeu a pergunta na rede social – Foto: Reprodução/Internet

Infectologista considera pergunta reflexo do preconceito e estereótipos

Ao ND+, o infectologista Martoni Moura e Silva comentou que, declarações como a do seguidor de Brandt a respeito do corpo dela refletem um preconceito e um estereótipo que está no imaginário, sobre pessoas que vivem com HIV.

“Eu vejo como muito desconhecimento de causa alguém que chega assim e pergunta para alguém se está magra por que está com HIV. Isso chega a ser muito preconceituoso e estereotipado, você associa o HIV a magreza, isso é algo do passado”, afirma.

Segundo Moura e Silva, a política pública em relação ao HIV é a de testagem precoce, em especial para pessoas com comportamento de risco – profissionais do sexo, pessoas que possuem múltiplos parceiros e não usam preservativo, são incentivadas a se testarem de duas a três vezes no ano, ou até mais.

Isso, segundo o infectologista, evita que o HIV evolua para a AIDS, doença mais avançada e que deixa a pessoa mais debilitada. “Antigamente as terapias tinham muitos efeitos adversos, como a lipodistrofia (uma distribuição anormal de gordura pelo corpo). As pessoas ficavam muitas vezes com o corpo deformado e o rosto muito magro”, relembra.

“Já hoje em dia a gente tem mais pacientes com diagnóstico precoce, instituindo um tratamento sem tantos efeitos adversos, ou seja, a gente pega um paciente com o estado imunológico bom, sem risco de doenças associadas ao HIV, como o linfoma, que consome bastante o paciente, e aí se tem um perfil de paciente muito mais saudável, que mantém sua vida e círculo social normalmente”.

Pessoas muito magras por decorrência da infecção já não é uma cena comum, como chegou a ser no início da epidemia. “Só vai ter esse perfil aquele paciente que rejeita a terapia, que por diversos motivos decidem não se tratar. Aí sim, sofrem com emagrecimento, doenças oportunistas, até mesmo com câncer, e têm um risco maior de morte”, afirma.

O infectologista ainda reforça que é possível ficar com o vírus indetectável. Com tratamento, a pessoa pode, inclusive, não usar preservativo e não transmitir por via sexual. No entanto, a pessoa fica aberta a outras doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis.

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