O Ministério da Saúde deve rejeitar a recomendação feita pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para que o governo federal crie uma política pública para a distribuição de autotestes de Covid-19 no país de maneira gratuita.
Segundo entrevista do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, nesta segunda-feira (10), incumbir o poder público dessa função acarretaria um custo desnecessário, pois seria difícil rastrear o resultado de cada um dos testes com o objetivo de saber o cenário epidemiológico da pandemia da Covid-19 no país. As informações são do R7.
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga – Foto: Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil“Se já é complexo ter a testagem realizada pelo profissional de saúde na ponta da linha, na atenção primária, imagina em um país com 210 milhões de pessoas. Vamos ter a rastreabilidade devida? Sem ter essas respostas em relação à efetividade da política e ao custo-efetividade, essa promessa de ter essa política pode não ter o resultado que desejamos”, frisou o ministro.
SeguirQueiroga comentou ainda que o ministério não vai se opor à venda dos testes em farmácias e drogarias. “Os que quiserem adquirir na farmácia, não há problema. É muito possível que o Ministério da Saúde sinalize positivamente e a sociedade possa ter acesso aos testes. Mas como política pública, não. Pois não vamos ter esses dados de rastreabilidade. Do ponto de vista de funcionalidade, são coisas diferentes”, acrescentou.
Vontade dos brasileiros
O argumento do ministro foi reforçado pela secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo. Ela acrescentou que o Ministério da Saúde dependeria da vontade de cada um dos brasileiros que se testaram de procurar o serviço público de saúde no seu município para apresentar o resultado do exame.
“O governo teria que ter não apenas esse compromisso da rastreabilidade, mas o nosso sistema de vigilância teria que acompanhar. Eu acho que a maioria dos brasileiros são responsáveis, mas estamos com dois anos de pandemia, e as coisas começam a complicar. Um dos fatores que interferiram na segunda dose [da vacinação] foi a taxa da população ativa que não queria deixar o trabalho para fazer a vacinação”, lembrou.