Há um ano, Jonilda Hugen Souza Vieira, enfermeira do CIS (Centro Integrado de Saúde) de Itajaí, recebeu a primeira dose de esperança. Há um ano, no dia 20 de janeiro de 2021, Itajaí iniciava a vacinação contra a Covid-19.
Jonilda foi a primeira: enfermeira, atuou na linha de frente do combate à pandemia desde o primeiro infectado. E segue atuando, vendo os números de casos graves diminuírem a medida que a vacina chega a mais pessoas.
Jonilda foi a primeira pessoa a ser vacinada contra a Covid-19 em Itajaí – Foto: Almir Rodrigues/NDTV“2021 foi um ano mais tranquilo. Teve picos, mas conforme a vacinação foi avançando, isso proporcionou uma estabilização e redução na gravidade do que a gente via no nosso dia a dia”, conta.
SeguirDo medo da filha – há um ano, em entrevista ao ND+, ela lembrou da filha adolescente, que ficava preocupada com a exposição da mãe ao vírus, até pouco tempo, desconhecido -, Jonilda passou a sentir a esperança e a segurança de estar protegida. “Eu tive um ano sem contaminação da Covid-19”, conta.
Menos intubações, mais vacina
O avanço da vacinação provocou um fenômeno esperado por Jonilda e os colegas profissionais da saúde. De um ano pra cá, ela viu menos pessoas intubadas, casos menos graves da doença, e menos óbitos.
“Um grande alívio a gente poder atuar em plantões com maior estabilidade, com menos gravidade, com menos pacientes necessitando de intubação”, conta.
A enfermeira Jonilda Hugen, de 47 anos, foi a primeira vacinada em Itajaí – Foto: Isabela Corrêa/NDTVNa linha de frente, Jonilda consegue ver o quanto a vacinação faz diferença. Mas é ali também que ela vê o resultado da desinformação.
Jonilda ainda encontra quem, mesmo após um ano, ainda não acredita na eficácia das vacinas. “Infelizmente ainda falta confiança nas vacinas, as fake news, fazem com que as pessoas fiquem confusas e indecisas”, conta.
“Temos recebido ainda muitas pessoas com doses incompletas, ou que não tomaram nenhuma dose”, e lembra de uma paciente que já chegou em estado grave. “Ela disse que não se vacinou por uma escolha dela”, recorda. A mulher não resistiu e morreu vítima da Covid-19.
Reconhecimento
Ano passado, Jonilda contou que inicialmente, os profissionais de saúde eram tratados como heróis, mas com o tempo isso foi ficando de lado e ver os profissionais exaustos e pessoas morrendo se tornou o novo normal de muitas pessoas.
Para a enfermeira, ser a primeira vacinada foi um ato de reconhecimento e grande emoção – Foto: Isabela Corrêa/NDTV“A manifestação da população foi inicialmente de que éramos heróis, mas isso parece que se exauriu ao longo pandemia. Foi se tornando normal ver os médicos e enfermeiros exaustos, ver os profissionais da saúde se afastar ou se contaminar”, relembra a enfermeira.
Para ela, que atua desde o primeiro dia, receber a primeira dose da vacina em Itajaí foi um misto de gratidão. “Eu emprestei a minha história, a minha força de trabalho e ter esse reconhecimento é um misto de gratidão muito forte. Para mim isso foi um ato de extrema importância. É uma emoção muito forte fazer parte da história e desse momento para a ciência”, destacou.
Momento histórico
Jonilda, que participou do momento histórico que foi o início da vacinação contra Covid-19, vê com esperança outro ponto crucial no enfrentamento à pandemia: o início da vacinação das crianças.
Itajaí já está vacinando crianças entre 9 e 11 anos. Para receber a vacina, os pequenos deverão estar acompanhados pelos pais ou responsáveis, ou ainda apresentar uma declaração assinada.