Com o indicativo de que na próxima semana, na quarta-feira (20), as primeiras doses das vacinas da Covid-19 cheguem em solo catarinense, as gestões municipais da Grande Florianópolis arquitetam os primeiros passos para o início da campanha.
Durante praticamente toda a tarde desta sexta-feira (15), representantes das secretarias de saúde dos 22 municípios da região se reuniram com a Vigilância Epidemiológica do Estado de Santa Catarina para alinhar as diretrizes da região.
Números exatos do quantitativo de vacinas para cada município ainda são desconhecidos – Foto: Lisa Ferdinando/Office of the Secretary of DefenHá garantia de que, se a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovar o uso dos imunizantes durante o próximo domingo (17) e tudo transcorrer conforme o previsto, outras remessas semanais devem chegar para o Governo do Estado.
Seguir“Há uma previsão de que na próxima quarta-feira (20) comece o plano nacional de vacinação, e que já no dia 20 comece o trajeto das vacinas até todos os Estados”, afirma Ana Cristina Vidor, Gerente da Vigilância Epidemiológica de Florianópolis.
Alguns vereditos, contudo, não foram dados. Não há informação sobre quantos imunizantes devem chegar em solo catarinense, nem quais, ao certo, serão as vacinas. A previsão é que cheguem doses da Coronavac e da AstraZeneca/Oxford, sendo as consideradas mais viáveis, por ora, e as protagonistas do Plano de Vacinação do Ministério da Saúde.
Isso pois tanto os municípios quanto o Estado de modo geral devem seguir as diretrizes da pasta encabeçada por Pazuello.
Ainda nesta sexta (15), o governo indiano, que enviaria um lote de imunizantes da Oxford/AstraZeneca, negou a entrega e não há previsão de quando as doses devem ser entregues.
Há probabilidade de doses da Pfizer também serem distribuídas às capitais estaduais, uma vez que há necessidade de uma estrutura mais complexa para armazenar as doses. Após descongelada, só se pode utilizar a dose em até cinco dias, mantida em temperatura entre 2°C e 8°C. O imunizante, contudo, ainda está em negociações e pode não chegar tão cedo em solo brasileiro.
Ana Cristina Vidor, que participou da reunião representando a capital, ressalta que há viabilidade para manusear e aplicar as doses da farmacêutica americana.
“Caso tenhamos acesso, temos toda uma logística desenhada para armazenar e aplicar as vacinas”, adianta.
O prefeito, Gean Loureiro (DEM), visitou recentemente os ultrafreezeres da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), espaço que deve ser utilizado para o armazenamento.
Outro ponto que ainda não é sabido é a remessa de vacinas que deve ser recebida por cada um dos 22 municípios. O número de vacinas que chegará para o Governo do Estado ainda não foi revelado e, somente após isso, a gestão estadual deve distribuir uma quantia proporcional para cada município catarinense.
“Não foi precisada uma data que deve chegar nos municípios. O propósito do encontro foi mais no sentido de alinhas as ações dos municípios com as do Estado e do Ministério da Saúde. Mas não houve nenhuma uniformização de ações, nenhuma perspectiva exata para cada município”, relata a Secretária Adjunta de Saúde de São José, Fabrícia Martins.
A incógnita, porém, não é só no número de vacinas que devem chegar para cada cidade. Há previsão de utilização de um banco de dados único entre a Grande Florianópolis para contornar um receio de defasagem com os dados de imunização.
Com isso, um banco único para registrar as imunização pode evitar possíveis falhas na administração das vacinas e dos vacinados, considerando que a demanda pelas doses é proporcional.
“Há um déficit com relação à população atualmente cadastrada, e com isso há possibilidade de recebermos uma quantidade de vacinas inferior à necessária”, relata Fabrícia.
Idosos com mais de 70 anos (ou acima de 60 e institucionalizados), profissionais da saúde e indígenas serão os primeiros a receberem as doses, segundo as diretrizes do Ministério da Saúde.
Essa deve ser a diretriz adotada na região, mas próximas fases e os públicos contemplados devem ser administrados conforme os números de vacinas sejam conhecidos.
“O que vai balizar a campanha, efetivamente, é o dia que a vacina chegar, para assim sabermos o quantitativo. Acho que todos os municípios têm de lidar com essa incerteza. Na campanha da influenza, por exemplo, também não sabemos os quantitativos iniciais de vacina. Acho pouco provável que tenhamos informações mais precisas”, afirma Ana Vidor, da Vigilância Epidemiológica de Florianópolis.
Municípios tiveram compra do Butantan suspensa
Durante esta semana, o acordo entre a Fecam (Federação Catarinense de Municípios) e o Instituto Butantan para a distribuição da Coronavac nos municípios de Santa Catarina, iniciativa que ocorreria em paralelo aos planos Estadual e Nacional, foi suspenso.
O cancelamento de venda da às prefeituras deve ser anunciado na próxima segunda (18). A decisão da Federação era vista como um “Plano B”, ante os questionamentos às diretrizes do Ministério da Saúde.
“Acredito que atingimos nosso objetivo, que era provocar o debate na sociedade catarinense, no governo do Estado e nas outras entidades da Federação, para cobrar do governo federal que acontecesse o Plano Nacional de Imunização. Até dezembro não se falava nada disso”, apontou o presidente da Fecam, Paulo Roberto Weiss, em entrevista ao nd+.