A Grande Florianópolis é classificada pelo governo estadual como região com grave risco de transmissão da Covid-19. Até a terceira semana de outubro, a região concentrava 44% do total de casos ativos no Estado, sendo que 97% deles estavam apenas em Biguaçu, Florianópolis, São José e Palhoça.
Os dados são do último boletim divulgado pelo Necat (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense), vinculado à UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). Ainda segundo o periódico, a disseminação da pandemia na região está puxando o aumento de casos em Santa Catarina.
A Grande Florianópolis registrou, nesta terça-feira (27), 1.245 novos casos e quatro novas mortes, segundo a SES (Secretaria de Estado da Saúde). Ao todo, Santa Catarina soma 249.899 infectados e 3.059 óbitos. Os dados são atualizados sempre ao final do dia.
SeguirReaceleração do contágio
A pandemia do novo coronavírus bateu um novo recorde no começo de outubro em Florianópolis, indicando uma reaceleração no contágio que se mantém alto desde o início do mês.
No dia 13 foram confirmados 319 casos em 24 horas, maior número registrado durante a emergência sanitária no município.
Com mais de 1 mil casos ativos na Capital, região está em alerta para Covid-19 – Foto: Reprodução/SSP
Além da Capital, três municípios da Grande Florianópolis testemunham o aumento no número de infectados. Na terceira semana de outubro, a taxa de expansão de casos era de 14% em Florianópolis, 12% em Palhoça e de 11% em São José. O cenário de crescimento da contaminação é atribuído por especialistas ao afrouxamento das regras de isolamento social.
UPA Norte registrou alta procura esta semana em Florianópolis – Foto: Catarina Duarte/NDNúmero de mortes pode aumentar
Epicentro da nova onda de contaminações, o que acontece na Grande Florianópolis indica o avanço do vírus em âmbito estadual.
De acordo a superintendente da Vigilância em Saúde da SES, Raquel Bittencourt, era esperado que um pico de casos começasse por Florianópolis, a capital do Estado. “Mas não vai ser diferente em outras grandes cidades”, diz.
Ela justifica que com a abertura dos serviços e do comércio, houve uma maior circulação de pessoas, o que pode ter contribuído com o aumento de casos.
Para o chefe do Departamento de Saúde Pública da UFSC, Fabrício Augusto Menegon, o aumento drástico no número de pacientes deve refletir nas mortes.
Uma projeção feita pelo Observatório da Covid-19 para as próximas quatro semanas – final de outubro até final da primeira quinzena de novembro – indica um aumento de pelo menos 100 óbitos até o fim do período na Grande Florianópolis.
UTIs lotadas
Reflexo do aumento nos casos da Covid-19, a taxa de ocupação das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) voltou a subir na Grande Florianópolis.
Segundo o Covidômetro, 81,1% dos leitos estavam ocupados nesta quarta-feira (28). O maior percentual se concentra nos leitos adultos, que estão com ocupação de 84,7%.
Dos 189 leitos públicos adultos, 132 estão ocupados e 28 indisponíveis — descritos como garantidos para pacientes em procedimentos. Assim, são 29 vagas disponíveis na região para novas internações.
O Hospital Florianópolis, referência para o tratamento da Covid-19, tem 24 pacientes com a Covid-19 internados. O dado é do Painel Leitos SUS, atualizado diariamente pela SES. A unidade, com capacidade de internação de 30 pacientes na UTI, está com 24 leitos ocupados.
O Hospital da Unimed em São José suspendeu por 15 dias as cirurgias eletivas, em função “do aumento importante de atendimentos e internados por quadros respiratórios e confirmados de Covid-19 nos últimos dias”.
Centro de Florianópolis chega a 100 casos ativos
Em Florianópolis, o Centro é o bairro com maior número de casos ativos. São 100 moradores infectados pelo vírus, dois deles internados. Outros 16 não resistiram à Covid-19. Todos os bairros da Capital têm ao menos um caso de infecção pelo novo coronavírus.
Doze deles têm mais de 30 casos ativos entre seus moradores. Cinco ficam na região Continental — Estreito (64), Abraão (41), Coqueiros (52), Coloninha (42) e Balneário (30).
No Norte da Ilha, Ingleses possui o maior número de casos ativos: 46. Ao todo, 1.185 moradores já foram infectados, 720 se recuperaram e oito morreram. O mais jovem tinha idade entre 40 e 49 anos.
O número de casos é menor nos bairros do Sul da Ilha. A Tapera e o Campeche são os locais com mais infectados, com 20 e 19 casos, respectivamente.
Florianópolis tem 1.394 casos ativos da Covid-19. Do total, 33 pacientes estão internados e 149 morreram em razão da doença. Os dados são da Sala de Situação da GVE (Gerência de Vigilância Epidemiológica de Florianópolis) e foram atualizados na manhã desta quarta.
Prefeitos preparam fiscalização integrada
Em reunião nesta terça-feira (27) com o secretário estadual da Saúde, André Motta, os prefeitos de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu decidiram criar uma força-tarefa para reforçar a fiscalização das medidas sanitárias de enfrentamento à Covid-19 durante o feriadão de Finados.
Segundo informações do colunista do ND+ Fabio Gadotti, a ação integrada entre Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Municipal vai focar nas festas particulares e baladas. Equipes de fiscalização se reúnem nesta quinta-feira (29), às 9h, para planejamento dos trabalhos.
O Estado se comprometeu em disponibilizar mais 34 vagas, hoje indisponíveis, para tratamento de doentes com coronavírus na região.
Denúncias de descumprimento das medidas de restrição podem ser feitas pelos números 153, da Guarda Municipal de Florianópolis, ou 190 da Polícia Militar. No site do Covidômetro também podem ser feitas reclamações. Basta acessar a aba “Denúncias Vigilância Sanitária“.