Há quatro semanas, o quadro geral da pandemia no Estado de Santa Catarina, refletido na matriz de risco do COES (Centro de Operações de Emergência em Saúde) mostra a maioria das 16 regiões do Estado em situação gravíssima. Na Grande Florianópolis, não é diferente. O vírus da Covid-19 continua em intensa circulação.
O Hospital Universitário é uma das duas unidades sem leitos de UTI disponíveis na Grande Florianópolis. Foto: UFSC/DivulgaçãoNa contramão dos índices elevados da doença, o governo do Estado e as prefeituras implementam medidas que não ajudam a segurar a contaminação.
Na quinta-feira (17), por exemplo, o governador do Estado, Carlos Moisés (PSL) determinou a liberação de parques aquáticos e eventos, inclusive nas regiões em situação gravíssima na matriz de risco.
SeguirEm Florianópolis, a prefeitura anunciou, nesta semana, as regras da temporada de verão. A permanência na faixa de areia das praias, por exemplo, será permitida, desde que respeitados cinco metros de distância entre cada guarda-sol.
A Covid-19 na Grande Florianópolis
Das 16 regiões, a Grande Florianópolis apresenta um dos níveis mais baixos no índice “evento sentinela”, que foca na ocorrência de óbitos. A região está no nível laranja para “transmissibilidade”, que mede a variação no número de confirmação positiva e casos infectantes.
Tabela mostra o quadro atual da pandemia em todas as regiões de Santa Catarina – Foto: Divulgação/NDNo tópico “monitoramento”, a Grande Florianópolis está em nível gravíssimo. Esse tópico acompanha o percentual de positividade de exames RT-PCR do Lacen. Com exceção do Extremo Oeste, todas as regiões estão em nível de risco grave ou gravíssimo.
Hospitais Florianópolis e Universitário com 100% de ocupação
O tópico “capacidade de atenção” da matriz de risco reflete a ocupação de leitos de UTI. É o mais preocupante neste momento. Todas as regiões encontram-se em alerta máximo para a ocupação de leitos de UTI, o que força medidas, como o cancelamento de cirurgias eletivas para colocar em funcionamento todos os leitos disponíveis, além da abertura de novos leitos para Covid.
HU e Hospital Florianópolis estão sem leitos de UTI adulto para Covid-19 – Foto: Reprodução/Secom/NDNa Grande Florianópolis, a taxa de ocupação das UTIs para pacientes adultos da Covid-19 é de 87,50%. Dois hospitais têm 100% de ocupação. São eles: no Hospital Universitário, dos 27 leitos de UTI do hospital, 14 têm pacientes com a covid-19. Já no Hospital Florianópolis, os 30 leitos estão ocupados com pacientes da doença.
Na visão do professor e doutor Daniel Santos Mansur, especialista na interação vírus-hospedeiro, o panorama na Grande Florianópolis é extremamente preocupante. Para ele, é ainda mais grave, se considerarmos o atraso de 14 dias para a internação das pessoas depois das aglomerações.
“Juntando Natal e fim de ano, a tendência é de que a situação piore consideravelmente. Não tivemos nenhum evento específico, há dez dias, ou duas semanas atrás que justifique esse aumento tão drástico. O Estado vinha nessa situação mais grave, há algum tempo. A tendência, agora, infelizmente, é piorar”, lamentou Mansur.
Dos 120 leitos ativos adultos para a Covid-19 na rede hospitalar da Grande Florianópolis, 105 estão ocupados. Ou seja, a região tem 15 leitos adultos disponíveis neste 18 de dezembro. Veja quantos leitos estão disponíveis por hospital:
- Hospital Nossa Senhora da Imaculada Conceição: 5
- Hospital Instituto de Cardiologia: 3
- Hospital Nereu Ramos: 2
- Hospital Regional de Biguaçu Helmuth Nass: 1
- Hospital Governador Celso Ramos: 1
- Hospital Regional de São José: 1
- Hospital de Caridade: 1
- Cepon: 1
Segundo a especialista em Epidemiologia do Coes (Centro de Operações de Emergência em Saúde), Maria Cristina Willemann, a Grande Florianópolis está há algumas semanas no nível gravíssimo. O número de casos novos registrados diariamente reduziu, mas ainda não há diminuição nas internações e óbitos.
Para ela, a alta ocupação de UTI da região é muito crítica, porque a Grande Florianópolis é referência para todo o Estado e concentra os maiores hospitais.
“Não se observou nenhuma ação efetiva nas últimas semanas que possa ter modificado a tendência da curva de crescimento, muito pelo contrário, com a “renovação” da população suscetível na região por causa do turismo, há a tendência de que o número de casos volte a subir em curto-médio prazo”, afirma Willemann.
Procurada, a assessoria da prefeitura de Florianópolis informou que nada muda nas diretrizes do município com a atualização na matriz de risco. A reportagem também buscou saber qual o foco da prefeitura nesse momento em relação à Covid-19 e não obteve retorno.