A Grande Florianópolis se encontra no nível grave (laranja) para Covid-19, segundo atualização do mapa de risco divulgada pela SES (Secretaria de Estado da Saúde) nesta quarta-feira (18). Na semana passada, a região estava no nível gravíssimo (vermelho).
Dados do Necat (Núcleo de Estudos de Economia Catarinense) da semana do dia 5 a 12 de novembro, no entanto, mostram que no âmbito interno da microrregião de Florianópolis, a cidade de Florianópolis aumentou sua participação para 44% no que envolve os dados da pandemia na região.
Novo mapa de risco foi divulgado nesta quarta-feira – Foto: Coes/Divulgação/NDNa avaliação da matriz de risco do Estado, quatro itens são levados em consideração: evento sentinela (mede a mortalidade), transmissibilidade (variação de casos), monitoramento (casos investigados) e capacidade de atenção (ocupação de leitos de UTI).
SeguirAtualmente, a Grande Florianópolis apresenta nível 3 (laranja – grave) em todos eles. Para a especialista em Epidemiologia do Coes (Centro de Operações de Emergência em Saúde), Maria Cristina Willemann, as informações registradas apontam uma desaceleração do contágio na região.
Há uma variação negativa no número de confirmações. Conforme o painel de casos da SES, a macrorregião da Grande Florianópolis teve 5.711 casos confirmados na semana anterior. Na última semana, o número foi de 5.091, o que representa uma variação do aumento de casos de -10,9%.
O que levou ao nível grave
Maria Cristina explica que essa desaceleração pode estar relacionada ao comportamento da própria doença respiratória, que tem tendência a sofrer ondulações na curva de contágio, ora subindo e ora diminuindo.
No entanto, a especialista ressalta que ainda não há como afirmar que a Covid-19 se comporta de maneira sazonal, como outras doenças. Outro ponto que contribuiu para a mudança de nível da região foi a habilitação de 40 novos leitos de UTI.
Apesar da leve melhora, a superintendente de Vigilância em Saúde de Santa Catarina, Raquel Bittencourt, destaca que a região continua no nível 3 no índice “transmissibilidade” da doença.
Esse quesito mede a variação no número de confirmação e casos ativos. Regiões em alerta apresentam alta no número de casos.
Para a superintendente, o quadro não é “confortável” e exige atenção. Além disso, a movimentação decorrente do período eleitoral e da eleição, realizada no último domingo (15), pode se refletir daqui cerca de 15 dias.
Metodologia pode encobrir realidade
O professor de Economia Lauro Mattei, que coordena o Necat, vinculado à UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), diz que a metodologia da matriz de risco do Estado encobre problemas quando analisa a situação da pandemia através de macrorregiões.
Por esse ângulo, a macrorregião da Grande Florianópolis encontra-se em nível grave, de acordo com o Estado. Contudo, quando se olha com atenção à microrregião de Florianópolis, se tem outro cenário: o de uma região em estado gravíssimo.
A macrorregião da Grande Florianópolis é composta pelas microrregiões de Florianópolis, de Tijucas e do Tabuleiro. Só a microrregião de Florianópolis concentra 90% dos casos de Covid-19. Já a microrregião de Tijucas concentra 9% e a de Tabuleiro, apenas 1% dos casos.
Quando essa informação é analisada de forma mais ampla (macro), ela se dispersa e a real gravidade do problema acaba encoberta. Para Mattei, a análise por microrregiões foca nas cidades que são mais problemáticas quando se refere à Covid-19.
Evolução dos casos em microrregiões selecionadas de Santa Catarina, de 28 de maio a 12 de novembro de 2020. Microrregião de Florianópolis apresenta a mais alta evolução – Foto: Divulgação/Necat/NDAlém da grave situação da própria Capital, houve ainda a continuidade da expansão cada vez maior da doença pelas cidades próximas.
O destaque vai para a cidade de Palhoça, que respondia por 18% de todos os registros oficiais da microrregião; São José com 25,5% dos casos e Biguaçu com 6,5%. Ou seja, nessas quatro cidades se localizam 94% de todos os casos da microrregião de Florianópolis.
Avaliação dos índices
Outro ponto levantado pelo especialista da UFSC diz respeito aos índices utilizados pelo Estado para avaliar o quadro da pandemia. Uma leve melhora em um determinado quesito, já altera o nível de gravidade da região.
Para o professor, as quatro dimensões elencadas pela matriz de risco têm estágios muito diferenciados de importância. Ele cita como exemplo a dimensão “capacidade de atenção”, que mede a taxa de ocupação dos leitos de UTI.
“É importante analisar esse dado, mas a taxa de UTI é apenas um instrumento para atender a consequência da doença. Não é a causa. O principal indicador da pandemia é a transmissibilidade da doença e não a disponibilidades de leitos de UTI”, explica.
Neste sentido, a principal causa da expansão de casos da doença é o alto índice de transmissão e é esse dado que requer maior atenção.
“Antes de analisar leitos, precisamos saber o nível e o ritmo de transmissão da doença. A microrregião de Florianópolis está sim, em nível gravíssimo desde a primeira semana de outubro. Só que isso só refletiu na matriz de risco na semana passada”, diz Mattei.
Fatores que agravam
O professor Lauro avalia que a situação gravíssima da microrregião de Florianópolis é resultado da falta de uma política mais efetiva de gestão da pandemia, por parte dos órgãos públicos.
Falta de cuidados preventivos teria agravado situação na Grande Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/NDAlém disso, houve o relaxamento da população em três fatores que combatem a infecção: cuidados sanitários básicos, uso da máscara e aglomeração social.
“Temos um ‘apagão’ na administração pública e a normalização da pandemia pela população. Pensam que o vírus foi embora, mas esse é um momento crítico. Há um aumento expressivo do número de casos e como consequência natural, teremos aumento no número de mortes”, alerta.
Contraponto
Procurada pela reportagem para comentar a nova atualização do mapa de risco do Estado, a prefeitura de Florianópolis informou que segue aumentando cada vez mais a capacidade de testagem, chegando a uma letalidade de 0,7%. Isso significa um baixo índice de subnotificação.
“Sendo a capital com a menor subnotificação do Brasil, Florianópolis está conseguindo isolar mais rapidamente os contaminados. Mas é preciso reforçar ainda mais os cuidados por parte da população para que o contágio não cause um colapso hospitalar”, destacou.
Dados da Covid-19
Nesta quarta-feira (18), o covidômetro da prefeitura de Florianópolis mostra que há 1.527 casos ativos de Covid-19 em acompanhamento.
Desde o início da pandemia, foram 196 óbitos e 25.748 casos confirmados. Somente nesta terça-feira (17), a cidade registrou 72 novos casos da doença. Do dia 10 de novembro até está terça, foram 1.054 novos casos.
Taxa de ocupação de leitos nesta quarta-feira
Rede particular:
O Hospital Baía Sul tem 26 pacientes com a Covid-19 internados, de acordo com o boletim. Segundo a assessoria da unidade, a capacidade de atendimento é ajustada conforme a demanda e há possibilidade de ampliação de acordo com a necessidade.
Dos 32 leitos de UTI do Hospital SOS Cardio, 14 deles estão ocupados com pacientes de Covid-19.
O Hospital da Unimed informou que há 27 pacientes internados na UTI, sendo 16 deles por Covid-19 e 13 pacientes em uso de ventilação mecânica. A capacidade total é para 30 leitos.
Hospitais públicos:
- Hospital de Caridade: 66,67%;
- Hospital Florianópolis: 90%;
- Hospital Governador Celso Ramos: 87,50%;
- Hospital Infantil Joana de Gusmão: 53,85%;
- Instituto de Cardiologia: 82,76%;
- Hospital Nereu Ramos: 46,67%;
- Hospital Nossa Senhora da Imaculada Conceição: 70%;
- Hospital Regional de São José: 93,02%;
- Hospital Universitário: 78,57%.