Grávidas e lactantes apontam dificuldades para receber vacina contra Covid-19 em Joinville

Vacinação de grupo prioritário, que também inclui puérperas, depende de recomendação do médico, o que tem causado impasses

Redação ND* Joinville

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Diante da gravidade da pandemia da Covid-19, assim que um grupo recebe a liberação para tomar a vacina, as unidades de saúde ficam repletas de pessoas. Mas em Joinville, no Norte de Santa Catarina, as gestantes, puérperas e lactantes reclamam da dificuldade para receber o imunizante, mesmo estando em um dos grupos prioritários.

Gestantes, lactantes e puérperas reclamam da dificuldade para receber a vacina em Joinville – Foto: Unai Huizi/FreepikGestantes, lactantes e puérperas reclamam da dificuldade para receber a vacina em Joinville – Foto: Unai Huizi/Freepik

É o caso de Gabriele Stainsack Pinheiro, mãe da Cecília, de 9 meses. Como amamenta a filha, ela tem direito a receber a vacina, mas ainda não conseguiu. “Não tomei a vacina. Foi terrível porque a gente correu atrás, fez tudo certo, eu levei a documentação que achei que era necessária e não consegui. Voltei pra casa sem a vacina”, lamenta.

É que o imunizante só pode ser administrado em gestantes, lactantes e puérperas (mulheres que deram à luz a 45 dias) se elas apresentarem uma declaração com a recomendação assinada por um médico.

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E é justamente aí que mora o problema: segundo o grupo, muitos médicos questionam a assinatura do documento por receio de que a paciente tenha alguma complicação relacionada ao imunizante, causando, dessa forma, a responsabilização do profissional.

“Era uma coisa para ser facilitada e está sendo cada vez mais difícil se vacinar”, desabafa Gabriele.

Vacina para este grupo prioritário requer recomendação médica – Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação NDVacina para este grupo prioritário requer recomendação médica – Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação ND

As recomendações de vacinas contra a Covid-19 para gestantes

Para Gastão Schwarz Junior, presidente da Sociedade Joinvilense de Ginecologia e Obstetrícia, o ideal seria não “forçar” o médico a recomendar a vacina, mas sim deixá-lo declarar que a paciente está apta a recebê-la, sem uma recomendação necessariamente.

“Tem que ser discutido com o médico e, se a paciente está apta, deve ser feita a declaração dizendo que ela está apta a receber e não ter a recomendação médica”, explica.

O médico ainda fala sobre a indicação para gestantes: “talvez, seja melhor evitar fazer a vacina no primeiro trimestre, que é um período em que existe um risco maior, e no último trimestre, que também é um período mais delicado da gravidez”, ressalta.

Entre os imunizantes administrados no Brasil atualmente, Pfizer e Coronavac são indicados para gestantes, lactantes e puérperas, pois não contêm vetor viral. Segundo Gastão, ainda se estuda se a imunização nesse grupo ocorre da mesma forma que em mulheres que não estão nessas condições.

O que diz a prefeitura de Joinville

A prefeitura de Joinville enviou nota sobre a questão da declaração feita por médicos para gestantes, puérperas e lactantes. Veja:

A decisão sobre a aplicação ou não da vacina contra a Covid-19 em gestantes, puérperas e lactantes é uma questão médica. O profissional médico tem total liberdade para autorizar ou não a aplicação do imunizante.

A Secretaria da Saúde de Joinville segue recomendação do Ministério da Saúde para que faça a imunização deste público apenas após a apresentação do documento que autoriza a vacina, assinado por um médico.

Para auxiliar as mulheres que fazem parte deste grupo prioritário, a Secretaria da Saúde disponibilizou no site da Prefeitura de Joinville um documento padrão que pode ser utilizado pelo médico. Não há obrigatoriedade para o uso exclusivo deste documento, entretanto, nele constam todas as informações que devem ser preenchidas.

* Com informações de Sabrina Aguiar, repórter da NDTV Joinville

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