A recente morte de uma criança de 11 anos por hantavirose, após mordida de rato silvestre em Urubici, na Serra Catarinense, levantou alerta em todo o Estado. No Alto Vale do Itajaí, somente em 2022, outras duas mortes ocorreram em virtude do vírus. Uma delas também foi de uma criança de 11 anos, em Agronômica, e a outra vítima foi um jovem de 22 anos, de Lontras.
Duas mortes por mordida de rato silvestre foram registradas no Alto Vale em 2022 – Foto: PixabayO portal ND+ entrou em contato com a prefeitura de Agronômica, que confirmou a morte de uma menina de 11 anos vítima de hantavirose. A morte ocorreu em julho de 2022. Mais detalhes sobre como a transmissão ocorreu não foram informadas.
Outra vítima, um jovem de 22 anos, morreu em virtude da doença transmitida por ratos em Lontras. Segundo a prefeitura da cidade, a vítima não chegou a procurar as unidades de saúde do município, sendo atendido diretamente no Hospital Waldomiro Colautti, de Ibirama.
SeguirO jovem foi internado no dia 04 de junho, e infelizmente morreu no dia seguinte. Foram feitos exames para leptospirose, hantavirose, febre amarela e dengue. O resultado do exame comprovou hantavirose. A prefeitura não tem informações sobre como ocorreu a infecção.
Hantavirose
Uma doença infecciosa aguda e grave causada pelo hantavírus (que se hospeda em roedores silvestres) e que apresenta síndrome cardiopulmonar que pode levar a morte em apenas 72 horas. Segundo a Dive, há registro da presença da doença em SC desde 1999.
Como se pega
O vírus é transmitido por meio da urina fresca, fezes ou saliva de ratos silvestres. A transmissão mais comum ocorre quando as pessoas inalam aerossóis formados pela urina, fezes e saliva de roedores, que se misturam à poeira. De forma menos frequente, pode ocorrer pelo contato direto com roedores, como no caso de mordidas.
Sintomas
Na fase inicial, os sintomas são:
- Febre
- Mialgia
- Dor nas articulações
- Dor de cabeça
- Dor lombar
- Dor abdominal
- Sintomas gastrointestinais (náuseas, vômitos e diarreia)
Segundo a Dive, esse quadro inespecífico dura de 1 a 6 dias, podendo se prolongar por até 15 dias, e depois regredir. No entanto, quando inicia a tosse seca, a doença pode evoluir para uma fase mais grave, a cardiopulmonar. Neste momento, os sintomas são:
- Febre
- Dificuldade de respirar
- Respiração acelerada
- Aceleração dos batimentos cardíacos
- Tosse seca
- “Pressão baixa”
Como evitar a doença
Segundo material preventivo divulgado pelo órgão de saúde estadual, há alguns cuidados que podem ser tomados para evitar o contato com a doença.
- Evitar contato humano com rato silvestre ou seus excrementos (fezes e urina principalmente);
- Dentro de casa, coloque toda a comida em sacos ou caixas fechadas numa
altura de pelo menos 40 cm do chão; - Lave pratos e utensílios de cozinha imediatamente após o uso. Não deixe
restos de alimentos no chão; - Mantenha o local onde vivem os animais sempre limpo, recolhendo sempre a sobra de comida;
- Garantir a coleta e o destino adequado do lixo;
- O plantio de milho e outros grãos devem ser longe da casa;
- Mantenha a área em volta da casa, galpões, paióis e alojamentos sempre limpa, sem mato, pneus velhos ou outros entulhos;
- Não descanse em locais fechados com restos de alimentos ou grãos (ex: paióis);
- Antes de limpar um lugar que esteve fechado, deixe ventilar por pelo menos uma hora antes de proceder a limpeza;
- Após ventilar, umedecer com água sanitária a 10% ( 1 parte de água sanitária para 9 de água) e aguardar 1 hora antes da limpeza do local.
Qual a relação com a taquara
Muito fala-se sobre a relação da doença com um tipo de planta, a taquara. Segundo a Dive, a taquara lixa, presente em SC, floresce mais ou menos a cada 30 anos (em SC floresceu entre 2004 e 2006).
Quando termina a floração, as sementes caem e se tornam um dos alimentos prediletos dos roedores. Em situações confortáveis e com bastante comida, os animais se reúnem e reproduzem-se rapidamente, aumentando a população de ratos.
Quando as sementes terminam, eles saem em busca de novos alimentos. O alvo principal são as residências. Existindo ratos contaminados, eles deixam fezes e urina no ambiente onde comem, e favorecem a transmissão da doença.