Hemosc recebeu 50 mil doações de sangue neste ano, mas precisa dos tipos A+, O+ e O-

14/06/2022 às 21h03

Uma bolsa de sangue pode salvar quatro vidas e, no junho vermelho, mês de conscientização para a doação de sangue, você também precisa ajudar

Nícolas Horácio Florianópolis

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Estamos no Junho Vermelho, mês de conscientização para a doação de sangue e, nesta terça-feira (14), Dia Mundial do Doador de Sangue, muita gente aproveitou para “fazer o bem sem olhar a quem” e ajudar o Hemosc (Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina) a salvar vidas.

Bolsa de sangue no HemoscNo momento, Hemosc necessita principalmente dos tipos sanguíneos A+, O+ e O – Foto: Leo Munhoz/ND

Presente em nove cidades do Estado, o Hemosc conseguiu, nos cinco primeiros meses de 2022, mais de 50 mil doações. Mas, a necessidade é diária, e você também pode ajudar. No momento, o Hemosc precisa principalmente dos tipos sanguíneos A+, O+ e O-.

Silvio Battistella, 52 anos, atua na coordenação do setor de captação de doadores. Segundo ele, Santa Catarina se destaca quando o assunto é doação de sangue.

“Enfrentamos crises bem severas em meados de 2020 e no início de 2021, mas a população sempre respondeu aos nossos apelos e conseguimos reverter as situações mais críticas. Mas sempre precisamos de mais”, ressalta.

Ainda conforme Battistella, em alguns períodos, é normal que haja baixa nas doações, em especial no inverno. As doenças respiratórias também impactam. Qualquer sinal de gripe, por exemplo, impede a doação de sangue. “É preciso estar em 100% do seu estado de saúde para doar”, afirma Battistella.

Silvio Battistella funcionário do HemoscBattistella enfatiza que principalmente a região de Joinville carece de mais doações – Foto: Leo Munhoz/ND

“O junho é vermelho, então temos vários dias para que as pessoas se programem, façam a doação e colaborem conosco. É um ato bastante simples, que leva uma hora e tem um reflexo enorme”, enfatiza Battistella.

A técnica em enfermagem Josiane Ramos Barbosa, 26 anos, moradora de São José, trabalha no setor de coleta de sangue no Hemosc desde o início do ano. Além disso, atua na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital da Unimed em São José.

“Vejo, diariamente, a necessidade da doação. Aqui [no Hemosc] vejo a captação, lá [no hospital] vejo o destino do sangue, e a demanda é muito grande”, salienta.

Josiane Ramos Barbosa, funcionária do HemoscJosiane está há poucos meses no Hemosc, mas o sorriso no rosto escancara a satisfação dela no trabalho novo – Foto: Leo Munhoz/ND

Josi fala com satisfação sobre a rotina no Hemosc: “É muito gratificante saber que tu está ajudando as pessoas através de um gesto tão simples e rápido. Vemos, também, a gratificação do doador. Estou apaixonada por todo esse processo”.

No Hemosc, no Dia Mundial do Doador de Sangue, a nutricionista Nachany Barbiero, de 29 anos, moradora de Palhoça, é A+ e doadora há uma década.

“Nunca tive medo, porque vem de família. Meus pais, desde sempre, doam. Morávamos numa cidade longe do lugar de coleta, então, lembro deles pegando ônibus e indo. Nunca tive medo por causa deles”, conta.

Doadora de sangue no HemoscNachany começou a doar por influência dos pais no Rio Grande do Sul – Foto: Leo Munhoz/ND

Cristiane Ruedieger, 33 anos, atua na área de tecnologia, mora em Florianópolis e é O-, ou seja, doadora universal. Ela pode doar para todos os tipos sanguíneos e vai ao Hemosc três vezes ao ano.

Nesta terça, lá estava ela de novo. Como uma bolsa de sangue pode salvar quatro vidas, Cris já ajudou mais de 100 pessoas. Ela quis ser doadora justamente por ter o sangue universal: “Eu também só recebo de O- e espero que um dia alguém possa doar para mim também”.

Doadora de sangue no HemoscCristiane tem sangue o- e é doadora universal – Foto: Leo Munhoz/ND

A auxiliar de recursos humanos Ana Paula Garcia, 23 anos, mora em São José e é A-. Doadora desde 2015, também fez sua parte nesta terça. “Pensei em doar pelo fato de conseguir ajudar o próximo. Muitas pessoas precisam, e isso me motivou”, ressalta.

Segundo Ana, a primeira vez foi um pouco difícil porque tinha medo de agulha, mas o receio passou: “Pensando que é uma boa causa, para ajudar o próximo, perdi o medo. Esta é minha oitava doação”.

Para gerenciar o estoque, o Hemosc tem uma escala de quatro níveis para cada tipo sanguíneo: adequado, reduzido, alerta, crítico. No momento, com exceção do A+, O+ e O-, que estão em nível reduzido, os demais estão no adequado. Dos nove municípios da rede, Joinville, Criciúma e Lages são os mais carentes de doação no momento.

Jovem doadora de sangue no HemoscAna começou a doar por vontade própria, no intuito de salvar vidas – Foto: Leo Munhoz/ND

Quem doa sangue ajuda pessoas com variados problemas de saúde, entre os quais: pacientes em tratamento oncológico; pessoas com quadro de hemorragia; pacientes passando por cirurgias e quem tem doenças sanguíneas.

Em Florianópolis, o horário de funcionamento do Hemosc é das 8h às 16h30, e só é possível doar mediante agendamento. O doador fica, em média, 55 minutos para completar o procedimento, e o agendamento é feito pelo site do Hemosc ou pelo telefone (48) 3251 9712, no caso da Capital. Os contatos das demais cidades também estão no site do Hemosc.

Números do Hemosc:

  • Diariamente, a hemorrede consegue coletar entre 400 e 450 bolsas de sangue;
  • Por mês, em média, são 9.200 a 10.300 bolsas;
  • Nos cinco primeiros meses de 2022, aproximadamente 60.531 pessoas se candidataram à doação e 50.100 efetivaram a doação;
  • Uma bolsa de sangue pode salvar quatro vidas;
  • A rede Hemosc tem sete hemocentros: Florianópolis, Blumenau, Lages, Criciúma, Chapecó, Joaçaba e Joinville e duas unidades de coleta: Tubarão e Jaraguá do Sul.

Orientações para quem quer doar

  • Qualquer pessoa pode doar sangue, desde que esteja em saúde plena, tenha, no mínimo, 50 kg e idade entre 16 e 60 anos, caso nunca tenham doado;
  • Para quem já doou, a idade máxima é 69 anos, 11 meses e 29 dias;
  • Pessoas entre 16 e 17 só podem doar acompanhados dos pais;
  • Para confirmar a possibilidade de doação, toda pessoa responde um questionário de 60 questões;
  • Não é preciso fazer jejum. Doadores devem se alimentar antes do procedimento;
  • Também devem levar documento de identificação oficial com foto e atualizado;
  • Para doar, é preciso fazer o agendamento e chegar no horário marcado;
  • Quem não agenda, às vezes, consegue o encaixe no dia, mas nem sempre é possível;
  • Quem fez micropigmentação, maquiagem definitiva, endoscopia e colonoscopia precisa esperar seis meses;
  • Quem fez tatuagem em estúdio, com alvará da Vigilância Sanitária, precisa esperar seis meses; quem não sabe da existência do alvará, precisa esperar 12 meses;
  • Quem faz uso contínuo de medicamento será avaliado caso a caso.

Fonte: Hemosc.