Hepatite E: o que é a doença rara provocada por vírus encontrado na água do RS

Hepatite E está preocupando profissionais de saúde do Rio Grande do Sul após contaminação nas águas das chuvas que inundaram o estado

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

A Hepatite E tem sido mais um motivo de preocupação para as autoridades do Rio Grande do Sul. Isso ocorre porque, após as fortes chuvas que assolaram o estado, doenças infecciosas continuam a crescer em número de infectados nas cidades.

Hepatite E preocupa autoridades de saúde no Rio Grande do Sul Hepatite E preocupa profissionais do Rio Grande do Sul após enchente histórica  – Foto: AFP/Divulgação/ND

Agora, a Hepatite E volta a preocupar as autoridades gaúchas. Segundo o último levantamento, foram 469 cidades atingidas por essa que é a maior enchente da história do Rio Grande do Sul.

Pesquisadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) identificaram diversos tipos de bactérias e vírus, incluindo os que causam hepatite A e hepatite E, uma forma mais rara da doença, através da coleta de amostras das águas das enchentes em várias cidades do Rio Grande do Sul.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

A revelação fez a Secretaria do Estado da Saúde alertar a população. Em seu site oficial a pasta escreve que “A água contaminada das enchentes carrega uma série de agentes infecciosos que podem desencadear doenças. Entre os principais riscos está a infecção pelo vírus da hepatite do tipo A, devido ao grande número de pessoas que ficaram ilhadas e foram resgatadas em áreas alagadas no Rio Grande do Sul”.

Segundo a pasta, a infecção por hepatite A, por exemplo, apresentou queda na incidência desde 2014, quando foi incorporada a vacina contra a doença no calendário infantil. No entanto, desde o final de 2022, no Rio Grande do Sul, observa-se um aumento no número de casos da doença.

Em 2023, foram notificados 336 casos no Estado, maior número de casos da série histórica desde o início da vacinação. A maior parte desses casos ocorreu em residentes do município de Porto Alegre. Também em 2023 houve um óbito, de uma mulher de 53 anos não vacinada. Nenhum dos casos identificados em 2023 foram relacionados à calamidade no Vale do Taquari.

Em 2024, até o momento, nenhum caso foi notificado relacionado à calamidade atual do Estado.

O que é Hepatite E?

De acordo com o manual MDS, usado por médicos em todo o mundo, a hepatite E é causada por um vírus de RNA transmitido através da ingestão de alimentos ou água contaminados.

Os sintomas incluem falta de apetite, sensação de mal-estar e amarelamento da pele e dos olhos (icterícia). Casos graves e morte são raros, exceto em mulheres grávidas.

O diagnóstico é feito por um teste de anticorpos e o tratamento é basicamente de suporte, a menos que a infecção se torne crônica.

Existem 4 tipos diferentes do vírus da hepatite E, todos eles causam hepatite viral aguda.

Os genótipos 1 e 2 geralmente estão ligados a surtos transmitidos pela água, principalmente em lugares onde a água está contaminada com fezes humanas. Isso ocorre em países como China, Índia, México, Paquistão, Peru, Rússia e África do Norte e Central.

Esses surtos são parecidos com os da hepatite A. Pessoas que viajam para essas áreas e consomem água ou alimentos contaminados podem ser afetadas.

Hepatite E pode ser pega por alimentos infectadosHepatite E pode ser adquirida por alimentos e água infectada – Foto: Reprodução/Unsplash/ND

Em países com boas condições de saneamento, os casos são mais raros, mas podem acontecer em pessoas que viajam para áreas com condições sanitárias precárias.

Os genótipos 3 e 4 causam principalmente casos isolados, em vez de surtos. A transmissão ocorre principalmente através de alimentos, especialmente carne crua ou mal cozida, como carne de porco, veado e mariscos.

Inicialmente, não se acreditava que a hepatite E causasse hepatite crônica, mas estudos recentes mostraram que o genótipo 3 pode levar à hepatite crônica em pessoas com sistema imunológico enfraquecido, como pacientes transplantados, em quimioterapia ou com HIV.

Tópicos relacionados