Hospitais do Oeste de SC têm ‘explosão’ no uso de itens do ‘kit intubação’

HRO em Chapecó, e HRSP, em Xanxerê, vivem a possibilidade da falta de medicamentos para pacientes em tratamento contra a Covid-19

Foto de Caroline Figueiredo

Caroline Figueiredo Chapecó

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A explosão de casos positivos de Covid-19 gerou um aumento no uso de medicamentos essenciais para tratamento de pacientes que precisam de internação por conta do quadro grave da doença. A alta demanda levou alguns hospitais de Santa Catarina ao extremo, ao ponto de anunciarem a possibilidade da falta dos fármacos. 

“Kit intubação” sofreu aumentos alarmantes no uso em pacientes graves – Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Arquivo/Secom“Kit intubação” sofreu aumentos alarmantes no uso em pacientes graves – Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Arquivo/Secom

Cerca de 22 medicamentos compõem o “kit intubação”, fundamental para o tratamento de pacientes com a doença grave e que precisam de intubação. Na região Oeste de Santa Catarina, dois hospitais de referência no atendimento de pacientes com a Covid-19 vivenciam os impactos desse aumento.

No HRSP (Hospital Regional São Paulo), em Xanxerê (SC), mostram o crescimento no consumo dos medicamentos do “kit intubação”.  O Rocurônio 5 ml, indicado para uso junto com a anestesia geral para facilitar a intubação, teve um aumento de 50 mil % no consumo da unidade. No primeiro trimestre de 2020, o hospital utilizava uma média de 14 ampolas do medicamento. Em contrapartida, no primeiro trimestre de 2021, já utilizou 6.979 ampolas.

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Além do crescimento no consumo, houve também aumento no valor do medicamento. Nos três primeiros meses do ano passado, cada ampola era comprada por R$ 11,40. Já no primeiro trimestre de 2021, o preço subiu para R$ 33, a unidade, ou seja, teve uma variação no preço de 192,4%.

Droga utilizada para a sedação de pacientes adultos, o Midazolam 50 mg/10 ml também registrou aumento no consumo em comparação ao primeiro trimestre de 2020. No ano passado, conforme dados do hospital, era utilizado uma média de 324 ampolas. 

No mesmo período em 2021, o uso subiu para 12.840 ampolas, um aumento de 4 mil % no consumo. O preço do medicamento também sofreu alteração e subiu de R$ 2,76 para R$ 37,50, uma variação de 1.259,7%.

Pacientes com covid-19 internados em UTI necessitam de intubação Pacientes intubados necessitam de altas doses de medicamentos. Foto: Prefeitura de Chapecó/Reprodução/ND

Crescimento no uso de materiais

O levantamento relaciona ainda especificamente alguns materiais. É o caso das luvas para procedimento. No mesmo período, entre o primeiro trimestre de 2020 e o primeiro trimestre de 2021, houve um aumento de 21,84% no consumo do item e 334,3% de aumento no valor, passando de R$ 17,50 para 76,00.

O uso de oxigênio hospitalar também aumentou desde o início da pandemia. No comparativo, entre o primeiro trimestre de 2020 e o primeiro trimestre de 2021, o Oxigênio Medicinal Granel, aumentou de 28.576 m3 para 46.838 m3.

HRO também sofre com os aumentos

Em Chapecó, o HRO (Hospital Regional do Oeste), principal hospital da região, no comparativo de janeiro e fevereiro de 2020, quando iniciaram as primeiras suspeitas da presença do vírus no Brasil, o uso dos medicamentos do “kit intubação” também sofreu aumentos alarmantes.

Indicado para auxiliar na anestesia geral para facilitar a intubação endotraqueal e propiciar o relaxamento da musculatura ou a ventilação controlada, o medicamento Atracurio, de Besilato 10 mg/5 ml, subiu de 780 ampolas em janeiro de 2020 para 3.738 em janeiro de 2021, um aumento de 379%, de acordo com dados do HRO. 

No mês de fevereiro de 2020 o uso foi de 402 enquanto em fevereiro de 2021 subiu para 8.723. Isso representa um crescimento de representa crescimento 2.070% 

Quanto ao uso do Rocuronio, de Brometo 10mg/5ml, em janeiro de 2020 foram utilizados 214 ampolas e em janeiro de 2021 o número subiu para 2.590, crescimento de 1.110%. Já em fevereiro de 2020 o uso foi de 161 e em fevereiro de 2021 subiu para 3.407, aumento de 2.016%. 

medicamento utilizado para pacientes graves de Covid-19 e precisam ser intubadosRocurônio é um dos medicamentos utilizados para pacientes que precisam ser intubados – Foto: Breno Esaki/Divulgação/ND

O medicamento Dextrocetamina, de  Cloridrato 50mg/2 ml, indicado como anestésico único, foi utilizado pelo HRO, em janeiro de 2020, cerca de 448 amplos, enquanto em janeiro de 2021 o número subiu para 4.121, aumento de 820%. Em fevereiro de 2020 foram 327 ampolas e em fevereiro de 2021 o número chegou a 6.281 ampolas, crescimento de 1.820%. 

Com relação ao uso do medicamento Midazolam, de Cloridrato 15mg/3ml, foram utilizadas 181 ampolas em janeiro de 2020 e 37.944 ampolas em janeiro de 2021, aumento de 20.863%. Em fevereiro de 2020 o uso foi de 208 e no mesmo período deste ano de 64.648, crescimento de 30.980%. 

SES emprestou medicamentos

A SES (Secretaria de Estado da Saúde) informou que realizou a doação e o empréstimo de diversos medicamentos do “kit intubação” para os hospitais filantrópicos, nos quais se enquadram o HRSP e o HRO, e unidades de saúde dos municípios catarinenses.

Segundo o Estado, desde o início da pandemia, doações ultrapassam os R$ 4 milhões e foram repassadas 203,6 mil doses.

A SES afirma que, além de recursos e equipamentos repassados para garantir o enfrentamento à pandemia, também foram emprestados medicamentos que somam R$ 380 mil e 57.508 doses. Mais de 50 unidades hospitalares foram beneficiadas em todas as regiões de Santa Catarina. 

Entre as medicações fornecidas pela Secretaria de Estado da Saúde estão Cloridrato de Dextrocetamina, Propofol, Fentanila, Atropina, Diazepan, Midazolan, Morfina, Atracúrio, Magnésio, Noradrenalina/Norepinefrina, Etomidato e Rocurônio.

Com colaboração de Bruna Stroisch. 

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