Hospital Infantil de Florianópolis está sem cateter de oxigênio a bebês, diz sindicato

SindSaúde cita depoimentos de profissionais sobre a falta do item básico

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

O Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, está sem cateter para oxigênio de bebês, de acordo com nota enviada pelo SindSaúde com exclusividade ao ND+. A informação foi divulgada dois dias depois da morte de uma criança de apenas 2 anos e 4 meses no local, o segundo óbito infantil em apenas 30 dias. Ambos os casos podem ter ocorrido por falta de leitos, de acordo com profissionais de saúde, o que é negado pelo Estado.

SindSaúde alega que denúncias de profissionais explicam a falta do item – Foto: Pixabay/Divulgação/NDSindSaúde alega que denúncias de profissionais explicam a falta do item – Foto: Pixabay/Divulgação/ND

“Eles afirmaram que ainda estão em falta alguns dos insumos básicos, como por exemplo um cateter nasal de oxigênio para neonatos, um suprimento bastante básico e utilizado principalmente nos casos de doenças respiratórias”, escreve o Sindicato.

A nota cita as doenças respiratórias porque a SES (Secretaria do Estado da Saúde) afirma que a alta demanda do hospital ocorre devido a este tipo de complicação.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

“Santa Catarina enfrenta uma explosão no atendimento a doenças respiratórias, especialmente entre bebês e crianças. Para se ter uma ideia, nos 12 primeiros dias do mês de julho o Hospital Infantil da Capital realizou 7,1 mil atendimentos, contra 8,3 mil em todo o mês de junho”, diz a SES.

Sobre a falta do item, o secretário de Saúde de Santa Catarina, Aldo Baptista, explicou que já foram enviados cateteres para o local. No entanto, de acordo com o SindSaúde, o envio foi de cateteres que não podem ser utilizados por bebês (neonatal).

O secretário afirmou que, ao ser notado qualquer falta de insumos no Hospital, um sistema automatizado do hospital deve ser preenchido. Baptista também alegou que pode haver problema na compra dos materiais, o que, segundo ele, é um problema mundial e não somente de Santa Catarina.

Outra afirmação é de que haverá uma sindicância para comprovar a veracidade das denúncias anônimas de faltas de materiais.

Falta de outro item

Outro exemplo citado pelo SindSaúde é a falta de extensões fotossensíveis. O material, segundo o sindicato, leva a medicação que não pode ter contato com a luz até o organismo do paciente. Geralmente são medicações dadas exatamente a pacientes críticos.

A entidade explica ainda que a falta deste material faz com que os servidores “desperdicem tempo para proteger a medicação de maneira correta”. O procedimento é descrito como algo que tem demandado tempo em um momento em que a procura pelo Hospital Infantil está muito elevada.

De acordo com a SES, nenhuma criança morre por falta deste equipamento, pois ele é utilizado para casos “muito específicos” e para infecções fúngicas. Eles explicam que há outros equipamentos que podem ser utilizados.

Sem concursos

De acordo com o sindicato, desde 2012 não são feitos concursos para as unidades hospitalares. A entidade alega que a falta de contratação gera perdas, uma vez que os profissionais são treinados e “logo saem”.

A SES (Secretaria de Estado da Saúde) explicou que abriu edital nesta quarta-feira (13) para contratação de mais 20 pediatras para atuar no Hospital Infantil Joana de Gusmão. A seleção prevê início imediato de serviço.

Segundo o secretário Aldo Baptista Neto, o objetivo é ampliar a capacidade de atendimento na unidade com o reforço no número de profissionais.

“As demais contratações ocorrem em caráter temporário, modalidade que o SindSaúde/SC ressalta não ser resolutiva. Isso porque estes profissionais, quando são capacitados na área específica que são alocados, terminam seu contrato de trabalho. O fluxo de novos profissionais demanda tempo para o aprendizado das rotinas de cada unidade. Esse regime de contrato também apresenta pouquíssimas garantias trabalhistas”, explicou em nota o Sindicato.

SindSaúde/SC critica a contratação emergencial por seu caráter temporário – Foto: Jonathan Batista/Hospital Bethesda/Divulgação/NDSindSaúde/SC critica a contratação emergencial por seu caráter temporário – Foto: Jonathan Batista/Hospital Bethesda/Divulgação/ND

Novas medidas

Algumas novidades foram anunciadas pelo secretário de Saúde, Aldo Baptista, no início da noite desta quarta-feira (13) para conter o colapso na rede de saúde. Elas dizem respeito ao Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, e ao Hospital Materno Infantil de Santa Catarina, em Criciúma. As medidas foram anunciadas após uma reunião com o governador Carlos Moisés (Republicanos) às 14h30 desta quarta.

De acordo com Baptista, o Hospital Joana de Gusmão terá abertura de 13 leitos clínicos e mais dez leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

No local será feita ainda a criação de um centro chamado de “triagem e atenção inicial”. O atendimento será feito em tendas e containers e deve atender os casos mais brandos.

Ainda no Hospital, a partir desta quinta-feira (14), o Infantil terá a Superintendência de Supervisão de Hospitais Públicos de Santa Catarina para ampliar a capacidade de gestão do Hospital.

Já em Criciúma, o governo anunciou que vai aumentar em R$ 1,7 milhão o repasse ao Hospital Materno Infantil de Santa Catarina para reformas emergenciais. Outros R$ 400 mil serão destinados à contratação de mais profissionais e à compra de mais equipamentos.

Os casos mais brandos em Criciúma serão enviados às UPAS (Unidade de Pronto Atendimento). A ampliação de leitos será feita no Hospital Pediátrico de Içara, com a ajuda da prefeitura e universidade da região. Baptista também anunciou que o governo prestará apoio aos municípios de Criciúma e Grande Florianópolis para abertura de UPAS e contratação de profissionais da área médica.

Secretário de Saúde do Estado Aldo Baptista Neto explica que haverá novas medidas para conter colapso – Foto: SES/Divulgação/NDSecretário de Saúde do Estado Aldo Baptista Neto explica que haverá novas medidas para conter colapso – Foto: SES/Divulgação/ND

Estado vai investigar morte de Bettina

O secretário explicou ainda que o Estado fará um relatório circunstanciado para investigar a morte de Bettina. A menina morreu na madrugada de segunda-feira (11) no Hospital Infantil Joana de Gusmão.

Atendimentos leves estariam lotando Hospital Infantil

De acordo com Baptista, 50% dos casos atendidos no Hospital Infantil Joana de Gusmão poderiam ser resolvidos na atenção básica. Ou seja, nos Centros de Saúde e UPAS. A afirmação, segundo ele, faz com que o local fique lotado de pessoas que não são de atendimentos de urgência somado aos casos urgentes.

Secretário de Saúde de Florianópolis, Carlos Alberto Justo da Silva explica que cerca de 17 mil crianças são atendidas todos os meses na Capital – Foto: Débora Cristina/Divulgação/NDSecretário de Saúde de Florianópolis, Carlos Alberto Justo da Silva explica que cerca de 17 mil crianças são atendidas todos os meses na Capital – Foto: Débora Cristina/Divulgação/ND

Sobre essa alegação, o Secretário de Saúde de Florianópolis, Carlos Alberto Justo da Silva, afirmou que já são atendidos cerca de 17 mil crianças todos os meses na Capital. Justo explica que a cultura de “ir até o Hospital” não é uma particularidade de Santa Catarina, muito menos do Brasil.

Silva alega que o movimento acontece em cerca de 70% dos atendimentos feitos em hospitais em todo o mundo, no qual pessoas “equivocadamente vão até os hospitais por acreditarem que há mais tecnologia disponível”.

No entanto, o secretário argumenta que a prática não justifica a falta de ampliação de atendimento nos hospitais. Silva relata que o problema no Hospital Joana de Gusmão é antigo e já dura cerca de 40 anos.

Tópicos relacionados