O Hospital Municipal São José, de Joinville, no Norte de Santa Catarina, realizou um feito inédito nesta semana: a primeira vez em que dois corações foram captados no mesmo dia para transplante.
Liliani Azevedo, coordenadora da Comissão Hospitalar de Transplantes (CHT) do Hospital São José, explica que a captação de mais de um coração no mesmo dia envolve fatores que raramente acontecem.
“São dois pacientes muito jovens e os dois com aceite de coração. E foi possível organizar duas equipes diferentes para virem até o hospital”, conta. Dos mesmos doadores, ainda foram captados quatro rins, dois fígados e duas córneas, beneficiando até dez pessoas com os transplantes.
A Central Estadual de Transplantes, que fica em Florianópolis, organiza a logística da distribuição dos órgãos captados nos hospitais catarinenses. No caso dos corações captados na segunda-feira (20), um foi para São Paulo e outro para Blumenau.
O transporte contou com o apoio de um helicóptero da Polícia Civil de Santa Catarina e de uma ambulância do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville. De janeiro a maio deste ano, dez pacientes tiveram órgãos captados no hospital, após o consentimento dos familiares.
“A partir do início dos testes para o diagnóstico de morte encefálica, a equipe do hospital começa a acolher as famílias e explicar claramente esses procedimentos. A família passa então a processar a possibilidade de um desfecho de morte”, conta Liliani.
“Durante esse processo, que dura em média 12 horas ou mais, não se fala em doação de órgãos, o ente querido ainda está vivo. Mas o acolhimento da família e a clareza e seriedade do processo, fazem muita diferença”, complementa a coordenadora.
O Brasil é referência em transplantes, sendo o segundo maior transplantador do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. A rede pública de saúde fornece aos pacientes assistência integral e gratuita antes, durante e depois do procedimento.