Idosa de 95 anos pega dengue duas vezes em Florianópolis e neto faz alerta: ‘se cuide’

Até o momento, os casos de dengue em Santa Catarina já ultrapassaram o número de diagnósticos positivos do ano passado

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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Entre o dia 1° de janeiro ao dia 24 de julho de 2023 foram confirmados 96.040 casos de dengue em Santa Catarina. O número é mais do que todos os positivos em 2022, que somava 85,9 mil casos de dengue.

O número acende alerta para a doença, que infectou a avó do estudante Gilles Giovani Bezerra, de 23 anos. A idosa, de 95, pegou a doença duas vezes em apenas 45 dias.

Dengue já soma mais casos em 2023 que em todo o ano de 2022Idosa de 95 anos pegou dengue duas vezes em Florianópolis – Foto: Unsplash/Divulgação/ND

Moradores do bairro Estreito, na região central de Florianópolis, avó e neto moram juntos e viram seus vizinhos também pegarem a doença.

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“Aparentemente estava com um surto no meu bairro, Balneário do Estreito, diversos moradores próximos estavam sendo diagnosticados, acreditamos que tinha algum foco em alguma residência”, conta o estudante que foi diagnosticado com a doença em abril deste ano.

Bezerra conta ainda que nenhum programa da prefeitura da cidade visitou sua residência na data, nem a de seus vizinhos. Esta semana, uma equipe do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) da cidade, visitou a residência.

Combate à dengue

O site oficial do Ministério da Saúde explica que os repelentes devem ser aplicados nas áreas expostas do corpo e por cima da roupa. E devem ser reaplicados de acordo com a indicação de cada fabricante e em caso de suor excessivo ou contato com água.

Para aplicação da forma spray no rosto ou em crianças, o ideal é aplicar primeiro na mão e depois espalhar no corpo, lembrando sempre de lavar as mãos com água e sabão depois da aplicação. Em caso de contato com os olhos, é importante lavar imediatamente a área com água corrente.

Repelentes ambientais e inseticidas também podem ser utilizados em ambientes frequentados por gestantes desde que cumpram as regras de registro na Anvisa e sejam obedecidos todos os cuidados e precauções descritas nos rótulos dos produtos. Por exemplo, a restrição trazida no rótulo que instrua que durante a aplicação não devem permanecer no local pessoas ou animais domésticos.

Use repelentes no combate à dengue Ministério da Saúde reforça uso de repelentes – Foto: Freepik/Divulgação/ND

O estudante faz o alerta de que a doença é grave:

“Acho que além das medidas básicas que estamos cansados de saber, não deixar água parada e manter o imóvel sempre limpo nas áreas externa, acredito que fazer o uso de repelentes é a principal forma de prevenir essa doença e sempre se atentar para fazer o reforço depois de terminado tempo, é uma doença que pode ser leve para algumas pessoas, mas para todos nós aqui de casa foi bem complicado, foram dias e mais dias com febre e muitas dores no corpo”, opina.

Bezerra termina falando que: “que tendo o diagnóstico 1x as chances de pegar uma 2x e se agravar para um caso mais grave são altas, então realmente fazer o uso de repelentes é a melhor forma de se cuidar”.

Dados catarinenses de dengue

De acordo com o último boletim epidemiológico da Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), 151 municípios foram considerados infestados, o que representa um aumento de 13,53% em relação ao mesmo período de 2022, que registrou 133 municípios nessa condição.

Em comparação com o último boletim, houve a inclusão dos municípios de Erval Velho, Vargem Bonita e Zortéa como município infestado. A definição de infestação é realizada de acordo com a disseminação e manutenção dos focos.

Do total de casos confirmados até o momento (96.040), 86.662 são autóctones (transmissão dentro do estado) distribuídos em 124 municípios de Santa Catarina, sendo que 37 municípios atingiram o nível de epidemia.

Joinville segue liderando o número de casos confirmados em Santa Catarina. A cidade acumula 30.792 pessoas já infectadas pela doença. Em seguida vem Florianópolis, com 15.540, e Palhoça, na Grande Florianópolis, com 12.307.

Prevenção contra a dengue

Segundo o Ministério da Saúde, embora existam estudos avançados para vacinas contra a dengue, atualmente nenhuma vacina mostrou-se viável para a prevenção da doença. Portanto, o controle do vetor Aedes aegypti é o principal método para a prevenção e controle para a dengue e outras arboviroses urbanas (como chikungunya e Zika), seja pelo manejo integrado de vetores ou pela prevenção pessoal dentro dos domicílios.

Deve-se reduzir a infestação de mosquitos por meio da eliminação de criadouros, sempre que possível, ou manter os reservatórios e qualquer local que possa acumular água totalmente cobertos com telas/capas/tampas, impedindo a postura de ovos do mosquito Aedes aegypti. Medidas de proteção individual para evitar picadas de mosquitos devem ser adotadas por viajantes e residentes em áreas de transmissão. A proteção contra picadas de mosquito é necessária principalmente ao longo do dia, pois o Aedes aegypti pica principalmente durante o dia.

Proteção individual

  • Proteger as áreas do corpo que o mosquito possa picar, com o uso de calças e camisas de mangas compridas;
  • Usar repelentes à base de DEET (N-N-dietilmetatoluamida), IR3535 ou de Icaridina nas partes expostas do corpo. Também pode ser aplicado sobre as roupas. O uso deve seguir as indicações do fabricante em relação à faixa etária e à frequência de aplicação. Deve ser observada a existência de registro em órgão competente. Repelentes de insetos contendo DEET, IR3535 ou Icaridina são seguros para uso durante a gravidez, quando usados de acordo com as instruções do fabricante. Em crianças menores de 2 anos de idade, não é recomendado o uso de repelente sem orientação médica. Para crianças entre 2 e 12 anos, usar concentrações até 10% de DEET, no máximo 3 vezes ao dia;
  • A utilização de mosquiteiros sobre a cama, uso de telas em portas e janelas e, quando disponível, ar-condicionado.

Os principais sintomas da dengue são:

  • Febre alta meior que 38°C;
  • Dor no corpo e articulações;
  • Dor atrás dos olhos;
  • Mal estar;
  • Falta de apetite;
  • Dor de cabeça;
  • Manchas vermelhas no corpo.

No entanto, a infecção por dengue pode ser assintomática (sem sintomas), apresentar quadro leve, sinais de alarme e de gravidade. Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (naior que 38°C), de início repentino, que geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, além de prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, e manchas vermelhas na pele.

Também podem acontecer erupções e coceiras na pele. Os sinais de alarme são assim chamados por sinalizar o extravasamento de plasma e/ou hemorragias que podem levar o paciente a choque grave e morte. A forma grave da doença inclui dor abdominal intensa e contínua, náuseas, vômitos persistentes e sangramento de mucosas.