Os idosos fizeram parte do grupo prioritário de imunização contra a Covid-19 no ano passado. Entretanto, muitos deles não receberam as doses necessárias da vacina para fortalecer o sistema imunológico. Este déficit na cobertura vacinal impacta diretamente nas mortes e internações hospitalares pela doença.
Os óbitos entre as pessoas mais velhas que não foram vacinadas ou não possuíam esquema vacinal completo foi 47 vezes maior que de idosos vacinados com três doses em Santa Catarina, de acordo com um estudo realizado pela Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica).
Pesquisa comprova que vacinação diminui risco de quadros graves da Covid-19 em idosos e adultos. Foto: Divulgação/NDA pesquisa constatou que a taxa de mortes por infecções do coronavírus na população com mais de 60 anos que não se vacinou ou está com doses em atraso foi de 836 óbitos a cada 100 mil pessoas vacinadas.
SeguirPor outro lado, a taxa de óbitos cai para 17 mortes por 100 mil pessoas imunizadas quando se observa idosos que completaram o esquema vacinal e ainda receberam a dose de reforço.
O cálculo do estudo utilizou dados de novembro de 2021 a janeiro de 2022 e foi feito por meio do número de mortes, e também de registros hospitalares por Covid-19, em relação ao status vacinal de Santa Catarina.
“É uma medida que informa o quanto de uma determinada população não completamente imunizada apresenta de risco em relação a uma população devidamente imunizada”, descreve o superintendente de Vigilância em Saúde do Estado, Eduardo Macário.
A pesquisa, publicada nesta quarta-feira (2), ainda mediu a taxa de hospitalização de pessoas a partir de 60 anos. Ela foi 31 vezes maior entre idosos que não tomaram a vacina ou estão com o esquema vacinal incompleto do que considerando pessoas da faixa etária com duas doses e o reforço.
Para o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, o estudo da Dive/SC é uma ferramenta e um novo argumento para acelerar a vacinação nos municípios catarinenses.
“Isso está sendo considerado para que, a partir desta sexta-feira (4), se faça mais um grande movimento conjunto para trazer a vacinação para todos e principalmente ao público mais vulnerável”, antecipa o secretário.
Mesmo com a vacinação, o sistema imunológico das pessoas mais velhas tende a responder de forma pior do que de uma pessoa jovem, de acordo com Maisa Kairalla, presidente da comissão de imunização da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia).
“O idoso tem um sistema imune comprometido. O organismo responde menos e de forma mais lenta, então é necessário que ele seja reestimulado outras vezes para que consiga uma melhor resposta contra o coronavírus”, explica a geriatra.
Em Santa Catarina, 1.111.217 pessoas a partir de 60 anos já completaram o esquema vacinal primário de duas doses ou dose única. Porém, apenas 666.048 receberam a dose de reforço. Isso significa que mais de 445 mil idosos estão com o reforço em atraso e expostos a infecções mais graves da Covid-19.
Para aqueles que não tomaram a última dose necessária, Kairalla alerta que os mais velhos precisam estar atentos à caderneta de vacinação. “Qualquer doença infecciosa para esse grupo é mais complicada. Por isso, é preciso estar atendo à vacinação da Covid-19 e de outras doenças também”.
Taxas de óbitos e hospitalização dos adultos catarinenses
A Dive/SC também realizou a análise de dados de adultos. A taxa de morte entre não vacinados ou com vacinação incompleta (27,3 óbitos por 100 mil habitantes) foi 39 vezes maior do que naqueles que receberam a dose de reforço (0,7 óbitos por 100 mil pessoas).
Com relação aos registros hospitalares, a conclusão foi que a taxa de hospitalização entre os que não se vacinaram ou estão com doses em atraso (116 a cada 100 mil indivíduos) foi 20 vezes maior do que naqueles que receberam todas as doses (5,9 casos por 100 mil pessoas).
Analisando o contexto em que Santa Catarina se encontra, o secretário de Estado da Saúde reforça que a vacinação segue como a principal forma de conter a transmissão do coronavírus. “Doença infectocontagiosa é combatida com vacina há quase um século. É a vacina que vai nos tirar da pandemia”, reitera.