Imagens de satélite obtidas em várias cidades chinesas e divulgadas nesta terça-feira (10) pelo jornal “Washington Post” capturaram aglomerações em crematórios e funerárias. As imagens foram feitas enquanto o país continua sua batalha contra uma onda sem precedentes de infecções por Covid-19 após o fim de severas restrições pandêmicas.
As fotos foram tiradas pela empresa de tecnologia Maxar no final de dezembro e início de janeiro e mostram uma funerária nos arredores de Pequim, que parece ter construído um novo estacionamento, com filas de veículos esperando do lado de fora das funerárias.
Foto de satélite mostra funerárias lotadas na China – Foto: Reprodução/@samueloakford/NDA China recentemente se afastou de sua abordagem estrita de Covid zero para o vírus, que provocou agitação em massa após mais de dois anos de controles rígidos sobre a vida pessoal dos cidadãos.
SeguirA política rígida da China protegeu sua população de mortes em massa observadas nas nações ocidentais, o contraste foi repetidamente enfatizado pelo Partido Comunista para falar de uma suposta superioridade de suas restrições. No entanto, o custo foi alto para a população que protestou contra as políticas de Covid zero.
Desde que essas regras foram suspensas, as pessoas recuperaram a liberdade de viajar pelo país.
O número de mortos é real?
As imagens mostram que os crematórios estão lotados no país. Enquanto isso, o número oficial de mortes por Covid-19 na China desde que afrouxou as restrições permanece em apenas 37 mortes registradas desde 7 de dezembro.
À medida que surgem relatos de hospitais e funerárias sobrecarregados, a China enfrenta acusações da OMS (Organização Mundial da Saúde) e dos Estados Unidos de que está sub-representado a gravidade do surto atual. Por isso, as principais autoridades globais de saúde pedem a Pequim que compartilhe mais dados sobre a propagação explosiva.
OMS acusa país de estar subnotificando dados de mortos – Foto: Unsplash/Divulgação/ND“Continuamos pedindo à China dados mais rápidos, regulares e confiáveis sobre hospitalizações e mortes, bem como sequenciamento viral mais abrangente e em tempo real”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva em Genebra na quarta-feira.
“A OMS está preocupada com o risco de vida na China e reiterou a importância da vacinação, incluindo doses de reforço, para proteger contra hospitalização, doenças graves e morte”, disse ele.
O diretor-executivo para emergências de saúde da OMS, Mike Ryan, disse que os números divulgados pela China “sub-representam o verdadeiro impacto da doença” em termos de internações em hospitais e UTI, bem como mortes.
O repórter Samuel Oakford, autor da matéria do jornal americano, publicou em seu Twitter oficial um vídeo da fila em uma funerária conhecida em Xangai, na China. As imagens foram filmadas por moradores e publicadas no Douyin – a versão chinesa do TikTok – no final de dezembro.
We verified footage taken at two well-known funeral parlors in Shanghai. This video, posted to Douyin — the Chinese version of TikTok — in late December, showed crowds outside Baoxing Funeral Home. The user complained that among those waiting hours were "scalpers" holding spaces. pic.twitter.com/Cx1K0nY2j3
— Samuel Oakford (@samueloakford) January 10, 2023