Impasse aos pacientes com Diabetes em Joinville difícil de terminar

Reunião na comissão de saúde da câmara de Vereadores ouviu representantes do estado e município, mas sem resposta de quem hoje é responsável por distribuir as insulinas análogas: a União.

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O tema vem sendo debatido há alguns meses na Câmara de Vereadores de Joinville até porque este ano voltou a situação de emergência a um grupo de pacientes do tipo Diabetes 1. Mas depois de cerca de uma hora e meia de reunião na Comissão de Saúde, não houve uma resposta concreta para solucionar.

Um impasse que segue em Joinville e angústia de muitos pacientes carentes, que não possuem condições de comprar a chamada insulina análoga.

Juracema teme pela saúde do filho sem a insulina – Foto: Reprodução/NDTVJuracema teme pela saúde do filho sem a insulina – Foto: Reprodução/NDTV

Representantes das secretarias de Saúde do estado e município estiveram presencial e virtualmente para explicar como hoje está a situação em cada âmbito. No caso da cidade, por exemplo não há alternativa pois cabe a União realizar a compra e distribuição. O diretor da secretaria municipal de saúde, Andrei Popovski Kolaceke, apresentou números.

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Em 2017 foram cerca de R$ 4 milhões para essa destinação de compra de insulinas de ação prolongada. Em Joinville, o custo ficaria em torno de R$ 30 milhões por ano para cerca de 1,2 mil pacientes que dependem.

Representando o secretário de estado da Saúde, André Mota Ribeiro, o servidor do estado, Eduardo Wagner, também passou para o governo federal a responsabilidade pois não há dinheiro no orçamento para arcar com esses custos.  Mesmo com uma licitação hoje para fazer, demandaria muito tempo, algo que um paciente não pode esperar.

De forma virtual, a coordenadora da Advocacy da Associação Diabetes Brasil informou que há uma licitação prevista pelo governo federal, mas para início de 2022.

O pedido é para pacientes que realizam o tratamento do Diabetes tipo 1, em torno de 10% do total dos diabéticos já diagnosticados em Joinville. O problema é que são crianças, adultos e idosos que apresentam maior instabilidade pois não tem reserva no pâncreas e por isso precisam da insulina específica, a Glargina.

A médica endocrinologista que atua no SUS, Tanise Balvedi Damas, trouxe informações preocupantes. Ficar sem a insulina de ação lenta e usar as fornecidas pelo SUS coloca vidas em risco. Do nada pode dar hipoglicemia e um acidente acontecer, como foi com uma paciente dela recentemente que estava de bicicleta, passou mal de repente e sem sentir e foi atropelada.

Outro ponto agravante é a pandemia: a alta ocupação de leitos compromete a internação de diabéticos. Ela citou: em torno de 44% das internações tem diabetes como base e pode gerar alta taxa de mortalidade cardiovascular.  A insulina de ação rápida está chegando, mas a lenta ainda não atende a quem precisa, mesmo já tendo sido aprovada pelo Comitê Nacional que trata de Diabetes.

Joinville tem uma ação civil pública que garante o direito, das marcas Novomix 30 e Asparte, mas há também uma lei de 2017 aprovada e sancionada que trata da distribuição da insulina rápida válida. Os autores inclusive, são dois ex-deputados, médicos endocrinologistas. Dr. Coruja e Dr. Dalmo Claro daqui de Joinville.

Sem qualquer encaminhamento concreto, o que se pediu portanto, foi que representantes do âmbito municipal e estadual possam buscar e apresentar alternativas viáveis. O pleito deverá também ser encaminhado aos deputados federais daqui da região para ganhar força e levar o assunto ao governo federal. Enquanto isso, fica a permanente preocupação, que lamentavelmente, parece não ter prazo para acabar.

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