Imprensa argentina repercute fala de Topazio sobre virose em Florianópolis; ‘férias com piriri’

Jornal Clarín afirma que as autoridades "minimizaram" o surto da virose em Florianópolis ao atribuir responsabilidade ao preparo dos alimentos; prefeitura nega repercussão negativa

Foto de Beatriz Rohde

Beatriz Rohde Florianópolis

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Um vídeo publicado pelo prefeito Topazio Neto (PSD), na segunda-feira (6), repercutiu ao atribuir a culpa do surto de virose em Florianópolis aos alimentos comercializados sem autorização nas praias. O caso foi noticiado pela imprensa internacional.

Topazio Neto alerta para queijo coalho em meio a virose em FlorianópolisDiante do surto de virose em Florianópolis, o prefeito Topazio Neto alertou para o risco do queijo coalho e outros produtos vendidos sem autorização nas praias – Foto: @topaziofloripa/TikTok/ND

“Se não quer passar as férias com piriri, já sabe: nada de queijinho e outros alimentos perigosos para sua saúde”, advertiu o prefeito nas plataformas TikTok e Instagram.

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Imprensa argentina repercute fala de Topazio sobre virose em Florianópolis

O surto de virose em Florianópolis ganhou destaque na Argentina. O jornal Clarín afirmou na segunda-feira que as autoridades de Santa Catarina “minimizaram” a situação ao atribuir a responsabilidade ao preparo dos alimentos, descartando que a qualidade da água seria o problema.

“No entanto, no mapa do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina há vários pontos da ilha marcados em vermelho, por considerar que os níveis de toxicidade são ‘impróprios’ para banho. Inclusive alguns pontos de Canasvieiras, Ingleses e Jurerê, praias mais escolhidas pelos argentinos”, contrapôs a reportagem do Clarín.

Canal de televisão argentino destaca a declaração de Topazio sobre o queijo coalho – Foto: Divulgação/NDCanal de televisão argentino destaca a declaração de Topazio sobre o queijo coalho – Foto: Divulgação/ND

A situação também foi noticiada pela televisão argentina. O C5N (Canal 5 Notícias) falou em “água suja” que está intoxicando turistas argentinos. O canal ainda citou o “polêmico vídeo do prefeito de Florianópolis” que “culpa o queijo e os vendedores ambulantes” pelo surto de diarreia.

Prefeitura de Florianópolis nega que vídeo teve repercussão negativa

Ao ND Mais, a comunicação da Prefeitura de Florianópolis negou que o vídeo do prefeito Topazio Neto nas redes sociais tenha repercutido negativamente.

Prefeito de Florianópolis, Topazio NetoPrefeitura nega que Topazio tenha culpado o queijo coalho pelo surto de virose em Florianópolis – Foto: Diogo de Souza/ND

“A gente não considerou repercussão negativa. Ele ganhou cinco mil seguidores com essa postagem”, afirmou a assessoria, destacando também as 43 mil curtidas no Instagram e 72 mil no TikTok.

A prefeitura ainda negou que o prefeito tenha culpado o queijo coalho pelo surto de virose em Florianópolis. “Algumas pessoas interpretaram da sua própria forma. Ele jamais falou que era culpa do queijo, usou como exemplo de alimento que é perigoso, só”, esclareceu a assessoria.

Surtos de virose em Florianópolis aumentam no verão

Ponto impróprio para banho em FlorianópolisUma das principais recomendações para evitar a contaminação é não frequentar locais impróprios para banho – Foto: Flavio Tin/Arquivo/ND

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, os casos de diarreia na última semana atingiram o maior número da série histórica, que considera a média dos últimos cinco anos.

Os surtos de virose em Florianópolis são comuns no verão. Os principais sintomas da doença são dores abdominais, diarreia e vômito, acompanhados ou não de febre.

“Doenças diarreicas costumam ter comportamento sazonal, aumentando nas estações de calor, juntamente ao crescimento populacional, todos os anos”, informou a Secretaria Municipal de Saúde.

Mapa do IMA mostra locais em Florianópolis onde a água é imprópria para banho – Foto: Reprodução/IMA/NDMapa do IMA mostra locais em Florianópolis onde a água é imprópria para banho – Foto: Reprodução/IMA/ND

Uma das principais recomendações da Dive-SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) para evitar a contaminação é não frequentar locais impróprios para banho.

Segundo o último relatório de balneabilidade do IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina), publicado nesta quinta-feira (9), há 28 pontos impróprios para banho em Florianópolis, o que representa 32% dos 87 locais monitorados na cidade”, ressaltou.