Infectados com Covid-19 podem apresentar encolhimento do cérebro, revela estudo

Universidade de Oxford atestou, com base em análises do cérebro de 785 pessoas, que massa cinzenta pode apresentar alterações após infecção por Covid

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Redação ND Florianópolis

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Um estudo publicado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, divulgado na última segunda-feira (7), mostrou que a Covid-19 pode fazer o cérebro encolher. Os pesquisadores indicaram que a massa cinzenta das regiões que estão relacionadas ao controle das emoções e à memória são reduzidas, enquanto as áreas cerebrais que controlam o olfato são danificadas.

Partes do cérebro podem ser afetadas pela Covid-19 após infecção – Foto: Freepik/Divulgação/NDPartes do cérebro podem ser afetadas pela Covid-19 após infecção – Foto: Freepik/Divulgação/ND

Isso pode explicar o motivo de algumas pessoas diagnosticadas com a doença e que desenvolveram apenas quadros leves terem ficado com o olfato e a memória prejudicados temporariamente. A equipe de profissionais investigou 785 pessoas com idades entre 51 e 81 anos.

“Apesar da infecção ser leve para 96% dos nossos participantes, observamos uma maior perda de volume de massa cinzenta e maior dano tecidual nos participantes infectados, em média de 4 a 5 meses após a infecção”, disse a autora do estudo, Gwenaëlle Douaud.

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Os voluntários tiveram seus cérebros escaneados duas vezes durante a pesquisa, antes e depois da infecção, com intervalo médio de 141 dias entre as sessões, e passaram por testes cognitivos.

“Eles também mostraram maior declínio em suas habilidades mentais para realizar tarefas complexas. Essa piora mental estava parcialmente relacionada a essas anormalidades cerebrais”, concluiu Douaud.

Em média, o tamanho total do cérebro dos participantes encolheu entre 0,2% e 2% em comparação a pessoas que não foram infectadas. Os autores escreveram que “essa nova visão sobre os efeitos prejudiciais da Covid-19 contribuirá para nossa compreensão geral de como a doença se espalha pelo sistema nervoso central”.

Até o momento, nenhum tratamento foi disponibilizado para este quadro clínico, que aparece somente após a recuperação da doença. Os pesquisadores estão focados em controlar os sintomas.

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