Mesmo um maruim sendo tão pequeno, medindo cerca de dois a três milímetros, com a infestação que Luiz Alves (SC), no Vale do Itajaí, vive, é possível ver o inseto a olho nu, além de deixar marcas bem visíveis que está por ali. E a reportagem da NDTV sentiu isso ‘na pele’.
Infestação de maruim colocou Luiz Alves (SC), no Vale do Itajaí, em situação de emergência. – Foto: Reprodução/NDTVAntes da equipe do Balanço Geral Itajaí chegar à cidade, foi passado um repelente para evitar as picadas. Mesmo assim, minutos depois, marcas estavam espalhadas pelo corpo. Se em tão pouco tempo ficou assim, imagina-se a situação de quem convive todos os dias com o inseto, sem ter muitos recursos para se proteger.
“Hoje, a gente tem que trabalhar de calça comprida e de camisa de manga comprida”, revela o agricultor Bertonilo Vilvert, que adicionou ainda o sofrimento causado pelo calor. “No entanto, se você trabalhar sem uma camisa de manga comprida, começa a dar coceira, e tem pessoas que são alérgicas”, pontua.
Maruim, que significa mosca pequena, é um inseto também conhecido como mosquito-pólvora, por conta da sua cor escura. Sua picada é dolorida e causa coceira, hematomas, e em algumas pessoas alérgicas, pode causar reações mais intensas.
Mesmo os repelentes não protegem totalmente contra as picadas do mosquito. – Foto: Reprodução/NDTVO tratamento é feito, basicamente, com anti alérgicos ou sintomáticos para aliviar a dor, segundo o infectologista Bernardo Almeida. Em alguns casos, pode ser necessário atendimento médico. “Se muito intenso, (o ideal é) buscar um profissional habilitado para avaliar e indicar o melhor esquema”, ressalta o especialista.
Luiz Alves tem ambiente propícios à reprodução do maruim
O material orgânico em decomposição, misturado à umidade, é o ambiente perfeito para o inseto se proliferar. A fêmea, que é quem pica, coloca seus ovos em locais úmidos e ricos em matéria orgânica que está se decompondo.
Os ovos eclodem entre 2 e 7 dias, e as larvas se desenvolvem em três semanas. Depois, se enterram na lama ou areia e se transformam em pupas. Em apenas três dias, já são insetos adultos.
Pessoas que possuem algum tipo de alergia podem ter complicações com a picada do maruim. – Foto: Reprodução/NDTV“No meio rural, o controle é muito mais difícil”, ressalta o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Luiz Alves, Ronivandro Piccini”. (Isso) porque são muitos os locais que a fêmea encontra a possibilidade de colocar esses ovos”.
Essa facilidade de reprodução nas áreas rurais, de acordo com o secretário, é por conta de muitas das atividades envolverem matéria orgânica. A criação de animais e plantação de bananas e hortaliças, por exemplo, criam essas condições favoráveis.
Ambientes que envolvem atividades com matéria orgânica são propícios à reprodução do inseto. – Foto: Reprodução/NDTVA prefeitura de Luiz Alves decretou, em 27 de março, situação de emergência por ela epidemia do maruim. Antes, o mosquito se concentrava apenas nas regiões rurais, e agora, já está nas áreas urbanas.
Por enquanto, uma das únicas formas de evitar ser picado é tentar ficar em ambientes fechados com ar-condicionado ligado. Como não é todo mundo que pode usufruir de um ambiente climatizado, o problema torna-se difícil de combater.
*Reportagem de Maressa Machado para o Balanço Geral Itajaí