A investigação do MP-SC (Ministério Público) sobre a contratação emergencial, em 2017, da empresa OZZ Saúde pelo Estado de Santa Catarina para a gestão do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi arquivada. A decisão foi tomada na sexta-feira (14).
Samu em Santa Catarina – Foto: Julio Cavalheiro/Divulgação/NDConforme o promotor de Justiça, Thiago Carriço de Oliveira, a dispensa de licitação foi justificada “para evitar a paralisação dos serviços”. A alegação foi que o serviço prestado até então pela organização social SPDM (Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) era “deficitário”.
Outro ponto da denúncia – também esclarecido – foi o fato de a contratação ter sido feita pelo Corpo de Bombeiros Militar, que seria “órgão sem legitimidade” para tal.
SeguirAs investigações mostraram que havia um termo de Termo de Cooperação Técnica entre os Bombeiros e a Secretaria de Estado da Saúde para a “gestão compartilhada” do atendimento pré-hospitalar.
Crise se repete; entenda o caso
Na virada de 2021 para 2022 foi a vez da OZZ Saúde sair de cena. Desde 1º de janeiro a Fahece (Fundação de Apoio ao Hemosc/Cepon) assumiu o serviço – também contratada com dispensa de licitação – até 30 de junho.
- Em 22 de setembro, o TCE-SC determinou uma nova licitação.
- Em outubro, a Secretaria da Saúde constituiu uma comissão para organizar o processo.
- Em 28 de outubro, a Saúde anunciou a abertura do edital.
- Em 10 de novembro, audiência na Comissão de Saúde da Assembleia alertou para o prazo curto para a transição das gestões.
- Em 14 de dezembro foi encerrado o prazo para apresentação de propostas.
- Em 15 de dezembro foram abertos os envelopes e duas empresas foram habilitadas: Fahece, que administra o Hemosc e o Cepon; e o Imas, que administra os hospitais Florianópolis e Balneário Camboriú.
- Em 22 de dezembro encerrou o prazo para recursos. Uma das duas empresas desclassificadas, a Ideas pediu a impugnação do edital.
- Em 23 de dezembro foi anunciado o contrato emergencial de 180 dias com a Fahece, a partir de 1º de janeiro.
- Em 23 de dezembro o Ministério Público do Trabalho mediou uma sessão que evitou a greve dos funcionários do Samu.
- Em 27 de dezembro foi realizada a primeira reunião sob comando da contratada emergencial.
- Em 30 de dezembro terminou o prazo para contrarrazões.
- Em 31 de dezembro terminou o contrato do Samu com a OZZ Saúde.
- Em 1º de janeiro a Fahece assumiu a gestão por 180 dias.
- Em 5 de janeiro, às 9h, deveria ter sido anunciada a empresa que ganhou a licitação, por meio da abertura dos envelopes. A etapa foi adiada.
- Antes de tudo, o Estado já havia aplicado multas milionárias na empresa gestora por descumprimento do contrato, o que não vinha surtindo efeito.
Com reportagem de Lúcio Lambranho