Com apenas três leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para pacientes com Covid-19 disponíveis e mais de cem pessoas em SC esperando por uma vaga, Itajaí se prepara para um possível colapso na saúde, e para ter que escolher quem vive.
O chamado “Protocolo de Sofia” é um procedimento médico, conforme explica o secretário de Saúde do município, Emerson Duarte, onde a equipe tem que escolher entre dois pacientes, quem tem melhores chances de sobreviver.
Secretário de Saúde de Itajaí, Emerson Duarte, fala sobre o novo decreto – Foto: Matheus Nunes/NDTVNa prática, isso significa que, “se você tem um jovem e um idoso buscando um leito de UTI, vai se optar pela pessoa mais jovem”, explicou o secretário.
Seguir“Infelizmente, a gente sabe que o processo de conscientização, está menos aflorado na comunidade jovem. Eu não falo nem quem precisa ir trabalhar, mas sim do mundo das diversões. Essas pessoas estão se contaminando e contaminando idosos, pessoas com comorbidades, deficientes permanentes, e nos preocupa muito”, ressalta.
De acordo com o secretário, atualmente, o sistema de saúde não tem fôlego para uma “competição por leitos”. A decisão de fechar as escolas e restringir o comércio, segundo Duarte, foi “pelas pessoas”.
Fechamento das escolas
O decreto que suspende as aulas presenciais em Itajaí, segundo o secretário, “foi uma situação bem dura”. Ele explica que estudos mostram que o vírus causa uma memória imunológica em crianças, que podem vir a ter doenças mais graves no futuro.
Além disso, ele ressalta que crianças são um grande vetor do vírus e que, mesmo com protocolos sanitários, “as crianças não conseguem se conter, elas se abraçam, emprestam materiais, e mesmo que os professores ensinem, não conseguem conter 100%”.
“Se com um decreto, que tem força de lei, não conseguimos inibir a circulação, imagina um professor levantando a voz e pedindo que um aluno não abrace o outro”, pontua.
“Não é lockdown”
“É uma decisão bem dura, mas não é pra sempre”.
Conforme explica o secretário, o período de suspensão de duas semanas é para que o sistema de saúde tenha fôlego. “Nossos profissionais de saúde estão cansados”, lembra.
Em Itajaí, 345 pessoas já morreram vítimas do vírus, e mais de 16 mil já se contaminaram. “E as pessoas ainda não conseguem enxergar que a pandemia está aí”, pontua Duarte.
Apesar disso, o secretário explica que as medidas são duras, em especial no âmbito econômico, mas que o decreto municipal ainda não impõe um lockdown (fechamento total).
“São medidas para diminuir a circulação”, explica. O decreto municipal restringe o funcionamento de comércios, de bares e restaurantes a shopping centers e academias, entre o período das 6h às 22h. A circulação fica proibida em praias e parques, por exemplo. Confira todas as regras.
Itajaí recebeu reforço de 12 policiais para a fiscalização das medidas sanitárias – Foto: PM Itajaí/DivulgaçãoReforço policial
Para fiscalizar as medidas do novo decreto municipal e do estadual, o governo do Estado disponibilizou policiais que trabalhariam na Operação Veraneio para atuar exclusivamente na fiscalização.
O 1º BPM (Batalhão de Polícia Militar) de Itajaí recebeu 12 policiais para atuar fiscalizando as medidas impostas pelos decretos.
Vacinação
Até esta sexta-feira (26), Itajaí já tinha mais de 3 mil moradores vacinados. Foram 3.791 primeiras doses aplicadas, e mais 1.081 das segundas doses.
Segundo o secretário, a chegada das vacinas criou uma falsa sensação de segurança nas pessoas, mas isso não significa que a pandemia está acabando.
“Nós vamos ter segurança para a nossa comunidade quando tivermos 88% da população vacinada”, explica. No entanto, não há doses disponíveis para isso.
Itajaí já registrou a intenção de compra do imunizante da Pfizer. O município oficializou o pedido à farmacêutica na tarde da última quarta-feira (24).
A iniciativa partiu da autorização do STF (Supremo Tribunal Federal) para que estados e municípios adquiram o imunizante. Mesmo assim, segundo o secretário Emerson Duarte, todas as fabricantes estão compromissadas com o Ministério da Saúde.
Segundo secretário, a prioridade máxima é frear a circulação do vírus – por isso os decretos. Depois disso, é aumentar o número de leitos, tanto de UTI quanto de retaguarda. A terceira prioridade do município é a obtenção de vacinas.