Um engenheiro de Joinville, no Norte do Estado, desenvolveu uma bolha impermeável para auxiliar pacientes com dificuldades respiratórias. Batizada como BRIC (Bolha de Respiração Individual), o produto vem sendo usado no tratamento de pacientes diagnosticados com Covid-19.
Equipamento vem sendo usado no tratamento de pacientes com Covid-19 – Foto: Empresa de Tecnologia/DivulgaçãoO engenheiro em computação, Guilherme Thiago de Souza, foi o idealizador da ideia. Segundo ele, o objetivo era desenvolver um projeto de respiradores. Porém, durante a pesquisa, ele percebeu o quanto era complexo o desenvolvimento do equipamento.
“O objetivo era desenvolver uma solução, em curto espaço de tempo, que ajudasse as pessoas. Foi aí que percebemos que os respiradores não ficariam prontos em tempo hábil e talvez não fosse a melhor solução”, explica.
Durante a pesquisa, o engenheiro, então, descobriu a interface da bolha que já vinha sendo utilizada em outros países. Após ver que seria possível criar o equipamento ele, então, desenvolveu a BRIC. O primeiro protótipo demorou 40 dias para ficar pronto.
Bolha ajuda na respiração dos pacientes
O funcionamento da bolha é simples: ela se conecta com um ventilador mecânico para fornecer o oxigênio puro ao paciente, que, depois, expele o gás carbônico. O equipamento é de uso individual e garante, ainda, que os profissionais de saúde acabem não se contaminando durante o tratamento.
“Imagine que ela é uma coisa que fica envolta na sua cabeça e que cria uma atmosfera que não gera vazamentos. Com isso, consigo criar uma pressão maior na cabeça do paciente e variar os gases lá dentro, ou seja, posso saturar o oxigênio para suprir uma deficiência pulmonar”, explica.
O equipamento foi liberado pela Anvisa há cerca de dois meses. Atualmente, ele já está presente em 31 hospitais de nove estados brasileiros. A bolha custa em média R$ 1.400,00.
Médico foi o primeiro usuário da bolha
O primeiro teste ocorreu no Hospital das Clínicas, em São Paulo. O paciente escolhido para experimentar o equipamento, e carinhosamente apelidado de “01”, foi o cirurgião cardiovascular Arthur Raol.
Ele, que foi diagnosticado com Covid-19, estava com 70% dos pulmões comprometidos e próximo de ser encaminhado à UTI quando iniciou o uso da bolha.
“A cereja do bolo foi o capacete. Chegou ao ponto que os medicamentos não estavam funcionando para a melhora pulmonar. Mas, o capacete, me deu uma forma de respirar muito mais confortável”, relembra.
Arthur usou o equipamento durante nove horas por cinco dias. Depois de uma nova tomografia foi constatado que o pulmão estava melhor.
“Realmente o capacete foi o que deu o pontapé para me levar para fora do hospital”, conta.
Para especialista, método é menos invasivo
Segundo o pneumologista e professor de medicina da USP (Universidade de São Paulo), Marcelo Amatto, o processo do uso da bolha é menos invasivo e doloroso ao paciente. Além disso, o equipamento não causa lesões, diferente de um procedimento de intubação.
“A bolha imitaria o efeito de um ventilador mecânico, mas sem necessidade da inserção do tubo oreotraquial, que causa uma grande lesão na laringe do paciente”, explica.
Além de não ter dor, outra vantagem é vista no uso do equipamento em pacientes idosos.
“Os idosos tem pouco tecido subcutâneo. Então se você tenta fazer uma ventilação com máscara, vai ser muito mais complicado, por isso o idoso se beneficia muito com o capacete”, conta.