“Espero que eu possa respirar normal, voltar a ter uma vida normal”. Este é o sentimento de Suzana Lopes, 47 anos, que foi diagnosticada com dengue em maio de 2022. Após mais de um ano, a moradora de Joinville ainda vive com sequelas da doença.
Joinville já registrou 37 mortes por dengue até esta sexta-feira (4) – Foto: Dive/Divulgação/NDA terapeuta ocupacional sobreviveu à doença, mas não sem passar por um período de 15 dias em coma. Hoje, carrega outros problemas de saúde ocasionados pela dengue. “Ressalto que não tenho e nunca tive nenhuma doença pré-existente e minha imunidade estava tudo certo”, destaca Suzana.
Entre os problemas que mais enfrenta hoje estão os acarretados pela respiração. “[Após pegar dengue] fui entubada e fiquei em coma por 15 dias. Tive que usar traqueostomia. Retornei ao trabalho no dia 1º de agosto de 2022, quando começou a sequela, as estenoses da traqueia [problema respiratório grave]. Passei por mais de sete cirurgias e tive que usar traqueo novamente e sonda gástrica por nove meses”, conta Suzana.
Em março deste ano, a terapeuta retirou a traqueostomia e a sonda. Porém, em junho, teve novamente estenose nas cordas vocais e glote. Ela precisou ser internada novamente e voltou a usar traqueo, que posteriormente foi retirada. Agora, neste início de agosto, Suzana passou por outra cirurgia, para conter a estenose e, por isso, usará a traqueostomia novamente.
“Depois da dengue minha respiração ficou ofegante, impedindo de realizar pequenos esforços devido às sequelas na garganta da entubação. Espero poder respirar normalmente e voltar a ter uma vida normal, podendo voltar a trabalhar, fazer minhas atividades físicas, caminhar, dançar. Viver a Vida de forma plena e com qualidade”, diz Suzana.
À esquerda, Suzana antes de contrair dengue. À direita, ela no hospital para a cirurgia que realizou nesta 1ª semana de agosto – Foto: Arquivo Pessoal/NDCidade do Sul do Brasil com mais mortes
Suzana é uma das centenas de pacientes atendidas com dengue em Joinville, que soma mais de 32 mil diagnósticos da doença somente em 2023. Além disso, a cidade do Norte de Santa Catarina é o município do Sul do Brasil com mais registros de morte por dengue – são 37 até esta sexta-feira (4). Em seguida, está Londrina, no Paraná, com 29 mortes. Já no Rio Grande do Sul, a cidade com maior número de óbitos é Ijuí, com nove.
Conforme a Prefeitura de Joinville, entre as ações do governo municipal para identificar as mortes por dengue e evitá-las está a investigação epidemiológica.
“Nos casos de óbito suspeitos de dengue, mesmo que no atestado de óbito apareça causas como ‘falência múltipla de órgãos’ ou ‘infecção generalizada’ a equipe técnica da Secretaria da Saúde investiga a evolução do paciente para identificar o que levou ao óbito. Esse trabalho se qualifica ano após ano e é fundamental para orientar sobre as ações que devem ser realizadas”, diz.
A partir disso, cita a prefeitura, foi verificado que, em 2022, os pacientes chegavam às Unidades de Saúde com quadros mais graves, principalmente de desidratação. Neste ano, então, foi desenvolvida uma campanha que incentivava que a população buscasse atendimento médico logo nos primeiros sintomas.
No pico dos focos, houve também a criação da Central da Dengue, local para atendimento específico dos pacientes. Os profissionais da rede receberam capacitações e estão preparados para o atendimento dos pacientes tanto nas Unidades Básicas de Saúde da Família, quanto em UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e hospital. Atualmente, a Central de Dengue está desativada em junho, já que o número de atendimentos semanais baixou.
No mês de julho, foi registrada queda no número de pacientes com dengue – Foto: Prefeitura de Joinville/DivulgaçãoO que a prefeitura de Joinville tem feito
A Prefeitura de Joinville informou que realiza rotineiramente mutirões de limpeza nos bairros. “No dia 1º de abril um grande mutirão foi realizado envolvendo mais de 600 pessoas entre servidores da Prefeitura, forças de segurança e voluntários. Mais de 6 mil pontos foram vistoriados, entre residências, comércios, terrenos baldios e construções. A população estimada das localidades onde a ação foi realizada é superior a 34 mil pessoas”, informou a prefeitura.
Segundo a prefeitura, a Secretaria da Saúde realiza estas ações estratégicas de acordo com o período epidemiológico. Os mutirões são ações realizadas quando há aumento na quantidade de casos confirmados, como ocorreu no mês de abril, por exemplo.
A Prefeitura de Joinville reforçou que a Secretaria da Saúde não deixou de realizar mutirões. Neste ano eles foram realizados nos bairros Morro do Meio, Comasa, Bom Retiro, Nova Brasília, Floresta e Jardim Paraíso.
Neste momento, quando há redução na quantidade de casos de pessoas confirmadas, as atividades são focadas em ações individuais, por exemplo, as visitas domiciliares para orientação dos moradores, explica a prefeitura. Agentes de combate às endemias trabalham durante o ano todo em ações de fiscalização e orientação nos bairros de Joinville. O foco principal costuma ser nos locais onde há concentração de pessoas doentes e também a maior quantidade de focos positivos.
“Um cronograma é preparado e ele inclui a visita quinzenal em cerca de 800 pontos que são mapeados atualmente como locais com maior risco para proliferação das larvas, como cemitério e ferros velhos, por exemplo”, diz a prefeitura por meio da assessoria.
O trabalho de combate e prevenção ao mosquito ocorre o ano todo. Nos depósitos que apresentam condições para a proliferação do mosquito e não podem ser eliminados, como bocas de lobo e caixas de passagem, a medida adotada pela Vigilância Ambiental é o tratamento com larvicidas que eliminam larvas e mosquitos adultos.
É feito também o monitoramento de armadilhas. Ainda com o uso de larvicidas, a Prefeitura de Joinville, em parceria com a Fiocruz – Amazônia, implantou as Estações Disseminadoras, que consistem em armadilhas nas quais o mosquito Aedes aegypti se torna o propagador do produto.
O trabalho educativo também é feito por meio da campanha “10 minutos contra a dengue”, que conta com o apoio de alunos das redes municipal, estadual e particular e é divulgada também em empresas, incentivando a eliminação de locais que podem se transformar em criadouros do mosquito.