No dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC), nesta sexta-feira, dia 29, Joinville, no Norte de Santa Catarina, ganhou uma sede da Associação Brasil AVC para apoiar pacientes e familiares.
Casa tem como missão apoiar os pacientes pós-AVC e seus familiares. – Foto: Reprodução vídeo NDTVO espaço, que tem como missão apoiar os pacientes pós-AVC e seus familiares, vai contar com o trabalho voluntário de uma série de profissionais da área da saúde. A sede funcionará na rua Alexandre Schlemm, 764, bairro Anita Garibaldi.
“Facilitaremos o acesso aos serviços de saúde aos pacientes. Será feito um questionário para saber quais dificuldades que eles enfrentam para ter acesso aos serviços”, explica o neurologista Alexandre Longo, líder da área de Neurologia do Hospital Municipal São José (HMSJ) e coordenador do Joinvasc, programa público de tratamento de AVC de Joinville.
SeguirPaciente que teve AVC, seus familiares e cuidadores receberão acolhimento para avaliação das demandas e os profissionais da ABAVC atuarão como facilitadores no acesso às mesmas, inicialmente, por meio de apoio da Secretaria Municipal de Saúde.
Neurologista Alexandre Longo, líder da área de Neurologia do Hospital Municipal São José (HMSJ) e coordenador do Joinvasc, programa público de tratamento de AVC de Joinville. – Foto: Reprodução vídeo NDTVTratamento e prevenção
Embora já existam tratamentos eficazes que podem evitar sequelas e, até mesmo, a morte, a melhor forma de combater AVC é a prevenção. E isso inclui medidas que estão ao alcance de todos, tais como controle de doenças como hipertensão e diabetes, prática de atividades físicas, alimentação saudável e combate ao tabagismo.
“É importante lembrarmos que o AVC é uma doença que pode ser prevenida. E isso depende de cada um de nós, de termos consciência e nos atentarmos a alguns pontos fundamentais”, alerta o neurologista.
De acordo com o médico, a hipertensão – ou pressão alta – é o principal fator de risco do AVC. Embora grande parte da população hipertensa tome medicamentos para controlar essa condição, muitos não seguem corretamente as prescrições médicas, comprometendo a eficácia do tratamento.
“Uma estatística norte americana aponta que apenas um terço das pessoas que possuem hipertensão tratam o problema. E apenas a metade faz o tratamento corretamente. É necessário tomar os medicamentos corretamente para atingir o alvo. Se toda a população hipertensa controlasse a pressão, os índices de AVC cairiam drasticamente. O tratamento é simples e os medicamentos estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirma Longo.
Os riscos oferecidos pela hipertensão podem ser potencializados com a presença de outros dois problemas de saúde: o diabetes e o colesterol que também devem ser monitorados regularmente e controlados com o uso de remédios de forma contínua.
Hábitos saudáveis
Hábitos saudáveis começam com boa alimentação. – Foto: Saladices/DivulgaçãoMas mesmo quem não sofre de problemas de saúde que dependem de tratamento contínuo pode prevenir o Acidente Vascular Cerebral com hábitos simples, que fazem parte do dia a dia.
A alimentação saudável é um desses fatores. Para segui-la, a dica é priorizar os alimentos in natura ou minimamente processados, tais como frutas, verduras, legumes, leite, iogurte natural feijões, cereais, raízes, tubérculos, ovos, carnes resfriadas ou congeladas, farinhas, macarrão, castanhas, frutas secas, sucos integrais, chá, café e água potável.
Já os processados e ultraprocessados devem ser evitados pois contêm aditivos químicos e pequena proporção de alimentos in natura. Nessa categoria estão biscoitos, sucos em pó, refrigerantes, temperos prontos, embutidos e salgadinhos.
Também essenciais são a prática de atividades físicas e o combate ao tabagismo, já que o sedentarismo e o cigarro são importantes fatores de risco para o AVC e outras doenças cardiovasculares.
Atenção aos sintomas e rápido atendimento
O AVC é uma doença tempo-dependente, ou seja, quanto mais rápido o atendimento já no início dos primeiros sintomas, maiores as chances de recuperação e cura. Por isso, é preciso estar atento a alguns sinais, principalmente quando aparecem de forma repentina.
Para identificá-los, os médicos sugerem seguir a sigla SAMU, que representa: “SORRIA”, peça para a pessoa sorrir e verifique se há algo diferente, como a boca torta; “ABRACE”, oriente o indivíduo a levantar os braços e veja se há alguma perda de força; “MÚSICA”, a dificuldade de falar ou compreender frases ou palavras também pode indicar um AVC; “URGENTE”, ligue para o SAMU, no 192, e peça ajuda.
Segundo o neurologista Alexandre Longo, na presença de um ou mais sintomas, a orientação é buscar atendimento imediato: “Os AVCs isquêmicos podem ser tratados com medicação que pode desobstruir as artérias, é a chamada terapia de reperfusão. Hoje temos esse tratamento disponível em Joinville. E a melhor forma de paciente chegar ao atendimento é por meio do Samu, que já notifica o hospital para onde está levando o paciente com AVC, principalmente nos casos mais graves”.
Hospital São José é referência em AVC
No mês de setembro, foi um dos quatro hospitais brasileiros a receber o certificado de qualidade de atendimento da organização internacional World Stroke Organization.
“Isso significa que o cidadão de Joinville tem a segurança de que vindo ao Hospital São José, vai receber todos os tratamentos e procedimentos adequados ao tratamento do AVC”, destaca Alexandre Longo.
São diversos os procedimentos que envolvem o atendimento em AVC. Além de médicos e enfermeiros, há o trabalho de outros profissionais, como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos e assistentes sociais, que compõem a equipe multidisciplinar.
Desde que foi iniciado pela Prefeitura de Joinville, na década de 1990, o programa público de tratamento de AVC de Joinville (Joinvasc) conquistou importantes resultados com a prevenção e tratamento da doença e conseguiu reduzir 37% a incidência de casos.
Hoje, o Hospital São José atende a mais de 80% dos pacientes que sofrem um acidente vascular cerebral, em Joinville. De acordo com números do Joinvasc, na década de 1990, de cem pacientes que sofriam um AVC, 26% vinham a óbito após um mês do evento. Em 2005, esse número caiu para 21%; em 2010, para 15,5% e, atualmente, o índice de mortalidade por AVC é de 11,1%.