Pouco mais de oito meses se passaram desde que a primeira morte por Covid-19 foi confirmada em Joinville. O empresário Mário Borba, de 68 anos, foi o primeiro de uma lista que se multiplicou mês após mês e ultrapassou uma marca dolorosa.
Nesta segunda-feira (7), o município confirmou sete mortes e chega ao número de 406 óbitos desde o início da pandemia. Além disso, foram confirmados 1.022 novos casos, chegando a 32.064 desde março.
Primeira morte foi confirmada no dia 30 de março e, de lá até agora, foram mais de 400 mortes em Joinville – Foto: Carlos Jr./NDPais, mães, filhos, amigos, mais de quatro centenas de histórias interrompidas por uma doença que o mundo ainda tenta entender, tratar e combater. Joinville ultrapassa as 400 mortes em um cenário preocupante: são mais de 32 mil casos somados, mais de 5 mil ativos e nenhum leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) disponível na rede pública de saúde. Nesta mesma segunda-feira, o município confirmou que está em alerta para um possível colapso no sistema de saúde.
SeguirCasos de Covid-19 crescem 34% em um mês
No último mês, a cidade viveu uma aceleração preocupante na transmissibilidade do vírus e os números mostram que a preocupação e as medidas adotadas têm fundamento. Entre os dias 6 de novembro e 7 de dezembro, o número de casos confirmados cresceu mais de 34%. As mortes saltaram de 371 para 406 e o número de internações mais do que dobrou. No dia 6 eram 25 pessoas internadas em leitos de UTI, neste dia 7 de dezembro são 69.
A taxa de ocupação geral é de 95% e em todo o município são apenas cinco leitos disponíveis para receber pacientes para o tratamento da doença.
Decreto endurece medidas restritivas para prevenção de mortes por Covid-19
A aceleração vertiginosa de casos obrigou as autoridades sanitárias a endurecer novamente as medidas de restrição e ampliar a validade do último decreto. Desde o início da pandemia, os decretos eram válidos por sete dias, agora, são 14.
Entre as principais alterações, está a suspensão de eventos e atividades em teatros, cinemas e casas noturnas, além das competições esportivas e permanência de pessoas em parques e praças. Mais uma vez, o município voltou a proibir a entrada de duas pessoas juntas em mercados. As medidas têm o objetivo de evitar aglomerações e tentar frear a transmissibilidade do vírus, o aumento de casos e, consequentemente de internações e mortes.
Joinville pode precisar de mais 250 leitos de UTI
O alerta para um possível colapso no sistema de saúde preocupa e, de acordo com o médico Henrique Diegoli, responsável pelo inquérito epidemiológico explica que, se houver piora de 15% na taxa de transmissão, a cidade precisaria de mais 250 leitos de UTI nas próximas semanas. Hoje, Joinville sequer tem 250 leitos totais para o tratamento da doença, são 96 e, destes, 91 estão ocupados.
O índice de distanciamento social piorou – e muito – na cidade, de acordo com os dados do inquérito. O primeiro pico da doença em Joinville ocorreu em julho, quando 10% das pessoas afirmaram que saíam de casa para comércios além dos essenciais. Nas últimas semanas, quando o município registrou a aceleração na transmissão, o índice saltou para 60%.
O médico responsável pelo inquérito ressalta, ainda, que a prevenção à Covid-19 é fundamental mesmo em quadros nos quais não seja necessário internação em leitos de UTI, uma vez que podem ter quadros muito complexos e que ainda não se sabe se há possibilidade de sequelas para os pacientes.
“Em alguns casos ficarem com sintomas de problemas respiratórios, perda do olfato, dificuldade de concentração, que podem se manter por tempo prolongado. Essa é uma doença que ninguém pode querer pegar, porque pode ter consequências graves para a sua saúde, mesmo sendo uma pessoa jovem”, alerta.
Vacinação
Apesar de ainda não existir uma vacina contra a Covid-19 autorizada pela Anvisa para ser aplicada na população, em São Paulo, o governador João Dória anunciou que a vacinação inicia em janeiro. A CoronaVac está na terceira fase de testes.
Em Joinville, embora não haja projeção de início de imunização, o secretário de Saúde garantiu que há orçamento previsto para aquisição da vacina assim que for liberada.