Jovem de 28 anos vence a Covid-19 em SC: ‘sabia que poderia morrer’

O técnico de informática, Alexandre da Silva Kohl, de 28 anos, é morador de Chapecó e também esteve na fila pela espera de um leito

Foto de Caroline Figueiredo

Caroline Figueiredo Chapecó

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Os primeiros sintomas do técnico de informática Alexandre da Silva Kohl, de 28 anos, começaram no dia 12 de fevereiro. Dor de garganta, coriza, ausência de paladar e náuseas, esses foram os sinais da Covid-19. Morador de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, ele foi uma das centenas de pessoas que procurou atendimento médico nas últimas semanas.

O jovem passou três dias internado de maneira improvisada na UPA. – Foto: Arquivo Pessoal/NDO jovem passou três dias internado de maneira improvisada na UPA. – Foto: Arquivo Pessoal/ND

O município vive um colapso na saúde com o agravamento da pandemia com o crescimento acelerado de casos ativos e de mortes. A cidade chegou e registrar mais de cinco mil casos ativos da doença e já teve 360 óbitos em decorrência do vírus.

A esposa de Alexandre, Maiara Cristina Basso Kohl, de 29 anos, também positivou para Covid-19, mas os sintomas não se agravaram. Foram apenas leves: dor de cabeça, coriza, febre e dor pelo corpo e a recuperação foi rápida.

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Agravamento acelerado dos sintomas

Após o início dos sintomas, Alexandre foi ao Ambulatório de Campanha, no bairro Efapi. Cerca de cinco dias depois, começou a ter muita tosse, mas chegou a acreditar que logo passaria. Junto com isso, o jovem percebeu que a saturação estava baixando.

No 7º dia após a confirmação da Covid-19, Alexandre foi até o Ambulatório do Ivo Silveira. No 9º dia estava com muita dor nos pulmões e a tosse continuava.

“Foi então que começou a sair sangue toda vez que eu tossia. Me preocupei e minha esposa me levou à UPA. Cheguei lá com muita tosse, saturação baixa e muita dor nos pulmões”, conta.

Pelo quadro agravado, Alexandre ficou internado de forma improvisada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento), enquanto aguardava um leito para ser transferido a algum hospital da região.

“Na hora eu fiquei em estado de choque, vi que poderia ser grave a situação. Fizeram um raio x, me colocaram uma máscara de oxigênio para que eu pudesse respirar, pois estava com muita falta de ar, e passei a receber soro na veia. Minha esposa estava o tempo todo comigo”, lembra.

A esposa de Alexandre chegou a conversar com o médico para saber sobre o resultado dos exames. Ao retornar, os olhos marejados de lágrimas não escondiam a apreensão.

“Na hora ela me disse para não se preocupar que estava tudo bem, mas percebi pela expressão dela que a situação era grave. No outro dia descobri que meu pulmão rim e fígado estavam 75% comprometidos pelo vírus.”

Familiares vieram de longe

Ao saber da situação de Alexandre, a mãe e a irmã, que moram em Balneário Arroio do Silva, no litoral catarinense, viajaram 600 km para vê-lo. “Quando descobri que elas estavam vindo, pensei que poderia ser a ultima vez que eu veria elas. Pois poderia ser intubado a qualquer momento”, recorda.

A espera de um leito e a esperança da vida

Alexandre ficou 3 dias internado na UPA aguardando um leito de hospital. Segundo ele, foram dias de angustia, onde viu pessoas morrendo ao seu lado. “Isso me marcou muito. Também vi um amigo meu ser internado na cama há alguns metros da minha. Acompanhei ele chegando e saindo para ser intubado. Aquilo me deixava com muito pavor”, relata Alexandre.

Alexandre venceu a Covid-19. – Foto: Arquivo Pessoal/NDAlexandre venceu a Covid-19. – Foto: Arquivo Pessoal/ND

O jovem diz que mesmo em meio as dificuldades sabia que existia um batalhão de pessoas, amigos, líderes de igrejas, conhecidos que estavam orando por sua vida.

“Eu recebia direto mensagens no celular de pessoas que estavam intercedendo por mim. Era isso que me dava ânimo para lutar pela vida. Isso que me motivava. Cada vez que eu ouvia algum áudio ou lia alguma mensagem eu chorava de emoção”.

Alexandre conta que ficou sem oxigênio por algumas vezes e, nesse momento, sentia que as mãos de Deus estavam segurando as suas. “Foi uma luta incansável pela vida, afinal, eu sabia que eu poderia morrer a qualquer momento, pois vi pessoas perdendo a vida ao meu lado”, afirma.

Um leito e a fé da cura completa

No terceiro dia que eu estava internado na UPA, liberou um leito no Hospital Padre João Berthier, em São Carlos. Alexandre foi transferido às 3h da manhã. A situação ainda era delicada e grave.

“Mas Deus é um Deus dos detalhes e preparou o melhor hospital, os melhores médicos, as melhores enfermeiras (os) para me receber. Eles me trataram com muito amor, muito carinho. Tenho muito a agradecer essa equipe”.

O jovem permaneceu internado por 4 dias no hospital. De acordo com ele, foram dias de muita luta. Nesse período a irmã e a esposa se revessavam para ficar com Alexandre no hospital.

A alta e a volta para casa

No dia 28 de fevereiro, Alexandre recebeu alta e voltou para casa. A recuperação ainda segue em casa com o uso de alguns medicamentos. O jovem, que não tem comorbidades, diz que ainda sente um pouco de cansaço, mas tem tomado muitas vitaminas. “Terei que fazer alguns exames, mas graças a Deus posso dizer que sou um milagre”.

Alexandre afirma que tem muito a agradecer a família e, principalmente, a Deus por lhe conceder a vida. “Sou grato aos meus amigos, a equipe médica da UPA e do hospital, profissionais que estão na linha de frente correndo risco para nos ajudar”.

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