Vou logo lhe fazendo uma pergunta, imagino que você esteja com pressa e não está disposta/o a perder tempo, pois não? A pergunta é – “Você tem algum sonho na vida”? – “Ora, Prates, quem é que não tem sonhos na vida”?
Um tipo de sonho – Foto: PxHere/Divulgação/NDDe certo modo, você tem razão, mas não é bem assim, o comum que as pessoas acalentam são fantasias, bem diferentes de sonhos. Ter um sonho não é ficar esperando que as coisas aconteçam, quem tem um sonho tem que estar na luta por sua realização, caso contrário, como já disse, é mera fantasia. Sonhos exigem ações, mangas arregaçadas. E aqui está o nó cego da questão.
A maioria anda por aí sonhando, sonhando como sonâmbulos, no pior sentido. Falando nisso, dia destes, ouvi um professor americano contando de seus sonhos.
SeguirDisse que sempre foi irrequieto para viajar, sonhando viajar pelo mundo, mas… Era muito pobre, não tinha onde cair morto. Ainda assim, sonhou em conhecer a Índia. Aos 20 anos juntou o que tinha e o que não tinha e comprou a passagem. Ele conta que no momento em que comprou a passagem, o sonho deixava de ser sonho, passava a ser realidade.
E não está errado ao dizer isso, já disse, sonho sem ação é fantasia. O tal professor, A. J. Hoge, você o acha na internet, contou que tão pronto chegou à Nova Delhi, no primeiro passeio pelas calçadas, foi roubado. Ficou sem os trocados que tinha levado. Virou se, buscando ajuda de americanos, mal escapou, mas escapou. Três ou quatro dias depois, caiu doente, doença de exigir hospitalização.
Foi hospitalizado. Contou, enfim, das desgraceiras por que passou no realizar o sonho da viagem à Índia. E era aqui que eu queria chegar, leitora. Espere um pouco, sonho tem que valer a pena. Sonhar em viajar sem ter onde cair morto, realizar um sonho levando sopapos e rasteiras da vida? Isso não é sonho, é pesadelo.
Sonho mesmo tem que valer a pena, e é por isso que eu digo às gurias – mulheres – cuidado com o príncipe com quem vocês sonham, cuidado. Mais das vezes esse sonho, mais tarde marido, vai virar sapo, “príncipe” virando sapo… Bah! Que o sapinho de verdade, coitado, inocente, me perdoe por citá-lo de modo injusto. E qual é o meu sonho? Nem a pau, Juvenal, nem a pau, eu conto…