A manhã chuvosa desta quinta-feira (20) em Florianópolis foi a escolha de apenas duas mães que levaram seus filhos para vacinar no Centro de Saúde Córrego Grande. Uma delas, falou com o portal ND+ e declarou a importância de vacinar sua filha, de seis anos.
Vacinação infantil é importante para prevenção de diversas doenças – Foto: Prefeitura de Joinville/Divulgação“Vim dar a terceira dose de vacina contra meningite na minha filha. Acho muito importante manter o calendário vacinal em dia, e qualquer vacina que saia é indicado que a gente leve as crianças no posto. A gente precisa proteger nossas crianças”, conta a mãe que preferiu não se identificar.
A mãe conta que aproveitou as férias escolares e seu intervalo no trabalho para levar sua filha para a vacinação.
SeguirDentro do Centro de Saúde, pacientes aguardavam ser chamados para consultas, mas nenhum deles, para atualizar o calendário vacinal.
De acordo com um dos agentes de saúde do espaço, que pediu para não se identificar, é bem difícil ter um número significativo de crianças para a vacinação. Segundo o profissional, a adesão tem diminuído e, só cresce, em dias específicos quando há campanhas de vacinação.
Centro de Saúde Córrego Grande – Foto: Ana Schoeller/NDNorte também com baixa vacinação
No Centro de Saúde do bairro Capivari, na região Norte de Florianópolis, uma das enfermeiras, que é vacinadora, disse que a vacinação no local está muito abaixo do esperado e que os níveis estão próximos do período da pandemia, onde havia menos adesão à vacinação.
A situação é tão séria que esta semana o TCE (Tribunal de Contas do Estado) divulgou um estudo apontando que nunca antes as crianças em Santa Catarina tomaram tão pouca vacina.
Segundo o estudo feito pelo TCE, todos os 10 tipos de imunizantes voltados para a vacinação infantil estão abaixo da meta estabelecida no Programa Nacional de Imunização.
As vacinas voltadas para proteção infantil são: BCG, rotavírus, pneumocócica-10, meningocócica C, pentavalente, tríplice viral, tetraviral, febre amarela, poliomielite e hepatite A.
Segundo o TCE, o levantamento feito pela Diretoria de Atividades Especiais será enviado a todos os 295 municípios do Estado e à Secretaria de Estado da Saúde para que tomem medidas efetivas que resultem no atendimento dos percentuais estabelecidos.
O que diz a Secretaria de Saúde
A Secretaria de Saúde de Santa Catarina informa que os dados apresentados pelo Tribunal de Contas de Santa Catarina no estudo sobre as coberturas vacinais foram obtidos junto à Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC) e refletem a realidade atual de estado, que tem apresentado, ao longo dos anos, queda nas coberturas vacinais de forma geral.
A SES vê com preocupação essa baixa procura pelas vacinas e tem incentivado, através de campanhas publicitárias, divulgação de material informativo, entrevistas em veículos de comunicação, a vacinação em todas as faixas etárias. Além disso, tem atuado em parceria com os municípios repassando orientações para que sejam definidas estratégias, de acordo com a realidade de cada cidade, para que a população não vacinada seja resgatada.
O estado recomenda ações como: emissão da declaração de situação vacinal para apresentação no ato da matrícula escolar; descentralização da vacinação, com oferta de vacinas em escolas, praças, shoppings, terminais de ônibus, ou seja, locais com grande circulação; ampliação do horário de oferta de doses; aproveitamento da ida da pessoa até a unidade de saúde para consultas ou outros procedimentos para oferecer a dose; não obrigatoriedade de apresentação de comprovante de residência para a vacinação.